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LIVRO "DEUS PRA QUÊ? UMA REFLEXÃO SOBRE A FÉ E O AUTOCONHECIMENTO" por Augusto Eric Auad

Este pequeno livro busca ser uma humilde ferramenta de reflexão sobre a nossa relação com aquilo a que nos acostumamos a chamar de “Deus” e de “Fé”, e sobre o porquê de termos abdicado da liberdade de fazermos as nossas próprias indagações e de chegarmos às nossas próprias conclusões sobre nossas dúvidas mais legítimas, para assumirmos posições alheias, prontas, resultando em um comportamento intelectual hipócrita, abrindo mão do direito sagrado de nos valermos de nossa própria consciência para advogarmos em favor de nossas próprias causas. Além disso, busca nos incentivar a refletirmos sobre a necessidade de investirmos em comportamentos que nos estimulem a uma vivência mais comprometida com o despertar de nossas potencialidades inatas, nosso único e verdadeiro patrimônio, amealhado através das incontáveis experiências adquiridas desde que saímos “simples e ignorantes” das mãos do Criador.

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terça-feira, 29 de novembro de 2016

O Livro dos Espíritos, Livro Primeiro - As Causas Primárias, Capítulo IV - Princípio Vital

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMÁRIAS

CAPÍTULO IV - PRINCÍPIO VITAL

I - SERES ORGÂNICOS E INORGÂNICOS

Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades de sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc.

60. É a mesma a força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos?

-- Sim, a lei de atração é a mesma para todos.

61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos?

-- É sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.

62. Qual a causa da animalização da matéria?

-- Sua união com o princípio vital.

63. O princípio vital é propriedade de um agente especial, ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa?

-- É uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital formará um terceiro?

-- É um dos elementos necessários a constituição do Universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento, para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.

64-a. Parece resultar daí que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações desta?

-- É essa a consequência do que dissemos.

65. O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos?

-- Ele tem como fonte o fluido universal é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.

66. O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos?

-- Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade, e os distingue da matéria inerte: pois o movimento da matéria não é a vida, ela recebe esse movimento, não o produz.

67. A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos?

-- Desenvolve-se com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é vida? É necessária a união de ambos para produzir a vida.

67-a. Podemos dizer que a vitalidade permanece latente, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo?

-- Sim, é isso.

O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade íntima ou princípio vital, que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.

II - A VIDA E A MORTE

68. Qual é a causa da morte, nos seres orgânicos?

-- A exaustão dos órgãos.

68-a. Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada?

-- Sim, pois se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra: se o corpo estiver doente, a vida se esvai.

69. Por que uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte?

-- O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.

70. Em que se transformam a matéria e o princípio vital dos seres orgânicos, após a morte?

-- A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres o princípio vital retorna a massa.

Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formaram passam por novas combinações, constituindo novos seres, que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.

Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas. Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos foram destruídos, ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.

Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre os outros é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.

Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está vivo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa: o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte.

A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados de fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos, e de certa maneira, de vida superabundante.

A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contêm.

O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.

III - INTELIGÊNCIA E INSTINTO

71. A inteligência é um atributo do princípio vital?

-- Não: pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência só pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência a matéria animalizada.

A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover as suas necessidades.

Podemos fazer a seguinte distinção:

1º.) os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos;

2º.) os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência;

3º.) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.

72. Qual é a fonte da inteligência?

-- Já o dissemos a inteligência universal.

72-a. Poder-se-ia dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?

-- Isto não é mais que uma comparação mas não exata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.

73. O instinto é independente da inteligência?

-- Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional: é por ele que todos os seres provêm as suas necessidades.

74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa a outra?

-- Não, porque eles frequentemente se confundem: mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem a inteligência.

75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?

-- Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem: ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão: ele nunca se engana.

75-a. Por que a razão não é sempre um guia infalível?

-- Ela seria infalível se não estivesse falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre arbítrio.

O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquele são o resultado de apreciações e uma deliberação.

O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Livro dos Espíritos, Livro Primeiro - As Causas Primárias, Capítulo III - Criação

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMÁRIAS

CAPÍTULO III - CRIAÇÃO

I - FORMAÇÃO DOS MUNDOS

O Universo compreende a infinidade dos mundos que vemos e não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.

37. O Universo foi criado, ou existe de toda a eternidade, como Deus?

-- Ele não pode ter sido feito por si mesmo; e se existisse de toda a eternidade, como Deus, não poderia ser obra de Deus.

A razão nos diz que o Universo não poderia fazer-se por si mesmo, e que, não podendo ser obra do acaso, deve ser obra de Deus.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Livro dos Espíritos, Livro Primeiro - As Causas Primárias, Capítulo II - Elementos Gerais do Universo

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

LIVRO PRIMEIRO - AS CAUSAS PRIMÁRIAS

CAPÍTULO II - ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO

I - CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS

17. Pode o homem conhecer o princípio das coisas?

-- Não. Deus não permite que tudo seja revelado ao homem, aqui na Terra.

18. O homem penetrará um dia o mistério das coisas que lhe estão ocultas?

-- O véu se ergue na medida em que ele se depura; mas, para a compreensão de certas coisas, necessita de faculdades que ainda não possui.

19. O homem não poderá, pelas investigações da Ciência, penetrar alguns dos segredos da Natureza?

-- A Ciência lhe foi dada para o seu adiantamento em todos os sentidos, mas ele não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.

Quanto mais é permitido ao homem penetrar nesses mistérios, maior deve ser a sua admiração pelo poder e a sabedoria do Criador. Mas, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o torna frequentemente joguete da ilusão. Ele formula sistemas sobre sistemas, e cada dia que passa mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades repeliu como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.