;
Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Fundamentos ao Estudo da Mediunidade, Evolução Histórica da Mediunidade

ESTUDO E EDUCAÇÃO DA MEDIUNIDADE - EEM

MEDIUNIDADE: ESTUDO E PRÁTICA

FUNDAMENTOS AO ESTUDO DA MEDIUNIDADE

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MEDIUNIDADE

Como a mediunidade é faculdade inerente à espécie humana, a comunicação entre os dois planos da vida sempre foi conhecida, desde tempos imemoriais. Entretanto, teve de se submeter a um processo lento e gradual de evolução, cuja história acompanha a própria evolução do Espírito. Vemos, assim, que os primeiros habitantes do Planeta, chamavam deus a tudo o que apresentava qualquer característica sobrenatural, qualquer coisa que lhe escapava ao entendimento, tais como fenômenos da natureza e até habilidades percebidas em outro indivíduo que o distinguia dos demais. Em consequência, rendiam-lhes cultos e, por não possuir o senso moral e intelectual desenvolvido, os povos primitivos ofereciam aos deuses sacrifícios humanos e de animais, assim como oferendas dos frutos da terra.(4)

Tais cultos eram marcados por práticas anímicas e mágicas que perduraram por milênios. Envolviam forças espirituais consideradas misteriosas e incompreensíveis. Mas em obediência à lei do progresso, e pelo exercício do livre-arbítrio, o homem começou a entesourar conquistas nas sucessivas experiências reencarnatórias.

Perante tais condições, aprende a utilizar a energia espiritual da qual é dotado, extraindo elementos do fluido cósmico universal a fim de elaborar e aperfeiçoar seus mecanismos de expressão e de comunicação, entre si, e com os habitantes do mundo espiritual. Com este avanço, inicia-se o processo civilizatório, propriamente dito, que tem o poder de modificar a face do Planeta. Utilizando o mecanismo de cocriação em plano menor, como assinala o Espírito André Luiz, aprende a usar “[...] o mesmo princípio de comando mental com que as Inteligências maiores modelam as edificações macrocósmicas, que desafiam a passagem dos milênios.”(5)

Antecedentes do Cristianismo - Evolução do Pensamento Religioso

ESTUDO APROFUNDADO DA DOUTRINA ESPÍRITA - EADE

LIVRO I - CRISTIANISMO E ESPIRITISMO

MÓDULO I - ANTECEDENTES DO CRISTIANISMO

EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO RELIGIOSO

Ideias Principais

O homem primitivo entendia Deus como um ser antropomórfico: [...] Incapaz, pela sua ignorância, de conceber um ser imaterial, sem forma determinada, atuando sobre a matéria, conferiu-lhe o homem atributos da natureza corpórea, isto é, uma forma e um aspecto [...]. Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 667.

»» O politeísmo é a crença em vários deuses e o culto a eles prestado. Chamando [...] “deus” a tudo o que era sobre-humano, os homens tinham por deuses os Espíritos. Daí veio que, quando um homem, pelas suas ações, pelo seu gênio, ou por um poder oculto que o vulgo não lograva compreender, se distinguia dos demais, faziam dele um deus e, por sua morte, lhe rendiam culto. Allan Kardec: O livro dos espíritos, questão 668.

[...] Os hebreus foram os primeiros a praticar publicamente o monoteísmo; é a eles que Deus transmite a sua lei, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus. Allan Kardec: O evangelho segundo o espiritismo. Cap. XVIII, item 2.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Introdução ao Estudo do Espiritismo - O Contexto Histórico do Século XIX na Europa

ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA - ESDE

PROGRAMA FUNDAMENTAL - TOMO I

MÓDULO I - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO ESPIRITISMO

1 - O CONTEXTO HISTÓRICO DO SÉCULO XIX NA EUROPA

O século XIX desenrolava uma torrente de claridades na face do mundo, encaminhando todos os países para reformas úteis e preciosas [...]. Emmanuel: A caminho da luz. Cap. 23.

Esse século, por direito, pode ser chamado o século das revoluções, porque nenhum – até agora – foi tão fértil em levantes, insurreições, guerras civis, ora vitoriosas, ora esmagadas. Essas revoluções têm como ponto comum o fato de serem quase todas dirigidas contra a ordem estabelecida [...], quase todas feitas em favor da liberdade, da democracia política ou social, da independência ou unidade nacionais. René Rémond: O século 19 – Introdução.

No século XIX as [...] lições sagradas do Espiritismo iam ser ouvidas pela Humanidade sofredora. Jesus, na sua magnanimidade, repartiria o pão sagrado da esperança e da crença com todos os corações. Emmanuel: A caminho da luz. Cap. 23.

O século XIX representou uma dessas épocas em que fomos especialmente abençoados pela bondade superior, a despeito de todas as dificuldades assinaladas nesse período. Além das enormes contribuições culturais recebidas, fomos imensamente distinguidos pelo advento do Espiritismo, materializado no mundo físico pelo trabalho inestimável do professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail que, ao codificar a Doutrina Espírita, adotou o pseudônimo de Allan Kardec.

O Céu e o Inferno, Primeira Parte, Capítulo IV - O Inferno

O CÉU E O INFERNO

PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO IV - O INFERNO

INTUIÇÃO DAS PENAS FUTURAS - O INFERNO CRISTÃO COPIADO DO INFERNO PAGÃO - OS LIMBOS - QUADRO DO INFERNO PAGÃO - QUADRO DO INFERNO CRISTÃO

INTUIÇÃO DAS PENAS FUTURAS

1 — Em todos os tempos o homem acreditou, por intuição, que a vida futura devia ser feliz ou infeliz segundo o bem ou o mal que se tivesse feito neste mundo. Mas a ideia que ele fez a respeito estava em relação com o desenvolvimento do seu senso moral e com as noções mais ou menos justas que possuía do bem e do mal. As penas e as recompensas são reflexos dos instintos que nele predominavam.

Foi assim que os povos guerreiros colocaram as suas supremas felicidades nas honrarias tributadas à bravura; os povos caçadores na abundância da caça; os povos sensuais nos prazeres da voluptuosidade. Enquanto dominado pela matéria o homem só pode compreender imperfeitamente a espiritualidade. Foi por isso que ele fez das penas e dos gozos futuros um quadro mais material do que espiritual. Imaginou que se deve beber e comer no outro mundo, mas de maneira melhor do que na Terra e servindo-se de coisas melhores.

Mais tarde vamos encontrar nas crenças sobre o futuro uma mistura de espiritualidade e materialidade. É assim que ao lado da bem-aventurança contemplativa ele coloca um inferno de torturas físicas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo X - Bem-Aventurados os Misericordiosos

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO X - BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

PERDOAI PARA QUE DEUS VOS PERDOE - RECONCILIAR-SE COM OS ADVERSÁRIOS - O SACRIFÍCIO MAIS AGRADÁVEL A DEUS - O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO - NÃO JULGUEIS PARA NÃO SERDES JULGADOS - AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: PERDÃO DAS OFENSAS - A INDULGÊNCIA - É PERMITIDO REPREENDER OS OUTROS? NOTAR SUAS IMPERFEIÇÕES E DIVULGAR O MAL ALHEIO?

PERDOAI PARA QUE DEUS VOS PERDOE

1. Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia. (MATEUS, V:7).

2. Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem, também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados. (MATEUS, Vl:14-15).

3. Se teu irmão pecar contra ti, vai , e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás a teu irmão. Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. (Mateus, XVIII: 15, 21, 22).

O Livro dos Espíritos, Livro Primeiro - As Causas Primárias, Capítulo I - Deus

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMÁRIAS

CAPÍTULO I - DEUS

I - DEUS E O INFINITO

1. O que é Deus?

-- Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas [1].

2. O que devemos entender por infinito?

-- Aquilo que não tem começo nem fim: o desconhecido; todo o desconhecido é infinito [2].

3. Poderíamos dizer que Deus é o infinito?

-- Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.

Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX - Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO IX - BEM-AVENTURADOS OS MANSOS E PACÍFICOS

INJÚRIAS E VIOLÊNCIAS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A AFABILIDADE E A DOÇURA - A PACIÊNCIA - OBEDIÊNCIA E RESIGNAÇÃO - A CÓLERA

INJÚRIAS E VIOLÊNCIAS

1. Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra.(MATEUS, V: 4).
2. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (MATEUS, V: 9).

3. Ouvistes o que foi dito aos antigos? Não matarás, e quem matar será réu no juízo. Pois eu vos digo que todo o que se ira contra o seu irmão será réu no juízo; e o que disser a seu irmão: raca, será réu no conselho; e o que disser: és louco, merecerá a condenação do fogo do inferno. (MATEUS, V:21-22).

4. Por essas máximas, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. E, por consequência, condenou a violência, a cólera, e até mesmo toda expressão descortês para com os semelhantes. Raca era entre os hebreus uma expressão de desprezo, que significava homem reles, e era pronunciada cuspindo-se de lado. E Jesus vai ainda mais longe, pois ameaça com o fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VIII - Bem-Aventurados os Puros de Coração

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO VIII - BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO

DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS - PECADO POR PENSAMENTO E ADULTÉRIO - VERDADEIRA PUREZA E MÃOS NÃO LAVADAS - ESCÂNDALOS: CORTAR A MÃO - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS - BEM-AVENTURADOS OS QUE TEM OS OLHOS FECHADOS

DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS

1. Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus. (MATEUS, V: 8).

2. Então lhe apresentaram uns meninos para que os tocasse; mas os discípulos ameaçavam os que lhe apresentavam. O que, vendo Jesus, levou-o muito a mal, e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis, porque o Reino de Deus é daqueles que lhes assemelham. Em verdade vos digo que todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. E abraçando-os, e pondo as mãos sobre eles, os abençoava. (MARCOS, X: 13-16).

3. A pureza de coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho. Eis porque Jesus toma a infância como símbolo dessa pureza, como já a tomara por símbolo da humildade.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VII - Bem-Aventurados os Pobres de Espírito

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO VII - BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO

O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO - QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO - MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E PRUDENTES - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: O ORGULHO E A HUMILDADE - MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE NA TERRA

O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO

1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus (SÃO MATEUS, V:3).

2. A incredulidade se diverte com esta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como com muitas outras que não compreende. Por pobres de espírito, entretanto, Jesus não entende os tolos, mas os humildes, e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.

Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, Capítulo VI - O Cristo Consolador

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO VI - O CRISTO CONSOLADOR

O JUGO LEVE - CONSOLADOR PROMETIDO - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: ADVENTO DO ESPÍRITO DA VERDADE

O JUGO LEVE

1. Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, Xl:28-30).

2. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei".

Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele ensina: seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade.

CONSOLADOR PROMETIDO

3. Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficara convosco e estará em vós. - Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (JOÃO, XIV: 15 a 17; 26).

4. Jesus promete outro consolador: é o Espírito da Verdade, que o mundo ainda não conhece, pois que não está suficientemente maduro para compreendê-lo, e que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para fazer lembrar o que Cristo disse. Se, pois, o Espírito da Verdade deve vir mais tarde, ensinar todas as coisas, é que o Cristo não pôde dizer tudo. Se ele vem fazer lembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.

O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo. O Espírito da Verdade preside ao seu estabelecimento. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Cristo disse: "que ouçam os que têm ouvidos para ouvir". O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque ele fala sem figuras e alegorias. Levanta o véu propositalmente lançado sobre certos mistérios, e vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao dar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores.

Disse o Cristo: "Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados". Mas como se pode ser feliz por sofrer, se não se sabe por que se sofre?

O Espiritismo revela que a causa está nas existências anteriores e na própria destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Revela também o objetivo, mostrando que os sofrimentos são como crises salutares que levam à cura, são purificação que assegura a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer, e acha justo o sofrimento. Sabe que esse sofrimento auxilia o seu adiantamento, e o aceita sem queixas, como o trabalhador aceita o serviço que lhe assegura o salário. O Espiritismo lhe dá uma fé inabalável no futuro, e a dúvida pungente não tem mais lugar na sua alma. Fazendo-o ver as coisas do alto, a importância das vicissitudes terrenas se perde no vasto e esplêndido horizonte que ele abarca, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem para ir até o fim do caminho.

Assim realiza o Espiritismo o que Jesus disse do consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra, lembrança dos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

ADVENTO DO ESPÍRITO DA VERDADE

• Espírito da Verdade •
Paris, 1860

5. Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar os incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis!"

Mas os homens ingratos se desviaram da estrada larga e reta que conduz ao Reino de meu Pai, perdendo-se nas ásperas veredas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, ou seja, mortos segundo a carne, porque a morte não existe, sejais socorridos, e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que se foram, faça-se ouvir para vos gritar: Crede e orai! Porque a morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro. Homens fracos, que vos limitais às trevas de vossa inteligência, não afasteis a tocha que a clemência divina vos coloca nas mãos, para iluminar vossa rota e vos reconduzir, crianças perdidas, ao regaço de vosso Pai.

Estou demasiado tocado de compaixão pelas vossas misérias, por vossa imensa fraqueza, para não estender a mão em socorro aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Ide, amai, meditai todas as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio ao bom grão, as utopias com as verdades.

Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além-túmulo, que acreditáveis vazio, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!

• Espírito da Verdade •
Paris, 1861

6. Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor estava presente no Jardim das Oliveiras, mas que esperem, porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.

Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas; eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinarem vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são frequentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio d'Aquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmo a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade.

• Espírito da Verdade •
Bourdeaux, 1861

7. Eu sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos remédio que vos deve curar. Os débeis, os sofredores e os enfermo são os meus filhos prediletos, e venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, todos vós que sofreis e que estais carregados, e sereis aliviados consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, porque o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige aos vossos corações um apelo supremo, através do Espiritismo: escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas. São esses os monstros que sugam o mais puro do vosso sangue, e vos produzem chagas quase sempre mortais. Que no fundo, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua divina lei. Amai e orai. Sede dóceis aos Espíritos do Senhor. Invocai-O do fundo do coração. Então, Ele vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e vos dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho a vós, porque me chamastes!

• Espírito da Verdade •
Havre, 1861

8. Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a suplicam. Seu poder cobre a Terra, e por toda parte, ao lado de cada lágrima, põe o bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua e encerram profundo ensinamento: a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender esta verdade, em vez de reclamar contra as dores, os sofrimentos morais, que são aqui na Terra o vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, essas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque eles resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará a tranqüilidade de espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma, e o corpo já não sente desfalecimentos, porque o corpo sofre tanto mais, quanto mais profundamente abalado estiver o espírito.

KARDEC, A. O Cristo Consolador: Advento do Espírito de Verdade. In: ESSE. São Paulo: Petit. Cap. 6.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IV - Ninguém Pode Ver o Reino de Deus Se Não Nascer de Novo

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO IV - NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS, SE NÃO NASCER DE NOVO

RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO - OS LAÇOS DE FAMÍLIA SÃO FORTALECIDOS PELA REENCARNAÇÃO E ROMPIDOS PELA UNICIDADE DE EXISTÊNCIA - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: LIMITES DA ENCARNAÇÃO - A NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

1. "E veio Jesus para os lados de Cesareia de Felipe, e interrogou seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que é o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, mas outros que é Elias, e outros que Jeremias ou alguns dos Profetas. Disse-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que sou eu? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, filho do Deus vivo. E respondendo Jesus, lhe disse: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai, que está nos céus". (MATEUS, XVI: 13-17).

2. "E chegou a Herodes, o Tetrarca, notícia de tudo o que Jesus obrava, e ficou como suspenso, porque diziam uns: É João que ressurgiu dos mortos; e outros: É Elias que apareceu; e outros: É um dos antigos profetas que ressuscitou. Então disse Herodes: Eu mandei degolar a João; quem é, pois, este, de quem ouço semelhantes coisas? E buscava ocasião de o ver, (MARCOS, VI: 14-15; LUCAS, IX: 7-9).

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo III - Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO III - HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI

DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA ERRATICIDADE - DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS - DESTINO DA TERRA E CAUSA DAS MISÉRIAS HUMANAS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: MUNDOS SUPERIORES E INFERIORES - MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS - MUNDO REGENERADORES - PROGRESSÃO DOS MUNDOS

1. Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. - Há muitas moradas na casa de meu pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o lugar. E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde estiver, estejais vós também. (JOÃO, XIV: 1/3).

DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA ERRATICIDADE

2. A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento.

Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras podem também ser interpretadas pelo estado feliz ou infeliz dos Espíritos na erraticidade. Conforme for ele mais ou menos puro e liberto das atrações materiais, o meio em que estiver, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir, tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns, por exemplo, não podem afastar-se do meio em que vieram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os felizes gozam de uma luz resplandecente e do sublime espetáculo do infinito. Enquanto, enfim, o malvado, cheio de remorsos e pesares, frequentemente só, sem consolações, separado dos objetos da sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que ama, goza de uma indizível felicidade. Essas também são, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo II - Meu Reino Não é Deste Mundo

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

CAPÍTULO II - MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

A VIDA FUTURA - A REALIZA DE JESUS - O PONTO DE VISTA - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: UMA REALEZA TERRENA

1. "Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo: se o meu reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz". (JOÃO, cap. XVIII, 33-37).

A VIDA FUTURA

2. Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objeto das principais preocupações do homem sobre a terra. Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não creem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris.