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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Fundamentos ao Estudo da Mediunidade, Evolução Histórica da Mediunidade

ESTUDO E EDUCAÇÃO DA MEDIUNIDADE - EEM

MEDIUNIDADE: ESTUDO E PRÁTICA

FUNDAMENTOS AO ESTUDO DA MEDIUNIDADE

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MEDIUNIDADE

Como a mediunidade é faculdade inerente à espécie humana, a comunicação entre os dois planos da vida sempre foi conhecida, desde tempos imemoriais. Entretanto, teve de se submeter a um processo lento e gradual de evolução, cuja história acompanha a própria evolução do Espírito. Vemos, assim, que os primeiros habitantes do Planeta, chamavam deus a tudo o que apresentava qualquer característica sobrenatural, qualquer coisa que lhe escapava ao entendimento, tais como fenômenos da natureza e até habilidades percebidas em outro indivíduo que o distinguia dos demais. Em consequência, rendiam-lhes cultos e, por não possuir o senso moral e intelectual desenvolvido, os povos primitivos ofereciam aos deuses sacrifícios humanos e de animais, assim como oferendas dos frutos da terra.(4)

Tais cultos eram marcados por práticas anímicas e mágicas que perduraram por milênios. Envolviam forças espirituais consideradas misteriosas e incompreensíveis. Mas em obediência à lei do progresso, e pelo exercício do livre-arbítrio, o homem começou a entesourar conquistas nas sucessivas experiências reencarnatórias.

Perante tais condições, aprende a utilizar a energia espiritual da qual é dotado, extraindo elementos do fluido cósmico universal a fim de elaborar e aperfeiçoar seus mecanismos de expressão e de comunicação, entre si, e com os habitantes do mundo espiritual. Com este avanço, inicia-se o processo civilizatório, propriamente dito, que tem o poder de modificar a face do Planeta. Utilizando o mecanismo de cocriação em plano menor, como assinala o Espírito André Luiz, aprende a usar “[...] o mesmo princípio de comando mental com que as Inteligências maiores modelam as edificações macrocósmicas, que desafiam a passagem dos milênios.”(5)

Na perspectiva da Doutrina Espírita, não é um simples produto das forças cegas da evolução, mas um cidadão do universo constrangido a transformar-se para melhor como determinam as Leis divinas.

Importa acrescentar que o processo evolutivo não foi, obviamente, executado exclusivamente pelo indivíduo. Sempre esteve secundado pelas Inteligências superiores, permitindo que o corpo espiritual (perispírito) se aperfeiçoasse também e, como resultado, produzisse um veículo físico apto a alçar voos mais altos. À medida que o Espírito evolui, aprende a refinar as ondas do pensamento, emitindo vibrações que atraem o pensamento e as ideias de Espíritos semelhantes, encarnados e desencarnados, por meio dos recursos da sintonia. Nesse processo, as suas faculdades perceptivas são ampliadas, pois o psiquismo humano encontra-se mais bem estruturado.

Na obra Evolução em dois mundos, André Luiz afirma que a intuição foi o sistema inicial de intercâmbio, e que a produção do pensamento contínuo pelo Espírito — que caracteriza a emissão mental do ser humano — habilitou o perispírito a desprender-se parcialmente nos momentos do sono reparador do corpo físico.

A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de intercâmbio, facilitando a comunhão das criaturas, mesmo a distância, para transfundi-las no trabalho sutil da telementação, nesse ou naquele domínio do sentimento e da ideia, por intermédio de remoinhos mensuráveis de força mental, assim como na atualidade o remoinho eletrônico infunde em aparelhos especiais a voz ou a figura de pessoas ausentes, em comunicação recíproca na radiotelefonia e na televisão.(6)

Por meio de árduos esforços, o ser espiritual convence-se de que a mente é a orientadora das necessidades evolutivas que, ao emitir projeções, envolve a pessoa em um campo energético, espécie de “carapaça vibratória”, usualmente denominada “aura”, uma vez que o pensamento é a força criativa que se exterioriza, envolvendo as mentes que se encontram no seu raio de ação, mas que, pelos mecanismos da reciprocidade, é influenciada por Espíritos, encarnados e desencarnados, superiores e inferiores. Assim, a aura espiritual, na feição de [...] antecâmara do Espírito [favorece] [...] todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual somos vistos e examinados por Inteligências superiores, sentidos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.(7)

Como tentativa de elaborar uma síntese histórica da mediunidade sugere-se a sequência, em seguida disponibilizada, cujos conteúdos foram inspirados em três obras espíritas: Evolução em dois mundos, do Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, FEB; A caminho da luz, do Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, FEB; e O espírito e o tempo — Introdução Antropológica do Espiritismo, de Herculano Pires. Editora Edicel.

• Mediunidade primitiva: a intuição é a mediunidade inicial; o médium é idólatra; adora ou teme as forças da natureza, nomeadas como “deuses”: sol, céu, lua, estrelas, chuva, árvores, rios, fogo, ser humano que se destaca na comunidade.

• Mediunidade tribal: desenvolve-se uma mentalidade mediúnica coletiva: crença grupal em Espíritos ou deuses. Aparecem as concepções de céu-pai (o criador ou o fecundador) e terra-mãe (a geratriz, a que foi fecundada pelo criador).

• Fetichismo: forma mais aprimorada do mediunismo tribal, apresentando forte colorido anímico, pelo culto aos fetiches ou objetos materiais que representam a Divindade ou os Espíritos. Surge a figura do curandeiro ou feiticeiro, altamente respeitada e reverenciada, amada e temida pelos demais membros da tribo ou clã. Em algum momento, estas práticas se desdobraram em outras, conhecidas atualmente: vodu e magia negra.

• Mediunismo mitológico: a prática mediúnica caracteriza-se pela presença dos mitos (simbolismo narrativo da criação do universo e dos seres) e pela magia (práticas mediúnicas e anímicas de forte conotação ritualística).

• Mediunismo oracular: é o mediunismo que aparece no período da história humana considerado como início da civilização: é politeísta e religioso. Cultuados pela sociedade, os deuses (Espíritos) fazem parte de uma sociedade hierarquizada, onde há um deus maior (Zeus), que vivem em locais específicos (Olimpo). Tais deuses são imortais, poderosos, mas têm paixões típicas dos homens mortais: ódio, amor, rancor, compaixão. Cada deus governa uma parte da terra ou dos seres terrestres. Os oráculos constituem o cerne de toda a atividade humana, nada se faz sem consultá-los. A Grécia torna-se o centro da mediunidade oracular, sendo que o oráculo de Delfos é o mais famoso — o oráculo pode representar a divindade (que fala por voz direta), podia estar encarnada em um médium, ou ocupar temporariamente o seu corpo para se manifestar; mas pode utilizar um objeto do templo (estátua, por exemplo), elementos da natureza, ou manifestar-se naturalmente ao médium, então denominado pitonisa, na forma de domínio psíquico ou corporal.

• Na Antiguidade, segundo Emmanuel, a mediunidade apresenta as seguintes características:

• Face externa ou exotérica – de natureza politeísta, teatral, supersticiosa, repleta de magia, destinada às manifestações públicas.

• Face interna ou esotérica – de essência monoteísta, envolvendo graus de árdua iniciação, e praticada no interior dos templos por médiuns (magos, pitonisas etc.), genericamente denominados “iniciados”, que são mantidos sob supervisão de sacerdotes.

A prática mediúnica dos iniciados surgiu com mais ênfase não só entre os gregos, mas também entre outros povos, como os seguintes: a) egípcios – a mediunidade de cura é especialmente relatada em O livro dos mortos, mas os fenômenos de emancipação da alma eram especialmente conhecidos e praticados; b) hindus – em os Vedas encontram-se descritas todas as etapas da iniciação mediúnica e do intercâmbio com os Espíritos. Os hindus se revelam como mestres no domínio de práticas anímicas, tais como faquirismo, desdobramento espiritual; c) judeus – mediunidade é natural, revela-se exuberante na Bíblia, que apresenta uma significativa variedade, os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. O profetismo é o tipo de mediunismo que mais se destaca e que marca o surgimento da primeira religião revelada: o Judaísmo. Neste cenário surge a figura notável de Moisés, médium de vários e poderosos recursos, a quem Deus concedeu a missão de trazer ao mundo o Decálogo ou Os Dez mandamentos da Lei divina.

Ainda de acordo com Emmanuel, a proibição de intercâmbio com os mortos contida no Deuteronômio(8) justifica-se, pois [...] em vista da necessidade de afastar a mente humana de cogitações prematuras. Entretanto, Jesus, assim como suavizara a antiga lei da justiça inflexível com o perdão de um amor sem limites, aliviou as determinações de Moisés, vindo ao encontro dos discípulos saudosos.(9)

No Novo Testamento, os apóstolos e discípulos de Jesus demonstram maior entendimento da mediunidade que, manifestada aos borbotões, é utilizada para auxiliar o próximo. Trata-se de uma guinada histórica excepcional, pois, a partir daí até o surgimento do Espiritismo, a mediunidade é considerada instrumento de melhoria espiritual, não de domínio ou de poder. O dia de Pentecostes caracterizado por ser o maior feito mediúnico conhecido, até então (Atos dos apóstolos, 2: 1 a 13).

Na Idade Média, a mediunidade é perseguida pela ignorância e fanatismo, e os médiuns são submetidos a suplícios atrozes, em geral, condenados a morrer queimados nas fogueiras, pois as decisões inquisitoriais consideravam as manifestações dos Espíritos ação de forças diabólicas. O martírio a que inúmeros médiuns foram submetidos, principalmente por efeito da ignorância, prossegue ainda nos primeiros dias do Espiritismo, quando estiveram sujeitos a toda sorte de experiências sendo, muitas vezes, denominados charlatões, embusteiros, mistificadores ou desequilibrados mentais.

Por desinformação, ainda hoje percebe-se que em certas comunidades religiosas fechadas os médiuns são considerados entidades diabólicas ou que mantém relações com o demônio.

A História registra o Auto de Fé em Barcelona, no qual trezentos volumes de brochuras espíritas foram queimadas por ordem do Bispo da Província, em 9 de outubro de 1861, na tentativa infrutífera de destruir a nova doutrina que surgia, cuja origem e natureza, ainda não eram compreendidas. Contudo, podemos afirmar sem medo de errar: “[...] São chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido [...]”, (10) conforme esclarece o Espírito de Verdade no prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Léon Denis lembra, a propósito, que os adversários do Espiritismo ainda continuarão a difamá-lo por muito tempo, mas os médiuns, definidos “[...] operários do plano divino, rasgaram o sulco e nele depositaram a semente donde se há de erguer a seara do futuro". (11) E Kardec ensina, por sua vez: Como intérpretes do ensino dos Espíritos, os médiuns devem desempenhar importante papel na transformação moral que se opera. Os serviços que podem prestar guardam proporção com a boa diretriz que imprimam às suas faculdades, porque os que se enveredam por mau caminho são mais nocivos do que úteis à causa do Espiritismo. (12)

Texto extraído da apostila Mediunidade: Estudo e Prática - Programa I, publicada pela Federação Espírita Brasileira. 

NOTAS

4 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Q. 667 a 673, p. 299-302, 2013.
5 XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. Primeira parte, it. Cocriação em plano menor, cap. 1, p. 23, 2013.
6 XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. Primeira parte, cap.17, it. Mediunidade inicial, p. 133, 2013
7 Id. Ibid., p. 132.
8 Bíblia de Jerusalém. DEUTERONÔMIO, 18:9 a 22, p. 281.
9 XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. Cap. 9, p. 33, 2012
10 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. “Prefácio”, p. 11, 2013.
11 DENIS, Léon. No invisível. Terceira parte, cap. XXV, p. 540, 2008.
12 KARDEC, Allan. Op. Cit. Cap. XXVIII, it. 9, p. 337, 2013.

REFERÊNCIAS 

1 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013.
2 _______. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013.
3 Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista ampliada. Diversos tradutores. São Paulo: Paulus, 2002.
4 DENIS, Léon. No invisível. 1. edição especial. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
5 O novo testamento. Trad. Haroldo Dutra Dias,1. ed.1. imp. Brasília: FEB. 2013.
6 XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em dois mundos. Pelo Espírito André Luiz. 27. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013.
7 XAVIER. Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel.1. ed. 3.reimp. Brasília: FEB, 2012.
8 _______. Parnaso do além-túmulo. Por diversos Espíritos. 19. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010.