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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
Ho'Oponopono - Oração Original'Divino Criador, Pai, Mãe, Filho, todos em Um. Se eu, minha família, meus parentes e antepassados, ofendemos sua família, parentes e antepassados, em pensamentos, fatos ou ações, desde o início de nossa criação até o presente, nós pedimos o seu perdão. Deixe que isso se limpe, purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas. Transmute essas energias indesejáveis em pura luz e assim é. Para limpar o meu subconsciente de toda carga emocional armazenada nele, digo um e outra vez, durante o meu dia, as palavras chave do HO’OPONOPONO: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Declaro-me em paz com todas as pessoas da Terra e com quem tenho dívidas pendentes. Por esse instante e em seu tempo, por tudo o que não me agrada em minha vida presente: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Eu libero todos aqueles de quem eu acredito estar recebendo danos e maus tratos, porque simplesmente me devolvem o que fiz a eles antes, em alguma vida passada: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Ainda que me seja difícil perdoar alguém, sou eu que pede perdão a esse alguém agora. Por esse instante, em todo o tempo, por tudo o que não me agrada em minha vida presente: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Por esse espaço sagrado que habito dia a dia e com o qual não me sinto confortável: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Pelas difíceis relações às quais só guardo lembranças ruins: Eu sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Por tudo o que não me agrada na minha vida presente, na minha vida passada, no meu trabalho e o que está ao meu redor, Divindade, limpa em mim o que está contribuindo para minha escassez: Sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Se meu corpo físico experimenta ansiedade, preocupação, culpa, medo, tristeza, dor, pronuncio e penso: “Minhas memórias, eu te amo”. Estou agradecido pela oportunidade de libertar vocês e a mim. Sinto muito, Me perdoe, Eu te amo, Sou grato. Neste momento, afirmo que te amo. Penso na minha saúde emocional e na de todos os meus seres amados. Te amo. Para minhas necessidades e para aprender a esperar sem ansiedade, sem medo, reconheço as minhas memórias aqui neste momento: Sinto muito, eu te amo. Minha contribuição para a cura da Terra: Amada Mãe Terra, que é quem Eu Sou: Se eu, a minha família, os meus parentes e antepassados te maltratamos com pensamentos, palavras, fatos e ações, desde o início da nossa criação até o presente, eu peço o teu perdão. Deixa que isso se limpe e purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas. Transmute essas energias indesejáveis em pura luz e assim é. Para concluir, digo que esta oração é minha porta, minha contribuição à tua saúde emocional, que é a mesma que a minha. Então esteja bem e, na medida em que vai se curando, eu te digo que: Eu sinto muito pelas memórias de dor que compartilho com você. Te peço perdão por unir meu caminho ao seu para a cura, te agradeço por estar aqui em mim. Eu te amo por ser quem você é.

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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Bases Científicas do Espiritismo, Epes Sargent, Capítulo 1 - As Bases - A Clarividência e a Escrita Direta

BASES CIENTÍFICAS DO ESPIRITISMO

CAPÍTULO 1 - AS BASES - A CLARIVIDÊNCIA E A ESCRITA DIRETA

Os grandes fatos da clarividência, assim como da escrita direta e independente, têm sido tão completamente demonstrados e são tão evidentemente demonstráveis, em suas condições peculiares, que nenhum perfeito e sincero investigador poderá contestá-los. As condições em que se têm produzido, são tais, que isolam toda possibilidade de fraude. Nos testemunhos a seu respeito estão aparecendo diariamente em todas as partes do Globo. Exibindo, como o fazem, o lado físico e o mental de muitos fenômenos análogos, eles podem ser perfeitamente escolhidos como fatos típicos, já hoje incontroversos, e oferecendo bases de certeza a uma ciência psicofísica, justificando uma crença implícita na imortalidade.

É uma questão de evidência primeira, e depois de explicação, tanto quanto for possível, dos fatos, como eles devem ser estabelecidos. Assim escreveu o eminente jurisconsulto e primeiro ministro inglês, William E. Gladstone, em 16 de Outubro de 1878, a respeito desses fenômenos.

É esse o aspecto racional do assunto. Há, contudo, certos especialistas em ciências mui distintas da que se ocupa dos fenômenos psicofísicos, que afirmam que nenhuma soma de evidências humanas lhes fará crer em fatos semelhantes à clarividência e à escrita direta. O Doutor B. Carpenter, de Inglaterra, desprezando o testemunho de seu irmão, o falecido Philip Pearsall Carpenter, eminente naturalista que, quando esteve na América, se convenceu das verdades básicos do Espiritismo (1), diz que o nosso bom-senso deve antepor-se aos sentidos, quando estes testemunhem tais maravilhas. Há também sérios doutores em Medicina, como Richet, Hammond e Beard, que declaram insistentemente no “Popular Science Monthly”: um, que nenhum fato bem demonstrado nos permite concluir que existam coisas como a dupla vista ou a clarividência, e os outros dois - que nunca se mostrou na história do mundo um só caso de clarividência. Quando os homens se arrogam a declarar que nenhuma soma de testemunho humano conseguirá provar-lhes a ocorrência de um fenômeno natural, a conclusão geral deve ser que o seu concurso relativamente a qualquer fato não é de importância para os interesses da Ciência.

O Espiritismo baseia-se em fatos bem estabelecidos, não só do passado, até onde a História pode alcançar, como do presente. Eles são encontrados em todas as épocas, mas sem uma explicação, apreciando-os englobadamente; porque os atribuíam a faculdades super-humanas ou supramateriais, exercidas inconsciente e anormalmente pelos chamados “instrumentos humanos”, ou por seres invisíveis, manifestando-se inteligentes e capazes de vencer obstáculos materiais, não superáveis em qualquer processo físico conhecido da Ciência.

(1) Memoirs of P. P. Carpenter, by his brother Russell Laut Carpenter, Londres, 1880.

A palavra “espiritual” não é aqui empregada como solução suficiente do mistério, ou como insinuando uma distinção entre a “coisa” e o “nada”. A verdadeira etimologia da palavra espírito (“spiritus”,“sopro”) representa uma coisa que ocupa espaço, apesar de, pela sua rarefação, tornar-se invisível. Há, porém, ainda uma confusão, no emprego dessa palavra, pois que ela é aplicada por diferentes pensadores, não só para exprimir a forma orgânica espiritual com seus elementos constitutivos, como também a sua essência íntima que conhece e pensa, à qual chamamos “alma” e os franceses “espírito”.

Segundo Leibniz, a força é a essência de todos os seres, seja alma ou matéria. O Universo inteiro, corpos e almas, são formados de mônadas ou últimas divisões dos átomos, homogêneas em essência, mas pelo Criador dotados de certas faculdades, desenvolvidas em graus infinitamente diversos. Assim, as alterações que a mônada sofre, são unicamente as evoluções graduais e sucessivas de suas próprias faculdades íntimas. Compondo-se cada mônada de corpo e alma, mas sendo em si mesma de uma essência simples e indestrutível, o mundo material, mesmo em sua parte inorgânica, é por toda a parte animado. Desse modo, a matéria é apenas uma expressão da força, e a força é o modo de agir de tudo o que existe e a única coisa persistente. As formas materiais não têm estabilidade. Um organismo é forma temporária donde continuamente emanam partículas. Ele se assemelha à chama de uma lâmpada, incessantemente alimentada e incessantemente consumida. Só é persistente aquilo que se esconde sob todas as existências fenomenais. A matéria, como a conhecemos, é incapaz de agir por si mesma; é preciso que se atue sobre ela; mas essa energia íntima e capaz de produzir todas as formas é hoje a mesma que foi ontem. A matéria passa indiferentemente de um a outro molde, não retendo caráter algum de individualidade. Só o Espírito pode agir, e a matéria é a resultante desse ato.

Assim, no sistema de Leibnitz, o substancial não pertence aos órgãos, mas aos seus elementos originais. A matéria, no sentido vulgar, isto é, uma coisa sem alma, não existe. A morte não existe; e aquilo a que damos esse nome não é mais que a perda sofrida pela alma de parte das mônadas, que constituem o mecanismo de seu corpo terreno, dos elementos vívidos que voltam a uma condição semelhante àquela em que se achavam, antes de entrarem no cenário do mundo. Assim, a imortalidade do indivíduo é certa. Prestando um corpo a mônada, Leibnitz afasta-se da concepção tradicional da corporeidade. O corpo da mônada não é um corpo no sentido ordinário da palavra, mas uma força. Desse modo, nada realmente morre; tudo existe e somente se transforma. Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos. Ele é a Mônada Primitiva, a Primitiva Substância; todas as outras mônadas são fulgurações d'Ele.

Serão imortais as almas dos animais ínfimos? Sim; elas têm sensações e memória. Cada alma é uma mônada, pois o poder que cada uma possui, de agir sobre si mesma, prova a sua substancialidade, e todas as substâncias são mônadas. Aquilo que se nos apresenta como um corpo, é real e substancialmente um agregado de muitas mônadas, a materialidade, pela qual elas se exprimem, sendo apenas um fenômeno transitório, é somente por causa da confissão de nossas percepções sensoriais que essa pluralidade se nos mostra como um todo contínuo. As plantas e os minerais são, como tais, mônadas adormecidas com ideias inconscientes; nas plantas, essas ideias são as conformadoras forças vitais.

“Fico atônito, diz Leibnitz, pensando na natureza da alma humana, de cujos poderes e capacidades não temos uma concepção precisa.” Há muita coisa no Espiritismo que se harmoniza com as suas vistas. A ideia fundamental do seu sistema filosófico, é que a concepção espiritual ou teólogo-teleológica do mundo não deveria excluir a concepção físico-mecânica porém estar unida a esta. Assim, ele parece ter prevenido a pretensão da pseudociência, representada par Haeckel, Huxley, Clifford e outros, de encontrarem na matéria e no mecanismo uma explicação de todos os fenômenos mentais.

Ele diz que os fenômenos especiais podem e devem ser explicados mecanicamente, mas que não devemos perder de vista os fins que a Providência podo cumprir empregando esses meios mecânicos; que mesmo os princípios da Física e da Mecânica estão sujeitos à direção de uma Inteligência Suprema, e só podem ser explicados, quando não se põe de lado essa inteligência.

É esse um dos pontos fundamentais do sistema de Leibnitz. A razão não é individual, mas universal, absoluta e, por consequência, infalível. Há sofistas que controvertem isso e dizem que só por experiência sabemos ser o todo maior que à parte; e que, em um mundo de que não temos experiência, a soma de dois e dois pode muito bem ser igual a cinco. Não são livres aqueles que zombam das correntes e os sofistas aí invalidam a sua própria proposição. O esforço humano para raciocinar, segundo Leibnitz, pode muitas vezes ser defeituoso, mas o princípio da razão humana nada menos é que a razão divina. Cada convicção sincera deve abrigar uma crença oculta no pensamento, na razão, em Deus. A experiência não pode dar a razão dos princípios inatos; mas, ao contrário, são estes que devem avaliar os tesouros daquela. Os fenômenos provados, indicadores da obra de uma força inteligente estranha a todo o organismo visível, têm sido desacreditados, sob vários pretextos, por muitos que não têm tempo, vagar ou inclinação para fazer uma justa investigação. O caráter realmente maravilhoso de alguns desses fenômenos, provocou a incredulidade; as fraudes aparentes, pelas quais médiuns, que se supunham genuínas, têm sido frequentemente acusados, despertaram umas desconfianças naturais; as extraordinárias façanhas dos indivíduos que se intitulavam expositores do Espiritismo e as audácias de suas asserções confundiram não poucos daqueles cujos conhecimentos sobre este assunto eram limitados. A ideia de que uma ocorrência viola as leis da Natureza por ser maravilhosa, é, quando analisada, uma simples superstição. Um médium é suspenso até o teto, sem que nisso seja a lei da gravitação mais violada do que quando saltamos um fosso. Admitindo-se a teoria de uma força espiritual não sujeita à lei, o fato se tornará acreditável. A acusação de fraude feita a médiuns provados, como Florence Cook, Senhora Wood, Senhor Williams e outros, levanta questões a que naturalmente desdenham responder os que não conhecem intimamente a história dos fenômenos. Falarei somente daquilo que investigadores inteligentes aceitam como a solução pelo menos de alguns dos casos em que médiuns, prévia e subsequentemente reconhecidos como honestos, foram apanhados no que à “prima fatie” parecia fraude.

As influências que afetam os fenômenos são extremamente sutis e imperfeitamente conhecidas. Tenho, porém, repetidamente, nos estudos práticos e experiências, observado o seguinte: os pensamentos ocultos, à vontade, o ânimo das pessoas promiscuamente presentes em uma sessão de fenômenos, influem sobre o caráter e a facilidade da sua produção, influência esta que tem mais força por ser oculta e inacreditável para as almas não preparadas. Conheci uma médium, cuja honestidade nunca foi posta em dúvida e em cuja presença os mais indubitáveis fenômenos ocorriam prontamente nas mais rigorosas condições de exame, que ficou meio paralisada pela presença de duas ou três pessoas, trazendo, cada uma delas, talvez um ambiente espiritual adverso, todas veementemente opostas ao êxito da experiência, e não só com o intento de descobrirem uma fraude, mas ainda com a esperança de a conseguirem. Segundo a teoria espírita, será desarrazoado supor-se que tais pessoas possam exercer influências, e que, se o médium intuitivamente não resistir a elas, consigam afetá-lo de tal modo, que as provas venham confirmar sua descrença e suas suspeitas de embuste? Que isso muitas vezes se haja dado, onde o corpo transfigurado do médium se tem apresentado como uma forma espiritual, é mais que provável (2). A crermos no testemunho de cuidadosos investigadores tanto da Europa como da América, o embuste não é coisa rara. O melhor caminho, contudo, que deve seguir um noviço, quando se querem provas absolutas, é não depositar a sua confiança nem no Espírito nem no médium, mas nas condições exatas, se ele puder obtê-las, as quais serem uma garantia contra os defeitos e as decepções, seja do suposto mundo espiritual seja deste.

(2) Allan Kardec relata no seu O Livro dos Médiuns um caso de transfiguração ou mudança de aspecto de um corpo vivo. Nos subúrbios de S. Etienne (em 1858-59), uma jovem de quinze anos tinha a faculdade de, em certos tampos, tomar todas as aparências de certas pessoas mortas. O fenômeno renovou-se centenas de vezes. Em muitas ocasiões ela tomou a figura de seu irmão falecido, apresentando não só o seu rosto, como também a sua altura, corpulência, e o peso do seu corpo.

E muito provável que os médiuns verdadeiros recorram algumas vezes propositadamente à fraude, quando o poder supra-sensível que produz os fenômenos não seja bastante eficaz. Para isso concorrem: primeiro, a tentação de atrair um apreço exagerado à sua presente mediunidade; e, depois, a tentação do lucro pecuniário, que falhará se o fenômeno não se der. Alguns médiuns fazem da exibição de suas faculdades um meio de vida; e se, às vezes, suprem os fenômenos reais por artimanhas, não devemos inferir que, por ser falso em uma coisa, ele o seja em todas (3).

(3) Um espírita inglês, muito familiarizado com esses fenômenos, escreveu (Novembro de 1878): "Posso até admitir que o médium sensitivo pode, em seu estado normal, ser levado a trapacear, por uma influência do meio. Ele merece antes lástima que condenação. Assisti às sessões escuras, públicas, de Williams, Herne, Eglington, Bastian e Taylor, e vi o que considero manifestações reais. Centenas de pessoas têm visto a mesma coisa em suas próprias residências, com os mesmos médiuns e em circunstâncias em que o embuste era impossível. Por isso, não creio que uma pessoa, que seja realmente suscetível, arrisque de propósito a sua reputação, empregando uma fraude palpável e fácil de ser descoberta. Quanto mais apurada for a suscetibilidade, mais fácil se tornará à fraude. Freqüentemente, se a sessão é muito longa e o médium fica exausto, as baixas influências se manifestam."

Já muitas vezes se tem provado que a acusação de fraude é, frequentemente, o resultado da completa ignorância do acusador, pois este se aventura a tirar conclusões, aparentemente sinceras, mas que, se ele possuísse mais algum conhecimento, se lhe apresentariam como duvidosas ou falsas. Quanto aos intitulados expositores do Espiritismo, ocasionalmente tem sucedido que pessoas dotadas de alguma faculdade mediúnica, não podendo tirar das suas manifestações um meio de vida, e tornando-se desafetas aos espíritas, por estes repelirem suas pretensões, têm procurado o patrocínio dos que combatem os fenômenos. Se tiverem facilidade de falar, se possuírem Muita presença de espírito e alguma perícia na arte de prestidigitação, persuadirão facilmente os inexperientes de que algumas das suas fraudes são idênticas aos verdadeiros fenômenos mediúnicos.

Quanto aos fenômenos que não podem ser imitados fraudulentamente, elas os produzem com o auxílio do gabinete e das cortinas, pela cooperação de Espíritos de ínfima classe. Em tais casos, têm sempre uma excusa para não exibir ao público o seu “modus operandi”. Dirão que depois explicarão porque não podem divulgar os seus segredo, enquanto ele for seu ganhapão.

Muitos desses impostores têm conseguido atrair numerosos assistentes e colher da parte dos inimigos do Espiritismo o auxílio que os adeptos não lhes dariam.

Qualquer expositor que afirmar ser a clarividência e a pneumatografia fraudes demonstráveis, pode com certeza ser considerado como mistificado por si mesmo ou um petulante mistificador. Sua pretensão ao título de emérito prestidigitador não passa de uma suposição e, no geral, conhece que ela é falsa.

Seguidamente, durante os últimos trinta e três anos, recebi cartas de amigos que, confiando muito em sua própria sagacidade, me informavam de que certos fenômenos, que eu havia proclamado como genuínos, estavam provados pelo expositor ambulante como simples embustes. Em todo o caso o “expositor” acaba sempre por ser conhecido como impostor ou pretensioso pantomineiro; e então nenhum dos fenômenos geralmente aceito pelos investigadores cuidadosos e experimentado no mundo todo será apeado de sua verdadeira base.

O fato de muitas pessoas que se dizem espíritas ter prejudicado a sua causa, recorrendo à luz mediúnica para resolverem seus negócios e assuntos domésticos, sob a inspiração de sua própria razão e sentimento de direito, tem feito nascer um amontoado de prejuízos, entre os que não investigaram por si mesmos os fenômenos. Se o investigador deseja realmente a verdade, depressa se libertará das objeções que podem ter-se originado da credulidade dos neófitos ou das fraudes dos médiuns mercenários. Ficará sabendo que há fenômenos genuínos justificando a crença em uma força sobrehumana e espiritual. Se o grande assunto tem sido vituperado, a culpa é toda daqueles que daí fogem cautelosamente. 

Um eminente jurisconsulto, ocupando uma das mais altas posições judiciárias por escolha do povo de seu Estado, em data de 10 de Julho de 1880, escreveu o seguinte:

"Minhas primeiras tentativas em experiência deram-me a convicção de que eu havia caído nos laços da fraude, e os princípios perigosos e imorais, professados pelos que pareciam ser chefes da Causa, impediram que por alguns anos me ocupasse com isso. Nos últimos seis anos, porém, tendo a causa sida expurgada de muitas dessas fraudes, a luz me veio casualmente. Trabalhando nesse assunto durante trinta anos e tendo observado a sua evidência nos últimos doze anos, dei-lhe o melhor das minhas faculdades, sempre dirigido por um gênio naturalmente céptico, e consegui convencer-me de duas grandes verdades elementares, a saber: a continuação da existência depois da morte e a comunicação dos que foram com os que estão encarnados. Levado a essa conclusão, admiti somente aquilo que, sob o ponto de vista da evidência, resistisse ao mais severo e céptico escrutínio da razão, libertada da credulidade e das superstições."

A teoria espírita ensina que a vida continua; que a palavra imortal deve ser tomada no sentido etimológico, exprimindo - o que não morre. A continuidade do ser não é então mais que um efeito natural de causas presentes. Desse modo, o inquérito em busca de uma crença na existência de órgãos espirituais e faculdades da compleição humana, manifestando sempre o seu trabalho na vida terrena e formando a base da vida comum a este e ao seguinte estado do ser, torna-se um processo estritamente científico e experimental, jogando com as mais delicadas e recônditas partes da ciência fisiológica, ou com os desenvolvimentos psico-fisiológicos da nossa natureza mista. E por terem confundido o fato de uma vida futura com as questões especulativas teológicas e religiosas, que chegaram à conclusão de ser esse fato colocado fora das raias da verificação científica. Há pessoas piedosas que declaram que, a não ser pela autoridade da Bíblia, não têm motivos para crer em Deus e na vida futura. Sobre isso, John Page Hopps observa eloquentemente:

"O que poderá, dizer ao povo, que só concebe a vida futura como a restauração de um corpo dissolvido, aquele que, sem refletir e dirigido por inculto instinto animal, despreza com zombaria a asserção de ser o Espírito uma realidade maior que o corpo, ou que nos diz que só crê na imortalidade porque ela se acha consignada nos textos da Bíblia, livro que não é infalível?

Pouco importa que o povo seja bom, fervoroso ou cultivado em outro sentido; suas ideias relativamente ao Espírito e a vida espiritual mostram que, nesse tremendo assunto, eles não são mais que meninos... A primeira coisa a fazer-se, é colocar toda a questão fora da região do mistério, da falsidade, da fantasia e do temor, e chamá-la para do frio raciocínio e, se for possível, para a experimentação científica."

É isso precisamente o que a inteligência, que se manifesta pelos chamados fenômenos espirituais, parece incitar-nos a fazer.

"O Espiritismo, disse o falecido Doutor Hallock não é um problema novo que deva surpreender os discípulos da Ciência; através de todas as idades, ele bateu à porta de todos os pensadores, pedindo uma solução. Em falta desta, o pensamento popular, mal dirigido por uma teologia completamente cega e caduca, envolveu numa mortalha a imortalidade de sua própria crença e converteu-a em um espantalho, transformando a mais bela e sublime operação, pela qual a Humanidade é glorificada, em um horrível esqueleto a que deram o nome de morte, fazendo dela o objeto do mais profundo horror. Competia a Ciência despojar desses andrajos o Espírito imortal. Porque não o fez?"

Os fatos que têm sido concludentemente corroborados pelos fenômenos do sonambulismo, mesmerismo e Espiritualismo, foram, nos últimos cem anos, olhados como demonstração da crença, persistente entre todas as raças de homens, em todas as épocas, de que, apesar da dissolução do seu invólucro físico, o homem individual, com todas as faculdades da sua natureza mental, moral e emocional, sobrevive e, em condições apropriadas, pode dar provas de sus sobrevivência, àqueles que deixou na Terra. Todas as teorias genésicas da crença na imortalidade, que não admitirem, como um fator importante original, um conhecimento obtido, pelo método experimental, dos fenômenos atuais, objetivos e subjetivos, são defeituosas e ilusórias.

"A imortalidade da alma - diz o Senhor A. M. Fairbairn -,apesar de sua importância capital, dificilmente pode ser considerada como uma crença religiosa primitiva. Ela implica concepções demasiado abstratas e positivas para serem compreendidas pelo homem primitivo, o qual não podia crer naquilo que não compreendia."

O Espiritismo contradiz essa asserção. A vida futura era concebível pelo homem primitivo, porque ele tinha provas objetivas da existência de seus parentes e amigos falecidos, com organismos dotados de novas e mais extensas faculdades. Não havia necessidade de raciocínios metafísicos para convencê-lo desse fato, mais que de qualquer outro igualmente misterioso da Natureza, confirmado pela evidência de seus sentidos e por seus limitados poderes de raciocínio.

O Senhor Herbert Spencer, na “Fortnightly Review”, de 1° de Maio de 1870, exprime a sua opinião de que a crença em uma dupla personalidade pode ter sido originada entre os selvagens pela visão do movimento de suas sombras, ou da reflexão de seus rostos na água; e, para corroborar essa fantástica noção, ele cita a relutância que certos selvagens manifestam quando se lhes deseja tirar o retrato. Não se pode duvidar de que haja tolos entre os selvagens, como os há no seio dos povos civilizados; mas é uma afirmação arbitrária supor-se que os selvagens geralmente sejam tão pouco observadores das relações entre a causa e o efeito, a ponto de terem falsas noções sobre a causa de uma sombra, em movimento ou estacionária. A grande coleção de retratos de personagens eminentes das tribos índias, em poder do Governo dos Estados Unidos, é uma prova de que eles não se opõem a que os retratem.

Todas essas pretensiosas tentativas de explicações procedem de se ignorar o fato de quase todas as raças selvagens terem tido provas dos fenômenos espíritas objetivos, pois que esse é o motivo pelo quais bem poucos deles descrêem da dupla personalidade. O fenômeno das manifestações de formas palpáveis pelos supostos Espíritos é bem conhecido dos índios norte-americanos.

Disto estou certo por informações do meu correspondente, o Senhor Granville T. Sproat, agente do Governo, há muito residente entre os índios do Lago Superior, e que testemunhou publicamente o fato. Índios inteligentes estão persuadidos de que seus amigos mortos têm reaparecido sob formas palpáveis e, às vezes, tomado parte em suas danças.

Tão longe quanto a História alcança, as faculdades da adivinhação e da clarividência têm sido consideradas por muitos investigadores como um dom da alma humana desenvolvida em alguns dos seus estados, sob a influência de condições peculiares, ou, por outra forma, um indício de ação espiritual independente, Desde Pitágoras até Platão, de Platão até Plutarco, e de Plutarco até dezenas de milhares de testemunhas competentes do século décimo nono, esses fenômenos têm sido admitidos. Si divinatio est dü sunt” (se a adivinhação existe, existem os deuses ou Espíritos), é um antigo provérbio latino. A dedução é legítima.

Há, porém, fenômenos físicos que completam e confirmam essas indicações de faculdades transcendentes da percepção. Consideremos um desses estupendos fatos de pneumatografia (4) ou escrita independente. Seguro uma lousa limpa ou coloco em uma gaveta fechada um pedaço de papel branco, e, depois de alguns segundos, a lousa ou o papel se mostram cobertos de uma escrita inteligível. Direis que isso é fisicamente impossível. Pode ser, mas como o fato se dá, atestado pelos nossos sentidos e pelo nosso bom-senso, segue-se que ele é espiritual ou psico-fisicamente possível, isto é, que não pode ser explicado por nenhum processo puramente físico, mecânico ou material conhecido na mais adiantada ciência, ou concebível como independente da alma.

(4) Allan Kardec emprega essa palavra para exprimir a escrita direta espiritual, deixando a psicografia, para exprimir a escrita que é feita pela mão do médium.

“Terei motivo, disse, John Wesley, para negar fatos tão perfeitamente atestados, só porque não posso compreendê-los? Uma das objeções capitais que me apresentam, é a de não ter eu mesmo visto uma aparição; mas também nunca vi cometerem um assassínio, e por isso não julgo o fato impossível.” Wesley viveu ainda para ver em três ocasiões aquilo que ele acreditava ser uma aparição. Se quiser pôr em dúvida o fato da escrita independente, precisam classificar entre os mentirosos ou entre os alucinados aqueles que dão testemunho disso. Quando, porém, o caráter e a magnitude do testemunho dado ao fato são bem apreciados, a tentativa de repulsão por meio de acusações de falsidade ou imbecilidade, sobre dezenas de milhares de indivíduos que o verificam, poderá pelas pessoas criteriosas ser julgada uma evasiva sem fundamento, em oposição direta com os princípios da ciência experimental.

“A Ciência, diz John Stuart Mill, é uma coleção de verdades. Emprega a seguinte linguagem: Isto é, ou não é, isto se dá, ou não se dá. A Ciência toma conhecimento de um fenômeno e procura descobrir suas leis.”

Estendemo-nos muitos sobre os fatos provados de pneumatografia, porque são os que têm sido e precisam ser experimentalmente bem firmados. Se o fato tem sido rejeitado, é, eu o repito, devido à sua incompatibilidade com os métodos experimentais da Ciência. Eles são uma prova concludente, fornecida em plena luz do dia, da independência da alma e de um organismo visível, da ação de uma força inteligente fora do corpo humano, operando freqüentemente à distância de sete ou mais metros, nas mais simples e satisfatórias condições, e sendo isso tão facilmente verificável que somente a extrema incredulidade, que não é senão o equivalente de uma insensata credulidade, pode levar uma pessoa a pôr em dúvida a ocorrência do fenômeno, depois de haver sido testemunhado ou bem apreciado pelo testemunho dado em seu favor. “Uma boa experiência, diz Sir Humphrey Davy, vale mais que a perspicácia de um intelecto como o de Newton.”

Permiti-me aqui resumir a minha experiência pessoal, que em outra ocasião narrei detalhadamente. Apresento-a, não como absolutamente conclusiva, mas como completa, relativamente à mesma experiência feita por milhares de observadores competentes e por eminentes cientistas de todas as partes do mundo. Tomei uma lousa inteiramente nova e ainda não servida, por mim comprada vinte minutos antes, e apresentei-a ao médium, Carlos E. Watkins, em Boston, no dia 18 de Setembro de 1877. Era um dos chamados livro-lousa, com sólida capa de papelão. Busquei conhecer bem tudo o que se sabia de desfavorável aos médiuns em geral, e a esse em particular.

Depois de manifestar a sua clarividência, dizendo-me o que estava escrito em algumas dúzias de pedacinhos de papel, que eu havia enrolado e misturado, de modo a não mais poder eu mesmo distingui-los uns dos outros, ele permitiu-me segurar a minha própria lousa e conservá-la afastada dele na minha mão esquerda, depois de haver eu deitado sobre a lousa um pedacinho de lápis com a dimensão de metade de um grão de arroz. O médium assentou-se a três pés de mim, e nenhuma vez tocou na Lousa. Apesar de não ter havido oportunidade para que ele aí imprimisse qualquer sinal, sem eu sabê-lo, verifiquei ainda se a lousa estava perfeitamente limpa. De repente, ouviu-se um som semelhante ao que produz o lápis escrevendo numa lousa, e, em menos de dez segundos, um golpezinho dado sobre ela. Abri-a e aí vi escrito a nome de uma amiga falecida, Ana Cora Mowatt. Repeti essa experiência muitas vezes e com o mesmo êxito, obtendo nomes e comunicações de amigos, o que seria menos extraordinário se o médium os tivesse conhecido; isso não se dava entretanto. 

Em uma ocasião, na mesma sessão, consegui uma comunicação de cinquenta e duas palavras, escrita com extraordinária celeridade. A escrita era clara e legível. Conservo-a ainda. O médium e eu éramos as únicas pessoas presentes, e a luz meridiana inundava a sala. Não era possível fugirmos ao pensamento de que um grande fenômeno, compreendendo a clarividência e o movimento inteligente, sem quaisquer auxílios manuais, mecânicos ou químicos, se produzia diante de nós. Se o fato existe, se não é o fruto de uma alucinação, não temos mais necessidade de escrever livros para provar que o materialismo, que restringe todas as operações da alma aos movimentos do cérebro material, no sentido humano da palavra, é um erro. Se eu tivesse de rejeitar ou pôr em dúvida o testemunho que os meus sentidos e o bom-senso me deram nessa ocasião, considerar-me-ia incapaz de atestar qualquer outra ocorrência visível. Nenhuma hipótese de impostura a razão podia descobrir, não havia aí nenhum conchavo entre seres terrestres, e as condições foram escolhidas de modo a excluir rigorosamente qualquer fraude. Nada ficava na dependência do caráter moral do médium; e, se no dia imediato, ele fosse apanhada enganando, isso em nada afetaria as minhas convicções, a menos que o “modus operandi” fosse explicado de tal modo a eu observar que, com a precisa prática e destreza, outro podia produzir a mesma manifestação. 

O fenômeno não era novo para mim. Muitos anos antes colhera eu provas da escrita independente sobre o papel, em presença de Colchester, médium inglês que faleceu jovem. Nunca, porém, segurei eu mesmo a minha lousa, nova e limpa, sem ela ser tocada por qualquer outra pessoa; ouvira o ruído do lápis que escrevia independente de qualquer processo físico conhecido, químico ou mecânico. Se não existisse uma evidência que corroborasse os milhares de testemunhos de outros investigadores, alguns de alta reputação científica, eu poderia sentir alguma hesitação em narrar a minha própria experiência, temendo a natureza do fato. Mas, a autenticidade do fato é hoje tal, que, apesar do cepticismo sempre escusável, a pronta negação do fenômeno só poderá proceder da ignorância ou da negligência.

Um moderno escritor escocês que acusa os espíritas de se mostrarem incapazes de dar o devido valor à afirmativa da experiência geral, escreveu:

"Um homem profundamente convencido da enorme improbabilidade de poder-se testemunhar uma revogação das sequências sempre vistas como invariáveis, ou da introdução de uma força que não figura na experiência universal, dificilmente poderá, quaisquer que sejam os seus defeitos, tornar-se o devotado adepto e o expositor de uma ilusão como é o Espiritismo."

Apanhadas de relance, tais palavras parecem justas; mas são realmente tão destituídas de razão como a incredulidade do tropical que não acreditasse no endurecimento da água por nunca ter visto gelo. Ele aprecia demasiado aquilo a que os nossos críticos chamam a enorme improbabilidade da existência de uma força que não figura nas suas experiências nem nas de sua tribo.

Todo o argumento contrário se resume no seguinte: “O testemunho negativo de muitos, deve suplantar a afirmação de poucos.” O testemunho negativo de mil pessoas que nunca viram um caso de sonambulismo ou a queda de um meteoro deve suplantar, segundo eles, o de dez observadores cuidadosos!

Onde iria parar a Ciência, se esse princípio fosse generalizado?

As pessoas que desprezam um fato da Natureza, por não ser ele conhecido e aceito pela maioria, têm uma inteligência tão acanhada e tão pouco racional como a do índio incrédulo. “Como sabemos, pergunta o falecido professor Morgan, que as sequências são invariáveis, que o que se tem dado se há de dar sempre?” O argumento, porém, não tem essa força compressiva.

O espírita não é obrigado a crer na revogação das sequências invariáveis. Os fenômenos psíquicos têm sido reconhecidos pelos poucos homens inteligentes que os observaram, e são acreditados por muita gente em todas as épocas, exceto talvez na nossa.

Em uma obra póstuma de George Henry Lewes, sobre Psicologia, lê-se:

"Um veemente desejo de algumas provas diretas da continuação da vida depois da morte tem levado centenas de pessoas a aceitarem as mais grosseiras imposturas do Espiritismo, imposturas que se contrapõem às sólidas experiências da raça, e que só se apóiam em uma credulidade emocional, na falta absoluta de um conhecimento direto."

Não há dúvida de que tem havido grosseiras imposturas, que iludem mesmo os experimentados investigadores. O homem que passa moeda falsa não é aquele que põe em dúvida uma moeda, ou recusa receber alguma, boa ou má; mas sim aquele que tem motivo para conhecer se é verdadeira a maioria das moedas em circulação. Mas, é absolutamente inverídico dizer-se que a maior parte das experiências têm sido opostas à crença nas manifestações espíritas. Ao contrário, muitos dos homens mais eminentes têm acreditado nelas. O fato é tão notório que aqui não tomarei espaço recordando alguns dos seus nomes.

Foi somente no decurso do último meio século que o cepticismo e o materialismo se popularizaram tanto, que chegaram mesmo a dar algum colorido de verdade à observação do Senhor Lewes. Está muito longe de ser uma verdade que a crença fosse a causa das conversões, quando a maioria dos convertidos saiu de uma classe tão firmada em sua incredulidade nas coisas supra-sensíveis, que somente provas objetivas da mais decisiva espécie poderiam atrair-lhes a atenção.

Conforme confessa o próprio Senhor Lewes, ele vacilava muito em psicologia. Se sua vida terrena se prolongasse um pouco mais, suas conclusões talvez fossem modificadas a respeito dos nossos fenômenos - asperamente opostos como ele foi a um sistema que, sendo reconhecido verdadeiro, arruinaria muita das suas engenhosas especulações.

Permiti que eu resumisse o assunto das minhas experiências pessoais nos fenômenos psico-físicos que, começando no ano de 1835, se foram multiplicando até à época em que escrevo esta obra. Na tarde de sábado, 13 de Março de 1880, o Rev. José Cook veio a minha casa, trazendo consigo quatro de seus amigos, dois cavalheiros e duas damas, sendo uma delas sua esposa. Watkins tinha prometido vir, a pedido do Senhor Cook (não a meu), e apresentou-se antes da chegada dos outros. Ele trouxe consigo o Senhor Henry G. White, cavalheiro cujos pais me eram bem conhecidos, e que apenas havia uma semana se tinha relacionado com o Senhor Watkins, produzindo alguns fenômenos na sua presença. Achando-o profundamente interessado, o médium o havia trazido, e o Senhor White tinha parado em uma loja e comprado cinco ou seis lousas pequenas.

Refiro-me assim particularmente às exatas relações do Senhor White com as experiências, porque os únicos pontos importantes apresentados pelo Senhor Cook, como nada satisfatórios, foram à presença do Senhor White e o fato de serem empregadas às lousas deste e não as que ele havia trazido, e que eram encaixadas em espessas capas de madeira. 

Posso responder, pelo Senhor White, que ele não era mais amigo do médium que o próprio Senhor Cook, e, como todos nós, não era mais que um sincero investigador da verdade, e tão interessado como qualquer de nós na averiguação daquilo que se assemelhasse à fraude.

Tinha sido anunciado que o Senhor Cook, na sua prédica da segunda-feira seguinte, apresentaria o resultado de suas experiências em minha casa. A velha igreja escocesa de Boston regurgitava de povo nesse dia. A sessão efetuou-se em minha biblioteca, onde, inclusive eu e o médium, achavam-se presentes nove pessoas, das quais três eram senhoras. Eis o que disse o Senhor Cook em sua prédica de 15 de Março de 1880, apresentando os seguintes pontos satisfatórios

l° - Cinco fortes bicos de gás, sendo quatro no lampião ou lustre, e um na posição que correspondia ao centro da mesa, iluminavam a biblioteca onde se efetuavam as experiências.

2° - Em tempo nenhum as lousas, onde apareceu à escritura supranormal, foram afastadas das nove pessoas que as observavam. A escritura não foi feita sobre lousas seguradas por baixo da mesa, como se dava com Slade em Londres e em Leipzig.

3° - Todos os observadores empregavam o maior cuidado no exame da limpeza das lousas, antes de serem elas justapostas umas às outras.

4° - Durante a primeira experiência, nove pessoas conservaram, cada uma delas, uma ou duas mãos acima e abaixo de duas das lousas. As mãos do médium estavam entre as outras, e ele com certeza não as tirou da sua posição, enquanto ouvíamos o som do lápis que escrevia.

5° - Cada observador havia escrito, em um pedaço de papel fornecido pelo médium, o nome de um amigo falecido e uma pergunta feita a este. Todos esses pedaços de papel foram enrolados apertadamente, os rolinhos promiscuamente reunidos sobre a mesa, de modo a ninguém poder distinguir qual o seu. Cerca de meia dúzia de nomes foi corretamente dada pelo médium quando os papeizinhos estavam enrolados. Ali nada se aventurou sobre o método pelo qual o obtivera esse conhecimento. Um dos dois rolinhos, que eu houvera posto sobre a mesa, continha as seguintes palavras: "Warner Cook. Em que ano meu pai nasceu?" Era uma questão a que responderia qualquer pessoa que pudesse ler os meus pensamentos. No outro papel escrevi uma pergunta cuja resposta eu ignorava, e esta não veio. O médium, que com certeza não podia ter visto o que escrevi, por não se achar na sala na ocasião, deu-me corretamente o nome de meu avô aí contido. Disse-me também corretamente o nome escrito no segundo papel; atribuo isso talvez ao fato de ter ele lido o meu pensamento. O médium escreveu sobre uma lousa: "Desejo que saibais que eu posso vir. Há tanto tempo eu procurava alcançar vocês. - W. C."

Julguei que houvesse nisso fraude, não obstante me dizerem que vinha de um Espírito.

O médium, em todo o caso, começou a sofrer, fazendo contorções singulares, e disse ser isso o resultado dos esforços de um Espírito para se comunicar com ele. Tive muitas dúvidas a esse respeito, e, como todos os outros, prestei muita atenção a esses movimentos. Ele colocou, diante dele, duas lousas sobre uma mesa, e sobre cada uma delas assentou uma de suas mãos com a palma para baixo.

Parecia estar fazendo um extremo esforço de vontade, e disse não poder garantir o resultado da experiência, Cortando um pequeno fragmento de lápis de pedra, não maior que quatro ou cinco vezes as dimensões de uma cabeça de alfinete, colocou-o sobre uma das lousas e pediu a todos verificarem que ela estava limpa, Nos o fizemos de um modo satisfatório, à plena luz de cinco bicos de gás. Em seguida, juntou as lousas, mantendo entre elas o pedacinho de lápis, e pediu que todos segurássemos nas molduras das mesmas. Puxou minhas mãos para junto das suas e deu-me muitos toques nas costas de uma delas. Entretanto, seu rosto manifestava grande esforço de vontade e energia, parecendo estar em luta de volição; e suas feições mudavam, adquirindo uma expressão de grande vigor e determinação; contudo, enquanto o observávamos, as lágrimas lhe saltavam. Foi nesse transe que a audição da escritura começou e continuou.

6° - Enquanto doze mãos, em plena luz, seguravam fortemente as lousas, ouvimos distintamente o som peculiar de um lápis de pedra escrevendo entre as lousas. Eu disse: silêncio! por uma ou duas vezes, e, no mais perfeito silêncio, todos ouvimos o ranger do lápis entre as lousas.

Depois vimos o fragmento de lápis que tinha sido empregado, e notamos que estava gasto pela fricção da escrita.

7° - A escrita encontrada em uma das lousas, quando foi descoberta, era a resposta a minha pergunta e dizia: "Julgo que foi em 1812, mas não estou bem certo. Warner Cook."

A data era correta. A dúvida expressa na minha pergunta não existia no meu pensamento, porque eu conhecia a data. Contudo, durante a escrita, não pensara nela, pois esperava apanhar o médium em flagrante.

8° - Em uma segunda experiência, o médium encerrou as lousas às nossas vistas, depois de terem sido limpadas com uma esponja molhada, que eu mesmo trouxera de um gabinete do Senhor Sargent, e enxugadas com o meu lenço em presença de todos, quando estavam sobre a mesa. Tínhamos resolvido que nenhum ditado visível fosse conservado nas lousas, que pudesse ter sido feito por um artifício manual ou antes de nos termos reunido. Depois de terem sido elas cerradas sobre o lápis, o médium, a meu pedido, prendeu-as por duas fortes braçadeiras de bronze, uma em cada extremidade. (O Senhor Cook apresentou essas braçadeiras ao seu auditório. ) Feito isso, as lousas foram por ele postas na minha mão direita, que estendi em todo o comprimento do meu braço, por cima das costas da minha cadeira para o espaço vazio da sala, enquanto a minha mão esquerda ficava sobre a mesa. O médium, por duas ou três vezes, voltou à lousa que eu tinha na mão, e depois tornava a assentar as suas mãos sobre a mesa, onde, com as dos outros todos, ficavam sempre à vista. Nessa posição conservei as lousas por alguns segundos, prestando-lhes atenção, assim como ao médium. Este parecia não estar fazendo esforço particular de vontade. Quando as lousas foram separadas, encontramos em uma das suas faces a seguinte frase em tipo feminino: "Deus vos abençoe a todos. Aqui estou. Vossa afetuosa amiga, Fanny Conant." Nunca tinha ouvido falar dessa pessoa, mas seu nome era conhecido por alguns dos presentes; como sendo o de uma médium falecida há pouco e muito conhecida em Boston.

9° - Um dos observadores que, por convite meu; assistia às experiências, era o médico de minha família, Doutor F. E. Bundy, de Boston, graduado pela Escola Médica de Harvard, homem dotado de grande calma e perspicácia e sem disposições para aceitar a teoria espírita. Outro dos observadores era o Senhor Epes Sargent... (5).

(5) Omito aqui um cumprimento todo pessoal.

Dos nove observadores, a maioria não só não era espírita, como estava completamente prevenida contra os reclamos feitos em favor do médium que dirigia as experiências. Sem perda de um instante, o Doutor Bundy e eu tomávamos notas dos fatos, como se iam dando.

10° - Entre os nomes escritos nos rolinhos, e que foram lidos corretamente, estava o de um oficial do Exército regular, morto em uma das escaramuças preliminares da batalha de Wilderness.

O narrador do fato conhecia esse oficial e as circunstâncias da sua morte. O médium, ao pronunciar o nome do oficial, caiu de costas com um movimento vivo e rápido, como o que faz uma pessoa ferida no coração. Depois de alguns segundos, ele escreveu na lousa a palavra - baleado.

11° - As mãos de todos nós estavam colocadas sobre as lousas na primeira experiência, de modo a tornar inaplicável aos fatos a teoria da fraude pelo emprego de lápis magnético. Um dos observadores colocou uma de suas mãos aberta contra a face inferior, e a outra sobre a face superior das lousas que, seguras pelos assistentes, se achavam de seis a dez polegadas acima da superfície da mesa. Nenhum ímã oculto nas mangas do médium podia ter sido utilizado para mover o lápis.

12° - Ao encerrar-se o trabalho, todos unanimemente assinaram um papel ali apresentado, no qual se declarava que a teoria da fraude não podia explicar os fatos observados. Não podendo explicar a produção da escrita pelo movimento da matéria sem contacto, às opiniões divergiam, querendo uns que o lápis fosse movido pela vontade do médium, e outros pela de um ou mais Espíritos atuando por intermédio dele.

Relatório dos observadores das experiências psicografias do Senhor Sargent, em Boston, a 13 de Março de 1880. 

Na residência do Senhor Epes Sargent, na tarde de sábado, 13 de Março, os abaixo assinados viram duas lousas limpas e ajustadas uma à outra, contendo entre si um pedacinho de lápis de pedra. Reunimos todos as nossas mãos, segurando os caixilhos das lousas. As mãos do Senhor Watkins, o médium, também seguravam as lousas. Nessa posição, todos distintamente ouvimos o ranger produzido pelo movimento do lápis, e, separando-se as lousas, achamos aí uma mensagem escrita por mão masculina, respondendo à pergunta feita por um dos pretentes.

Depois, duas lousas foram presas uma à outra com fortes braçadeiras, e seguras pelo Senhor Cook, com o seu braço estendido, enquanto todos os outros e os médiuns conservavam as mãos sobre a mesa, plenamente visíveis. Depois de um momento de espera, as lousas foram separadas, encontrando-se uma mensagem escrita por mão feminina em uma das faces internas. A sala esteve sempre iluminada pela luz de cinco bicos de gás.

Não podemos aplicar a esses fatos nenhuma teoria de fraude, e não vemos como explicar a escritura, a não ser que a matéria do lápis se tenha movido sem contacto.

Boston, 13 de Março de 1880.

F. E. Bundy, médico.

Epes Sargent.

John C. Kinney.

Henry G. White.

Joseph Cook.

Notai agora os pontos não satisfatórios dessas experiências:

1° - A minha atenção foi, muitas vezes, desviada do médium pelo convite que me fazia ele de colocar a ponta do meu lápis sobre os rolinhos de papel, passando docemente de um a outro.

Convém saber-se que o mesmo convite era feito ao Senhor Sargent, apesar de que, se o seu fim era distrair a atenção de alguém, não era este, mas sim o Doutor Bundy que devia ser o escolhido, por ser contrário à admissão dos fatos, e a arma que ele primeiro devia encravar. A atenção do Dr Bundy não foi desviada por um só instante, convindo também acrescentar que, nos momentos que me pareciam importantes, a minha atenção igualmente não o foi.

2° - Por duas ou três vezes o médium e um amigo, que ele trouxera (6), deixaram a sala juntos, sem que eu nada soubesse acerca do que iam conferenciar. É de supor que seu fim era fazer com que esse amigo não fosse considerado como aliado.

(6) O Senhor White de quem já falamos.

3° - O médium prontamente se mostrou contrariado, quando se lhe propôs o emprego das braçadeiras de bronze, mas, depois, concordou.

4° - As lousas trazidas pelo amigo do médium foram às empregadas na experiência, ao passo que as minhas não foram aceitas.

O motivo alegado para a rejeição das minhas lousas foi o fato de terem capas de madeira, que é má condutora das influências elétricas. Apesar de as braçadeiras não prenderem melhor as lousas do que as mãos que as seguravam, concorriam também para isso e devem ser mencionadas na narração feita ao público. Se eu de repente caísse em transe, ou fosse mesmerizado, enquanto segurava as lousas, as braçadeiras conservam-las-iam unidas; e algum dos assistentes, que não estivesse em transe, observaria o acontecimento.

No todo, os pontos não satisfatórios não suplanta seus contrários, confessando os observadores a sua incapacidade para explicarem a produção da escrita sem admitirem o movimento livre de contacto.

Nessas experiências, não ficou decidido se a força que movia o lápis era produzida pela vontade do médium, por um Espírito, ou por ambos.

Não temos a presunção de expor como o movimento foi produzido, mas diremos que a escrita não pode por nós ser explicada, sem admitirmos o movimento do lápis sem contacto.

Sem dúvida alguma esses fatos, assim estabelecidos, mesmo no caso de não sabermos se a força procede do médium ou dos Espíritos, subvertem totalmente a teoria mecânica da matéria, reprovam todas as hipóteses materialistas e assentam as bases da Física transcendental ou de um mundo novo na Filosofia.

Apareceu ultimamente na Alemanha um jornal tratando dos fenômenos psíquicos. É escrito por Leeser, médico candidato a uma cadeira da Universidade de Leipzig, e intransigente defensor da teoria de que a força psíquica explica todos esses fenômenos e que ela procede exclusivamente do homem. Saí da biblioteca do Senhor Sargent convencido de que o ponto capital a debater está entre essa teoria e a adotada por Zollner e Crookes, de proceder essa força dos homens e dos Espíritos. Qualquer que já o resultado final das experiências dos que se dedicam ao estudo dos fenômenos psíquicos, é quase certo hoje que as investigações se concentrarão dentro das linhas traçadas por essas duas teorias rivais."

Visto ter sido o Senhor Cook muito atacado por alguns jornais religiosos por dar testemunho do que vira, deixai que vos apresente, em aditamento às suas observações, uma experiência.

Na tarde de 8 de Junho de 1880, o Senhor Watkins veio a minha casa e propôs que fizéssemos uma sessão. Como o dia estava um pouco frio, fomos para a sala de jantar, onde havia fogo, assentamo-nos junto a uma grande mesa coberta com um pano verde. As dimensões da sala eram de 5,80 por 6,50 metros.

Além do médium e eu, estavam presentes a Senhora E. e a Srta. W., ambas pertencentes à família, e das quais a última vira pela primeira vez o Senhor Watkins, quando a chamei para tomar parte na sessão. Fechamos as duas portas para evitar qualquer interrupção. Sobre a mesa colocamos sete lousas, duas trazidas por mim e que nunca haviam servido, o livro-lousa que fora empregado na minha primeira experiência com o médium, em 1877, e quatro lousas pequenas, trazidas pelo médium e cuidadosamente umedecidas e enxugadas por mim. Além disso, havia na mesa papel e lápis.

Assentamo-nos de um lado da mesa durante as experiências, que foram feitas à plena luz do dia, ao passo que o médium ficou do lado oposto, ora junto à cabeceira e ora caminhando pela sala, de modo que toda a sua figura podia ser vista em qualquer tempo. Primeiro, pusemos duas das pequenas lousas, uma sobre a outra, contendo no vão um pedacinho de lápis, e seguramo-las pelos caixilhos. O ruído do lápis fez logo ouvir, e, tomando a lousa inferior, nela depois encontramos escrito o seguinte, em grandes e bem legíveis caracteres: “Aqui estou. - Lizzie”. Antes da experiência, tínhamos verificado que as lousas estavam perfeitamente limpas. Tinha-as eu lavado e enxugado com cuidado. A substituição das lousas por outras era impossível.

A mensagem foi produzida enquanto a Srta. W. segurava as lousas, e o médium, sem aí tocar, se achava cerca de 1 m. e 20 de distância. Nas minhas duas lousas, novas e perfeitamente limpas, seguras pelo médium diante de todos, foram escritas duas mensagens, uma de dez palavras e assinada com o nome de meu pai, dirigida a mim; a outra, de três palavras, dirigidas à Srta. W. , e assinada por um jovem amigo falecido, de quem nunca o médium ouvira falar.

Uma vez as duas damas seguraram cada uma um par de lousas, e em ambos os pares simultaneamente produziu-se à escrita, sem que o médium, conservando-se do outro lado da mesa, aí houvesse tocado. 

Propusemos então servir-nos do livro-lousa. Ele tinha anteriormente sido escrito nas duas faces internas, e eu me opunha a que essas escritas fossem apagadas. Uma, delas era uma carta de sessenta palavras, obtida alguns anos antes por intermédio do Senhor Watkins e assinada com o nome da minha irmã Lizzie; e a outra continha apenas as seguintes palavras: “Vossa tia Amélia está presente”, obtida por um outro médium, o Senhor W. H. Powell (7). Afinal consenti na extinção da última escritura, contanto que isso fosse feito pela força desconhecida, aparentemente em ação. Tomando as lousas, em uma das quais se conservavam as escritas anteriores, fechei-as e passei-as às mãos do médium, que as segurou diante de todos. Ouvia-se logo o ruído do lápis, e em menos de doze segundos as lousas me foram devolvidas. Abri-as, e na face de onde a inscrição fora apagado, cuidadosamente, lia-se o seguinte: “Meu caro irmão: - Fui eu quem limpou a lousa. Vossa irmã - Lizzie.”

(7) O Banner oi Light, de 17 de Julho de 1880, falou dos trabalhos mediúnicos importantes obtidos em Rochester pelo Senhor Powell, em condições de não ser possível qualquer suspeita de embuste, e sob a inspeção de uma comissão de físicos e químicos de nomeada, como os Srs. Doutor Wn. Paine, Doutor Rouben Carter, B. F. Dubois, John P. Hayes, Alfred Lawrence e F. J. Keffer, os quais declararam não poder explicar as manifestações psicológicas produzidas por intermédio do Senhor Powell, em 1879, em Filadélfia.

Deixo de enumerar as muitas provas satisfatórias de clarividência independente (não a leitura de pensamento), que obtivemos nessa notável sessão. Elas elevaram-se a quinze. Tem-se dito que a leitura do pensamento e a clarividência não são mais que o exercício de uma mesma faculdade, havendo em um dos casos uma percepção de pensamentos, e, em outro, uma percepção de objetos. Falta-nos o espaço para discutir a questão. Simplesmente direi que a descoberta de um pensamento pode proceder do olhar ou do movimento de um cérebro em relações simpáticas com outra, justamente como a vibração de uma corda musical afeta á de outra da mesma espécie, colocada em uma sala diferente. A leitura, porém, do que se acha escrito em um papelucho bem enrolado, e sem ser conhecido pelos assistentes, parece ser alguma coisa mais difícil e inexplicável do que a leitura do pensamento. Cumpre lembrar que todas essas experiências se efetuaram à plena luz do dia e que as lousas e os rolinhos de papel nunca foram afastados de nossas vistas, por um momento que fosse.

O último e capital incidente da tarde foi o seguinte: Eu havia escrito o nome de minha mãe em um desses papeluchos enrolados, nos quais o médium não tinha tocado. Tomando duas lousas justapostas, ele, após mostrar-nos que estavam limpas, colocou-as sobre uma mesinha a um canto da sala. Depois, tendo julgado melhor, entregou as lousas, por mim examinadas, à Srta. W., e foi postar-se no ângulo oposto da sala, a uma distância maior de sete metros, na linha diagonal, convidando que nos certificássemos bem de que estavam limpas, destruindo assim qualquer ideia de terem sido substituídas, visto não lhe provir disso vantagem alguma. Disse ele, à Srta. W., que as colocasse com as suas mãos sobre a mesinha. Apenas ela o havia feito e tornado ao seu lugar, o médium pareceu violentamente agitado, e, passando por cima da mesa, segurou a mão da Srta. W. O paroxismo, porém, só durou um momento; o ruído do lápis, escrevendo na lousa distante, foi ouvido, e o médium, conservando-se a sete metros de distância, disse à Srta. W. que fosse buscar as lousas e mas entregasse. Ela o fez, e eu, tomando a lousa inferior, aí achei escritas em sete linhas as palavras seguintes: “Queridos filhos. Aqui estou e preciso ver-vos ainda. Não possa dizer mais por agora. Vossa afetuosa mãe, M.O.S.”

Os fatos extraordinários dessa experiência foram os seguintes: As lousas não foram tocadas pelo médium, desde que saíram das minhas mãos, até me serem restituídas por uma dama, e eu li o que estava escrito; que eu mesmo verifiquei antes estarem as suas faces limpas; e que, enquanto se produzia a escrita e se ouvia o ruído do lápis, o médium se conservava a uma distância de sete metros das lousas.

Fenômenos como estes me parecem ter a sua razão de ser, fora dos domínios do materialismo. Onde e como encontrar uma explicação para eles? O materialismo com os seus dogmas é impotente para sugerir-nos uma explicação admissível. Aí se patenteiam provas de uma força inteligente, obrando fora do cérebro humano, fora de qualquer organismo visível. Em todas as idades do mundo, essa força tem sido comparada ao invisível sopro humano - o espírito.

Em Maio de 1880, havendo o Senhor Watkins me informado de que o Senhor Hiram Sibley, de Rochester, N. Y., homem de fortuna, tinha cuidadosamente investigado os fenômenos e oferecido a ele uma soma importante de dinheiro em troca do segredo da sua arte, escrevi ao Senhor Sibley, relatando-lhe os fatos, e recebi dele uma resposta satisfatória, em 10 de Maio de 1880, na qual me disse que ele e o juiz Shurat tinham dado a Watkins cem dólares por dez sessões, e que haviam obtido a escritura independente, de modo a fazer-lhes compreender que um poder desconhecido movia o lápis. O Senhor Sibley escreveu:

"Ofereci ao Senhor Watkins uma importante soma de dinheiro, que me propunha depositar em nome da sua mulher e dos seus filhos, se ele me descobrisse o segredo do artifício (caso houvesse um artifício), pelo qual se produz a manifestação, e, ainda mais, prometi dar-lhe obrigações garantidoras, caso ele quisesse que o segredo não fosse divulgado. De boa vontade ofereço ainda o mesmo a quem me expuser ou explicar esse artifício, caso exista. "

Essa oferta de muitos milhares de dólares, apesar de toda a publicidade, nunca foi aceita. O público foi informado de haver uma pessoa procurado o Senhor Sibley para explicar como tudo isso se fazia; mas, as condições que exigia eram tão extravagantes, tão distanciadas do modo simples e incondicional pelo qual os fenômenos tinham sido produzidos por intermédio de Watkins, que o pretendente foi despedido como um ignorante ou um charlatão. A solução de todos esses pretendidos imitadores é sempre a ligeireza de mão; mas há condições em que todo o embuste é impossível.

O Senhor J. Edwin Hunt, empregado do Tesouro em Boston, que fora materialista confesso, ouvindo falar das experiências do Senhor Cook na minha biblioteca, buscou certificar-se da sua realidade, e, em 11 de Julho de 1880, escreveu a respeito da sua visita ao Senhor Watkins, o seguinte:

“Vim, vi e fui vencido; isto é, testemunhei em sua presença o fato do movimento da matéria sem nenhum contacto visível humano ou qualquer outro. Sei que não fui iludido. Não somente vi a escrita depois de feita, mas também ouvi o ruído do lápis movendo-se para produzi-la. Sei que nada estava escrito sobre as lousas, quando entre elas foi colocado o lápis, e que as lousas, nem pelo tempo de um segundo, saíram de sob as minhas vistas, enquanto estive assentado ao pé do Senhor W. A assinatura da comunicação era o nome de um meu amigo, cujo enterro eu havia acompanhado três semanas antes, e essa comunicação era uma resposta direta a certa pergunta que eu lhe dirigira e ocultara completamente, tendo sido a pergunta escrita uma semana antes da sessão. Eu nunca tinha visto o Senhor W. , nem ele a mim, antes do dia da sessão, que era o último dia de Março de 1880. Não tinha meios de pensar na resposta que viria, porque havia apresentado oito ou dez perguntas, cada uma em um pedaço de papel, e os rolinhos só foram abertos depois de produzir-se a escrita na lousa”.

Em conclusão, cabe-me dizer que, como resultado da minha experiência, não tenho a menor dúvida da existência de uma força inteligente estranha ao médium ou a qualquer assistente, e creio que a consequência segura e quase irresistível disso é que essa força inteligente é a de um Espírito humano determinado, que já viveu incorporado à matéria.

O Senhor John L. O' Sullivan, outrora Ministro dos Estados Unidos em Portugal, cavalheiro há muito tempo por mim conhecido pessoalmente, publicou uma narração de suas experiências, em Maio de 1880, com Alexandre Phillips, médium de 23 anos de idade, na sua residência em Nova Iorque, rua 36 ocidental, n° 133, às quais assistiu também o meu amigo, de 40 anos de idade, Doutor J. R. Buchanan.

Em condições escolhidas e à plena luz do gás, eles repetidamente obtiveram a escritura independente. Muitas citações latinas foram dadas, entre as quais a seguinte tradução de uma estância do instrutivo pensamento de Jane Taylor, que começa assim: “Brilha, brilha, estrelinha.” A escrita, miúda, cerrada e invertida, foi finalmente decifrada assim:

"Mica, mica, parva stella, Miror quonam sis tam bella, Splendens eminens in illo Alto velut gemma coelo."

A narrativa das repetidas experiências do Senhor O' Sullivan, o Doutor Buchanan ajunta o seguinte testemunho: “As precedentes afirmativas do Senhor O' Sullivan dou a minha garantia, por sua absoluta e minuciosa correção”. Tive a satisfação de entreter alguma correspondência com o Senhor Alfredo Russell Wallace, eminentes naturalistas ingleses, que, como o Senhor Charles Darwin, participa da honra de ter sido o criador da teoria da seleção natural. Ele atesta ter testemunhado (em 21 de Setembro de 1877), numa casa particular, em Richmond, sobre Tames, o fenômeno da escrita direta, em uma sala onde havia luz bastante para que fossem vistos os objetos que se achavam sobre a mesa.

O Doutor Francis W. Monck era o médium. Depois de descrever a experiência em carta dirigida ao “Spectator”, de Londres, publicada em 6 de Outubro de 1877, o Senhor Wallace observa:

"O que caracteriza essencialmente essa experiência é que eu mesmo limpava e examinava as lousas; que assentava sobre elas a mão durante todo o tempo; que elas nem um só momento foram afastados das minhas vistas; e que eu indicava a palavra que devia ser escrita e como o devia ser, estando as lousas sempre seguras por mim. Pergunto: como podem esses fatos ser explicado, e qual a interpretação que se lhes deve dar?"

O Senhor Edward J. Bennett garante o que afirma o Senhor Wallace na sua observação, dizendo:

"Estive presente nessa ocasião, e certifico ser exata a narração do Senhor Wallace."

Referindo-se às suas experiências com Henry Slade, o Senhor Wallace atesta o seguinte:

“A escritura foi produzida na parte superior da lousa, quando eu a segurava e comprimia contra a face inferior da mesa, e as duas mãos do Doutor Slade, em contacto com a que me restava livre, pousavam sobre a mesa. Durante a escrita, o ruído do lápis era percebido. Esse fenômeno é absolutamente concludente. A prestidigitação não pode explicá-lo nem imitá-lo”.

A escrita apareceu também na face inferior da lousa, quando esta descansava sobre a mesa e as mãos do Doutor Slade estavam expostas as minhas vistas. Enquanto o Doutor Slade segurava a lousa com uma das mãos e tinha a outra presa pela minha, outra mão distinta elevou-se rapidamente, descendo depois entre a mesa e o meu corpo; e finalmente, estando as mãos do Doutor Slade e as minhas descansando sobre o centro da mesa, a parte mais afastada desta ergueu-se até dar à superfície uma posição quase vertical; depois, toda a mesa se levantou e rodou no ar por cima de minha cabeça.

Esses fenômenos se deram em pleno dia, estando a sala iluminada pela luz do Sol, e só estando presentes o Doutor Slade e eu. Com ligeiras variantes, podem ser testemunhados pelos nossos homens de ciência, e é de esperar que os que não se dão ao trabalho de examiná-los cessem, em todo caso, de falar com desprezo das faculdades intelectuais e perceptivas dos que afirmam de visa à realidade desses fatos."

É certo, como disse o Senhor Wallace, que nenhum homem de autoridade se tem apresentado para pôr em dúvida a realidade do fenômeno, depois de estar bem convencido da sua ocorrência. Acontece, porém, que os investigadores neófitos, depois de poderosamente impressionados pelos fenômenos que observaram, abandonam suas convicções, e não devemos surpreender-nos por haver isso sucedido com alguns professores da Alemanha que, pouco ou quase nada conhecendo do fenômeno, se deixaram arrastar pelas manifestações obtidas por intermédio do Doutor Slade. Nada há de impossível em que eles venham depois a escarnecer ou discorrer contra essa convicção. Não é surpreendente que um investigador inexperto, raciocinando sobre os fenômenos, depois de ter alguma certeza da sua veracidade, venha a julgá-los totalmente incríveis. Daí as tão frequentes retratações de pessoas um tanto convertido. Exige-se longo preparo para que um filósofo ou um físico seja um Fichte e possa conciliar todos os fatos que se acham em contradição com o que eles ensinavam.

Zollner (nascido em 1834), que descreveu os fenômenos obtidos por intermédio de Slade em diversas obras, não voltou atrás. Talvez que ele tenha vida para conseguir novas provas confirmadoras das suas experiências.

Emmanuel Herman Fichte (1797-1879), filho do famoso John Gottlieb Fichte, já era espírita muito antes de Slade visitar a Alemanha. Pouco antes de sua morte, publicou um folheto, em que afirma os fatos fundamentais, e com sinceridade recomenda o grande assunto à atenção do mundo científico e religioso. Responde habilmente a Haeckel, o materialista entusiasta que deplorava a “simplicidade” dos eminentes físicos alemães, que ai tinham deixado apanhar na armadilha de Slade. Fichte atesta a importância dos resultados obtidos, e afirma que as manifestações de Slade pertencem ao domínio da Física. O Prof. Ulrici, de Halle (nascido em 1806), não testemunhou os fenômenos de Slade, mas, apesar disso, aceitou-os em parte, à vista do atestado dos outros, como vindo confirmar as suas teorias filosóficas. A crítica de Wundt, contudo, parece tê-lo feito recuar um pouco. Evidentemente faltava-lhe aquela força de convicção que só pode ser inspirada par um perfeito conhecimento do fenômeno, adquirido numa prática de muitos anos.

Fichte, residindo em Stuttgard, foi levado a estudar o fenômeno da escritura independente, pelo falecido Barão Luís Guldenstubbé, que deixou a vida em 27 de Maio de 1873, na sua residência, em Paris, 29 rua de Trévise, aos 53 anos de idade. Foi conhecido principalmente por suas investigações e experiências em pneumatografia. De origem sueca, pertencia à antiga família escandinava, de nomeada histórica, tendo dois dos seus antepassados do mesmo nome sido queimados vivos, em 1309, na companhia de Jaques de Molay, por ordem do Papa Clemente IV.

O Barão passava uma vida retirada, em companhia de sua virtuosa irmã. Sua memória é afetuosamente respeitada por sua conduta nobre, urbana e benévola e por seus numerosos atos de modesta caridade. Sua principal obra é “La réalité des Esprits et le Phénomène merveilleux de leur ecriture directe”, publicada em Paris por D. Franck, em 1857. O Barão passou o inverno de 1869-70, em Stuttgard. Homem de elevada educação, de vida independente e de alta posição social, era provavelmente um médium, apesar de não ter a consciência disso. Obteve a escritura independente, mas julgou que isso vinha como uma satisfação às suas súplicas de uma prova da imortalidade. Meu amigo, o Rev. William Mountford, de Boston, que conheceu o Barão e testemunhou os notáveis fenômenos físicos que se davam em sua presença, disse-me que ele era muito conhecedor do hebraico e sincero observador de evidências psíquicas, não como entusiasta, mas como cavalheiro modesto, sério e devotado à verdade. O testemunho de tal homem em relação a um fenômeno palpável e objetivo, dado a favor de um médium ausente, a menos que ele também seja médium, é excepcionalmente precioso. Guldenstubbé dedicou sua obra aos Condes de Ourches e Szapary e ao General Barão de Bréwern, três cavalheiros assaz conhecidos, que seguidamente testemunharam o fenômeno da escritura independente produzida em sua presença, às vezes em sua própria casa, e em outras ocasiões nas velhas igrejas e junto de túmulos antigos. A escritura aparecia sobre pedaços de papel marcados pelas testemunhas, a fim de se prestarem às verificações científicas. O fenômeno começou a manifestar-se em 13 de Agosto de 1856, e Guldenstubbé, no seu prefácio, se refere a ele nos seguintes termos: “é mais logicamente concludente que todos os raciocínios”.

Esses fenômenos, diz ele, estão agora firmados sobre a base sólida dos fatos, permitindo que de ora em diante consideremos a imortalidade da alma como um fato científico, e o Espiritismo como uma ponte lançada entre este mundo e o Invisível.

“Sabeis, senhores, diz ele em seu prefácio, que toda a minha vida tem sido consagrada ao estudo do sobrenatural (8) e das suas relações com a Natureza visível e material. Escolhi para único fim e objeto da minha vida a irrevogável demonstração da imortalidade da alma, da intervenção direta dos Espíritos, da revelação e do milagre pelo método experimental”.

(8) O Barão emprega repetidamente o termo sobrenatural nos pontos em que os espíritas usam da expressão super-humano. Não temos ainda a certeza de estarem todos os chamados fenômenos espíritas contidos nos limites da esfera natural.

Os fenômenos da inspiração, do transe, da invisível atração mediúnica, dos misteriosos golpezinhos, e o movimento dos objetos inertes e inanimados, vieram em meu auxílio, incitando-me a perseverar nas árduas e áridas investigações; mas, todas essas manifestações estavam longe de serem conclusivas, podendo, no máximo, revelar-nos a existência de forças e de leis ainda desconhecidas. Somente a escritura direta nos revela a realidade de um mundo invisível, donde emanam as revelações religiosas e os milagres... A esperança renasce portanto, agora, no coração da Humanidade, ficando plenamente firmadas suas ideias religiosas a respeito da imortalidade da alma, base de todas as verdades...

Deixai que vos faça lembrar que, relativamente a todas as grandes verdades, quanta mais sublimes e profundas são, maiores obstáculos têm a vencer e maior é a repulsa que muitos lhes votam. É somente depois do embate das discussões, sustentadas pelas pessoas sinceras que têm podido verificar o maravilhoso fenômeno da correspondência direta dos Espíritos, que as inteligências humanas, progressivas por natureza, será finalmente forçada a admiti-lo como uma verdade...

Permiti que, sem receio, eu diga ainda mais alguma coisa. Podemos não estar mais aqui para observar o advento do venturoso dia, cuja aurora desponta para nós em longínquo horizonte, e do qual, gênios ilustres, como Swedenborg, Bengel, Jung-Stilling e a Conde José de Maistre tiveram o pressentimento e saudaram com o nome de Terceira Revelação, segundo o profeta Joel (capítulo 2, vers. 28, 29): "Depois disso derramarei meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos terão sonhos, vossos mancebos terão visões; e nesses dias também derramarei o meu espírito sobre os servos e servas."

Nossos obscuros nomes poderão ficar perdidos sob os cascalhos e as ruínas continuamente amontoados pelas idades, mas levaremos conosco, para a outra e melhor fase da nossa existência, a doce consolação de havermos trilhado o caminho que conduz a Deus, porque, o que representamos, é de essência eterna.

Entre as testemunhas oculares da escrita independente e outros fenômenos obtidos por intermédio de Guldenstubbé, além das três supracitadas, estavam o Senhor Delamarre, editor de “La Patrie”; o Senhor Choisselat, editor de “L'Univers”; Robert Dale Owen, ministro dos Estados Unidos; o Senhor Lacordaire, irmão do grande pregador; o Senhor de Bonnechose, conhecido historiador; o Senhor Kiorboë, notável pintor sueco e ministro em Paris; o Barão Von Rosenberg, embaixador alemão na Corte de Wurtemberg; o Príncipe Léonide Galitzin, e dois outros representantes da nobreza de Moscou; o Doutor Bowron, de Paris; o Coronel Kollmann, de Paris; e meu amigo, Reverendo William Mountford, de Boston, cuja comunicação, a mim dirigida sobre o Barão, fiz publicar no “London Spiritualist”, de 21 de Dezembro de 1877.

Em 4 de Outubro de 1856, a poesia “Que é do teu ferrão, ó Morte? Onde está, ó tumba, a tua vitória?” foi escrita em grego por um poder invisível, na presença do Conde d'Ourches, Doutor Georgii e Barão Guldenstubbé. E impossível ler-se essa obra de Guldenstubbé sem se sentir a impressão da sua intensa sinceridade, como da sua inteligência e loquacidade como escritor.

"Aqui está um livro, diz ele, que encerra os primeiros elementos positivos da grande ciência da comunicação direta com o mundo sobrenatural, a única base de todas as religiões históricas, desde a majestosa lei de Jeová gravada (segundo acreditou Moisés) pelo dedo do próprio Deus sobre duas taboas, até as palavras cheias de unção divina do santo mártir do Calvário; desde o Veda dos hindus até o Zend-Avesta de Zoroastro, desde as misteriosas cerimônias do Egito até os oráculos da Grécia e de Roma."

Guldenstubbé enganou-se supondo ser ele o primeiro que, nos tempos modernos, tinha obtido a escrita direta. Ela veio com os primitivos fenômenos americanos, em 1848, e era muito comum entre as manifestações produzidas na residência do Rev. Doutor Phelps, em Stratford, Conn., em 1850-51, como ele me narrou em uma carta que então publiquei no “Boston Transcript”; também se apresentou nos casos inumeráveis ocorridas em Hydesville, Rochester, Buffalo e Auburn, nos Estados Unidos, antes dos fenômenos que tiveram lugar em Paris.

Guldenstubbé diz ainda:

“Uma maravilhosa descoberta foi feita pelo autor em Paris, no dia 13 de Agosto de 1856, quando suas experiências obtiveram o primeiro êxito, com a escrita direta dos Espíritos sem intermediário algum, isto é, sem o auxílio de nenhum médium ou objeto inanimado. (Ele afirma que não é médium.)

Esse fenômeno maravilhoso vem confirmar o que disse Moisés (Êxodo, 31:18; 32:15, 16; 24:12; Deut., 4:13; 5:22; 9:10; 10:1-5) sobre a revelação do Decálogo; e o que conta Daniel acerca da escrita maravilhosa que se mostrou na parede durante o festim do rei Baltasar (Daniel, 5:5, etc.)”.

A descoberta da escrita diretamente sobrenatural (?) é mais preciosa, porque poderá ser provada por experiências repetidas pelo autor na presença dos incrédulos, os quais podem mesmo fornecer o papel, a fim de afastar a absurda objeção que o materialismo céptico tem apresentado quanto à probabilidade de o papel empregado ter sido quimicamente preparado. E precisamente na aplicação do método experimental aos fenômenos diretos sobrenaturais (?) ou milagres, que reside à originalidade e a força dessa descoberta, sem precedente nos anais da Humanidade, pois que não tem a pretensão de ser admitida como uma revivência dos milagres. Para provar a sua realidade, torna-se preciso nos contentar com o testemunho dos que os têm observado.

Hoje, quando todas as ciências procedem pelo método experimental, os resultados da observação mais perfeitamente verificados e os mais fortes testemunhos se mostram impotentes, tratando-se desse fenômeno extraordinário, que não pode ser explicado pelas leis físicas conhecidas. O homem, transviado pelas experiências palpáveis dos físicos, não dá mais crédito ao testemunho histórico, principalmente quando se refere aos misteriosos fenômenos reveladores da existência de potências invisíveis e superiores as forças e às leis da matéria inerte.

Hoje, tanto no que se refere a moral coma às ciências exatas, todos querem fatos, e nós os damos em abundância.

Mais de quinhentas experiências foram feitas, desde o memorável dia 13 de Agosto de 1856, pelo autor e seus dois amigos, Conde d'Ourches e o General Barão de Bréwern. Mais de cinquenta pessoas, que forneceram a papel, puderam verificar o espantoso fenômeno da escrita direta por Inteligências invisíveis.

A maioria das nossas experiências ocorreu no Louvre, na catedral de São Denis, em diferentes igrejas e cemitérios de Paris, bem como na própria residência do autor, rua do Chemin de Versailles, 74.

O público letrado bem sabia que as ciências naturais não tinham feito verdadeiro progresso enquanto não interrogaram a Natureza pelo método experimental. O mesmo se dá com o Espiritismo; esta ciência das causas invisíveis só se tornará ciência positiva seguindo o caminho experimental. Cumpre-nos recorrer a este método para suplantar e reduzir ao silêncio a arrogância dos físicos, que presumem poder usurpar o domínio das ciências morais e da mais alta filosofia. Certamente nada pode haver mais absurdo que a posição de juízes competentes, que os físicos desejam assumir nas questões metafísicas e psicológicas."

Guldenstubbé, já o vimos, não se considerava médium, apesar dos fenômenos pneumatográficos e outros se produzirem em sua presença. Talvez seja pelo fato de não se acreditar médium, que ele baseou a sua pretensão de ser urre descobridor. Diz-nos que suas primeiras experiências para obter a escrita direta eram precedidas de interessantes preces, julgando-as um elemento próprio para provar-lhe à imortalidade da alma. Depositou alguns pedaços de papel e um lápis aguçado em uma caixinha, que fechou, guardando sempre consigo a chave. 

A ninguém havia confiado a sua intenção. Em vão esperou durante doze dias. Nem o menor traço de lápis apareceu no papel.

Qual não foi, porém, o seu espanto, quando, no memorável dia acima mencionado, descobriu certos caracteres misteriosos traçados no papel!

Por dez vezes, durante esse dia, com intervalos de hora e meia, conseguiu o mesmo resultado, substituindo de cada vez o papel.

Em 14 de Agosto de 1856 obteve o mesmo fenômeno por vinte vezes, conservando a caixinha aberta e sem afastá-la da sua vista. Foi então que notou estarem os caracteres e as palavras, na linguagem Estônia, formadas ou gravadas no papel sem o emprego do lápis. Desde então, parecendo-lhe supérfluo o lápis, deixou de colocá-lo sobre o papel, limitando-se a pôr um pedaço de papel branco sobre a mesa do seu próprio quarto, ou sobre o pedestal de uma estátua antiga, ou de uma urna, no Louvre, em São Denis e em outras igrejas. O resultado foi idêntico quanto às experiências feitas nos diversos cemitérios de Paris.

Depois de haver a si mesmo provado satisfatoriamente o fenômeno da escrita direta por mais de trinta experiências, comunicou o segredo ao Conde d'Ourches, assaz conhecido investigador. O Conde testemunhou o fenômeno mais de quarenta vezes, no Louvre e nas escadas que cercam os monumentos de Pascal e de Racine no cemitério de Montmartre. Subsequentemente, no mês de Outubro, o Conde, sem a cooperação de Guldenstubbé, obteve muitas escrituras diretas dos Espíritos, entre as quais uma de sua mãe, que havia deixado a vida 20 anos antes.

Sessenta e sete “fac-simples” de escritas obtidas por Guldenstubbé se encontram em seu livro. Quanto à questão: Que meios empregam os Espíritos para escrever: ele nos diz que o fenômeno prova poder o Espírito atuar diretamente sobre a matéria, provavelmente pela sua simples força de vontade. A celeridade com que as escritas são produzidas, frequentemente maior que a do pensamento humano, é uma confirmação dessa teoria, e está de pleno acordo com a minha própria experiência. Sei de uma mensagem com 52 palavras, que foi escrita na lousa em menos de 15 segundos. Geralmente, quando se deseja ouvir o som do lápis que escreve, deve-se empregar este; mas nem sempre se conhece o caso em que ele é aproveitado.

"Na primeira quinzena, desde o dia em que descobri a. escrita direta - escreve Guldenstubbé -, as mesas, sobre as quais os Espíritos escreviam, se moviam por si mesmas, e vinham ao meu encontro em outra sala, depois de atravessarem diversos compartimentos. Esses movimentos eram ora lentos, ora de rapidez pasmosa. Às vezes o autor buscava impedir a marcha das mesas, colocando cadeiras no caminho que tinham de seguir, porém elas faziam o conveniente desvio, e depois continuavam na primitiva direção. Uma vez viu ele uma mesinha redonda, na qual os Espíritos costumavam escrever em sua presença, ser transportada pelo ar, de um ao outro extremo da sala...

Contudo, apesar dos efeitos da influência dos Espíritos livres corresponderem aos efeitos produzidos pelos Espíritos encarnados, devemos confessar que seus meios de ação podem diferir dos nossos, visto não serem embaraçados pela matéria.

É provável que a ação e a influência dos Espíritos ofereçam alguma analogia com os fenômenos da Criação, visto serem eles apenas imagens finitas de Deus, que é Espírito Absoluto por excelência.

Certamente, num estado de existência em que o tempo se abisma na eternidade e o espaço desaparece no Infinito, não se pode fazer questão dos meios capazes de produzirem efeito material qualquer, como a escrita direta, etc. A vontade criadora basta para agir sobre a matéria (meus agitat molem). O Espírito do homem, depois de libertar-se do corpo físico pela morte e repelir os liames da matéria, entra em um estado menos imperfeito.

Neste caso, é racional supor-se que os seus poderes sobre os elementos da Natureza e os seus conhecimentos das leis que a governam, devem estar ampliados.

É, contudo, possível que os Espíritos, que se envolvem frequentemente em uma substância sutil, com um corpo etéreo, segundo todas as sagradas tradições da antiguidade (o que torna explicável a realidade objetiva das aparições), possam concentrar, por sua força de vontade e auxílio de seu corpo sutil, uma corrente de eletricidade sobre um objeto qualquer, tal como um pedaço de papel, e neste gravar letras, justamente como a luz do Sol imprime a imagem dos objetos na chapa fotográfica. Por isso, Moisés, referindo-se às tábuas do Decálogo (Êxodo, 32:15-16), disse: "As tábuas foram escritas de ambos os lados pelo próprio Deus; a escrita foi gravada por Deus." A maior parte dos escritos diretos dos Espíritos, por mim obtidos, parece ter sido feita com lápis; em cerca de trinta, parece que foi empregada uma tinta azul escura."

Sobre a questão de serem as comunicações um reflexo da alma dos médiuns, Guldenstubbé diz:

"A minha própria experiência prova amplamente que o reflexo dos pensamentos em nada influi nos fenômenos. Em primeiro lugar, o Espírito que desejamos, geralmente não se apresenta para escrever; vem em seu lugar um outro no qual não pensamos e cujo nome, às vezes, nem mesmo nos é conhecido. Quanto aos Espíritos simpáticos, eles dificilmente se apresentam nessas experiências. Os Espíritos frequentemente escreviam páginas inteiras, ora com um lápis comum, ora com tinta, quando eu me ocupava de outras coisas. A ideia da ação reflexa contradiz minhas quinhentas experiências, porque, geralmente, eu não evocava um determinado Espírito."

Ele publica os nomes de vinte testemunhas oculares dos fenômenos pneumatógrafos, e diz que poderia dar os de cinqüenta.

“Nenhum raciocínio, diz ele, poderá persuadir-nos da não existência de um fato completamente provado; com certeza, nenhum cristão deve recusar tal prova, ao mesmo tempo moral e material, da imortalidade da alma, como nos fornece a escrita direta espiritual. Os fatos maravilhosos que apresento, são análogos aos fenômenos sobre os quais se basearam todas as tradições sagradas e todas as mitologias das nações (9)”.

(9) Vede, em relação às religiões hebraica e cristã, a obra do Doutor Eugnio Crowell, Primitive Christianity and Modern Spiritualism. As minhas conclusões estão de acordo com as crenças de dezesseis séculos. Foi somente no décimo oitavo e no décimo nono séculos que se começou a professar ideias diametralmente opostas ao Espiritismo... Assevero que assentei os primeiros fundamentos da ciência positiva do Espiritismo em fatos irrefutáveis... Certamente há de chegar o dia em que a Humanidade abandonará com compassivo desdém esses materialistas que se acreditam os únicos conhecedores das leis da Natureza, mas que só conhecem as manifestações materiais.

Infelizmente, a demonofobia dos sacerdotes e dos pastores, de um lado, e do outro o materialismo, o cepticismo, o racionalismo e o excessivo estudo das ciências ditas exatas, quase extirparam do coração do homem os germes do sentimento religioso. Há verdadeiramente, porém, um fenômeno direto, ao mesmo tempo inteligente e material, independente da vontade e da imaginação, como a escrita direta dos Espíritos, vindos sem serem evocadas, que pode fornecer-nos umas provas irrecusáveis da existência de um mundo supersensorial."

Com grande cópia de erudição, Guïdenstubbé demonstrou que quase todos os grandes filósofos dos antigos tempos foram espíritas.

"O próprio Aristóteles nos diz que os seres invisíveis são tão reais como os visíveis, e têm corpos sutis e etéreos. E também um fato, reconhecida pelos mais adiantados literatos modernos, que as maiores mentalidades da Grécia admitiam a realidade objetiva das aparições e dos fantasmas, acreditando, além disso, que os Espíritos e os seres sobrenaturais se comunicavam com os mortais. O próximo triunfo do Espiritismo deveria encher de alegria os corações de todas as pessoas religiosas; dar-se-á isso? Ao contrário, os nossos cristãos manifestamente ortodoxos, cegos pela sua demonofobia, lamentam essa derrota prevista do materialismo, o imortal inimigo de todas as religiões."

Traduzi livremente do livro de Guldenstubbé, porque o seu testemunho é de um literato, de um filósofo, de um homem de grande integridade e pureza de caráter, que obtinha as provas dos fenômenos psico-físicos sem auxílio de médiuns, ainda que estejamos convencidos de haver sido ele um sensitivo. Temos provas demasiado abundantes de que esses fenômenos não eram subjetivos, limitados à sua íntima observação, e que podiam ser apreciados por qualquer testemunha em perfeito estado de razão e saúde. O seu testemunho, fortificado, como ele se mostra, pelos depoimentos de pessoas conceituadas, é portanto de grande valor, por vir corroborar as provas que temos conseguido obter por outros médiuns, os quais, compelidos pelas necessidades, recebem Pagamento pecuniário pela exibição de sua faculdade supersensorial, e lhe são muito inferiores em moral e cultura mental. Além disso, a sua crença segura no caráter não mediúnico dos fenômenos produzidos em sua presença, exalta-lhes ainda a importância. Se ele era médium, era-o inconscientemente e totalmente desinteressado nos seus esforços em busca da verdade. Parece que não estava sujeito a transes ou a estados em que a sua consciência viva e sã fosse dominada. Não ouvimos dizer que experimentasse as sensações peculiares, os abalos e contorções que acompanham essas manifestações. Ele tem direito à atenção respeitosa de todos os verdadeiros investigadores da verdade e dos homens de Ciência.

O fato de tal homem haver obtido o notável fenômeno da escrita direta, naquelas condições, dando provas concludentes para satisfazer a cinquenta investigadores, deve ter peso razoável; pois, dos seus próprios escritos, ressalta a evidência de que ele foi pensador sincero e iluminado, filósofo e ardente investigador das mais altas verdades que podem interessar o ser humano; e, como ele estava muito acima da necessidade de receber uma indenização pelas suas exibições, ou de buscar nelas alguma vantagem material, podemos considerá-lo como testemunha cujas palavras são isentas de qualquer adulteração.

No último número de seu jornal (1879), J. H. Fichte declara que, apesar da sua abstenção nas controvérsias do dia, sente que é de seu dever dar testemunho do grande fato espírita, e pensa que igual dever tem todo homem que possua idênticas convicções; que o Espiritismo é a ratificação da alma pelas evidências da experimentação psíquica. Fala dos fenômenos de Slade, como tendo sido observados em condições que baniam toda suspeita de impostura e de prestidigitação, e como sendo decisivos para a causa do Espiritismo. Diz que não se pode voltar atrás no terreno conquistado, e que a vitória do grande fato está completamente assegurada (10).

(10) Em sua obra Réalité des Esprits, Guldenstubbé ataca as ideias filosóficas até então sustentadas por Fichte. O fato de pelas provas fornecidas por aquele, este se haver convertidos as novas Ideias sobre os fenômenos super-sensoriais, não só abona a sua sinceridade como o caráter dessas provas.

Fichte prevê o grande benefício que há de vir para a causa da moralidade e da Religião, da certeza da imortalidade da alma, e escreve:

"A prova de ser o estado futuro uma continuação do presente, afetado pelas experiências que colhemos na Terra e pelos nossos sentimentos e afeições, gratas ou penosas, leva-nos a cumprir as obrigações morais da vida, abstraindo completamente qualquer consideração sobre as futuras penas e recompensas. É aqui, na vida terrena, que devemos preparar e fixar o nosso destino futuro. Foi isso certamente uma revelação para a Humanidade que já se havia, de há muito, acostumado a afastar os seus cuidados pelo futuro, como assunto de pouco interesse para ela. "

Foram estas as eloquentes palavras do venerável sábio alemão, quando prestes a deixar o presente estádio da vida; palavras que não podiam ser infrutíferas, influenciando o desenvolvimento da futura crença. O falecido Serjeant E. W. Cox, respeitado legista e juiz em Londres (1809-1879), presidente da Sociedade Psicológica Britânica, mas que só muito pouco antes da sua morte repentina se tornou espírita consumado, obteve provas satisfatórias da escritura independente, por intermédio de Henry Slade, e escreveu, em 8 de Agosto de 1876, o seguinte:

"Só posso dizer que me achava em plena posse dos meus sentidos; que estava perfeitamente acordado; que nos iluminava a luz meridiana; e que, durante todo o tempo, observei o Doutor Slade, que não poderia mover as mãos ou os pés sem ser notado por mim. "

O Doutor H. B. Storer, de Boston, Mass., escreveu, em Outubro de 1877, numa carta publicada, que as suas experiências com Watkins estavam em perfeita concordância com o caráter fenomenal e espiritual das manifestações obtidas e descritas por mim.

O Doutor A. S. Hayward, de Boston, escreveu em 31 de Outubro de 1877:

“Na reunião campal de Lake Pleasant, apresente: o Senhor Watkins ao Doutor Cottrell de Kansas. O apresentado perguntou, ao Doutor Cottrell, se ele era espírita, e este lhe respondeu que era um investigador. Foi então assistir à experiência do Senhor Watkins, e a sessão tiveram um resultado altamente satisfatório”.

Duas lousas foram justapostas com um pedacinho de lápis entre elas, e o Doutor Cottrell segurou-as com firmeza. Ouviu-se logo o ruído do lápis, e, quando separamos as lousas, estava escrita numa delas a seguinte mensagem: "Meu caro marido, podes tentar enganar o médium, mas não a tua mulher. És um bom espírita."

O Doutor Cottrell era realmente um dos mais antigos espíritas do país, e a sua resposta, dada antes ao médium, só tivera por fim deixá-lo na ignorância de fatos que pudessem influir em alguma comunicação que fosse recebida. 

O Senhor José Beals, de Greenfield, Mass, atesta o seguinte:

"No ano passado (1877) adquiri duas lousas, limpei-as bem, pus entre elas um pedacinho de lápis, prendi por parafusos os caixilhos, um ao outro, de um e outro lado, e fiz que elas ficassem bem ligadas. Isso foi feito em meu escritório. Daí, levei-as ao Hotel Americano, e assentamo-nos à mesa, em lugares opostos. As lousas foram colocadas no centro, segurando ele um dos extremos e eu o outro. O ruído da escrita foi logo ouvido. Quando as desparafusamos, aí achamos escritos três nomes, o de meu pai, o de meu irmão e o da Senhora A. W. Slade, e as palavras: "Estamos todos aqui."

O Senhor John Wetherbee, de Boston, meu amigo e vizinho, tomou duas lousas novas e, antes de deixar a loja onde as havia comprado, furou os caixilhos, pôs entre elas um pedacinho de lápis, ligou-as firmemente com um cordão e lacrou os nós deste. A sala estava tão iluminada quanto o podia ser pelo Sol da tarde. As lousas estavam limpas, e o médium nunca as havia tocado nem visto. Nessas condições, contudo, o Senhor Wetherbee obteve uma mensagem importante, com o nome de um seu parente já falecido. Na notícia que em 1877 publicou do fato, diz ele:

"Sei, primeiro, que as lousas eram novas e estavam bem limpas; segundo, que ninguém, na sala ou fora dela (só estavam aí presentes, eu e o médium), escreveu a comunicação na lousa; terceiro, que ela foi feita por um ou mais seres invisíveis e inteligentes, sem ser possível conceber-se que o tenha sido por outro meio. Afirmo isso com tanta certeza que juraria, se preciso fosse."

O Senhor Wetherbee repete tudo isso (5 de Junho de 1880) e escreve:

Sei que minha alma estava vigilante e que nenhum ser visível pôde produzir o que apareceu escrito entre as duas lousas, seguras por mim.

O Senhor José Beals, cujo testemunho pessoal citei, conta que o Senhor T. T. Timayenis, grego por nascimento, mestre da língua grega no Instituto de Springfield, Massachusetts, disse-lhe que tinha obtido por intermédio de Watkins, em caracteres originais da língua rumaica, o nome de seu avô e três linhas de palavras gregas corretamente escritas, com os acentos e a pontuação corretamente colocados. Ele afirmou também que o nome de seu avô era muito especial e quase impronunciável por lábios ingleses. A lousa se conservara à vista durante todo o tempo e Watkins só em uma das suas pontas lhe tocava com os dedos.

Desejoso de confirmar isso, pedi à minha amiga e correspondente, a Senhora Luísa Andrews, de Springfield, Mass., que procurasse o Senhor Timayenis (1878), e indagasse do fato, o qual foi então explicado claramente. Ele não é espírita, mas declara que não acha explicação alguma para tal fenômeno. Ninguém que tenha lido as cartas, umas tanto incorretas, escritas pelo Senhor Watkins, das quais possuo muitas, deixará de repelir a ideia de haver ele se habilitado no conhecimento do grego, para dar uma sessão acidental e inteiramente inesperada ao Senhor Timayenis. Julgando a experiência segundo os princípios da ciência humana, a mensagem grega, recebida. em tais condições, deve ter sido escrita por uma Inteligência de potência estranha e acima do organismo físico do médium. O testemunho do meu irmão, James Otis Sargent, pode ser encontrado no volume intitulado “Psychography”, publicado em Londres, no ano de 1878. A sessão teve lugar em 19 de Setembro de 1877. A testemunha diz:

"As lousas tinham sido limpadas de novo, o pedacinho de lápis foi colocado entre elas, e eu as segurei com o braço estendido, sem o Senhor Watkins tocá-las ou em mim. Abrindo-as, aí encontramos uma comunicação, assinada com um nome diverso daqueles que eu escrevera. Aí terminou a sessão que se havia efetuado em plena luz do dia. Eu não tinha deixado escapar um só movimento do médium, e toda fraude era impossível."

Nessa ocasião, Watkins leu os nomes que se achavam em cinco pedaços de papel enrolados, tendo a escritura e o enrolamento sido feitos na sua ausência.

Apareceu no “Banner of Light”, de 19 de Junho de 1880, uma comunicação de pessoa conhecida do editor, cujo resumo é o seguinte:

A. B. , que antes não estivera em Boston, e nunca houvera visto Watkins, nem este a ele, veio à residência do médium, em Lovering Place, n° 2, em Boston, certa manhã de Junho, e pediu uma sessão. Watkins retirou-se da sala, e A. B , escreveu seis perguntas em pedacinhos de papel, pertencentes a ele; enrolouos o mais apertado que pôde e colocou-os sobre a mesa. Entre esses rolinhos, pôs um com a pergunta feita por uma amiga ausente, e ele desconhecia tanto a pergunta como a resposta que podia vir. Apenas havia marcado esse rolinho.

Watkins chegou, e não tocou em tais rolinhos uma só vez; disse ao Senhor A. B. que os misturasse, e depois, lentamente, foi apontando para cada um deles. Ao tocar no quarto, que era o marcado, Watkins disse-lhe que o tomasse, e A. B. encerrou-o na sua mão, de modo que o médium não pudesse vê-lo. Watkins passeou pela sala, mostrando-se muito vermelho e excitado, e afinal bradou:

- Almofadinha.

A. B. tomou nota disso; e, depois de alguma pausa, Watkins, olhando espantado e confuso, disse

- Falam de uma Catarina.

Era o nome da amiga de A. B., que tinha escrito a pergunta. Seguiu-se uma longa pausa, depois da qual, com uma expressão de finura e contentamento, Watkins exclamou:

- Sim, lembro-me agora, foi um objeto que fiz para vós. - Aí parou, parecendo querer apanhar a impressão que lhe davam, e afinal disse: - É uma coisa que se usa ao redor do pescoço; não sei que nome lhe dais, um laço ou coisa semelhante.

A. B. não quis abrir o rolinho de papel, declarando não poder dizer então se a resposta era ou não correta, porém que ia saber. Quando encontrou sua amiga, viu que a pergunta era:

“Onde está a almofadinha que me enviastes para Otter River, e quem vos incumbiu disso?” A resposta à segunda parte da pergunta era a que o médium tinha dado: laço para o pescoço ou colar.

Os pontos importantes dessa experiência são os seguintes: O rolinho, não tocado pelo médium, continha uma pergunta dirigida por uma amiga ausente de A. B. a um seu amigo falecido, e tanto a pergunta como a resposta não eram conhecidas de A. B. Deixamos de parte como estranha ao nosso presente inquérito a notável clarividência manifestada por Watkins na leitura da inscrição do papelzinho, apertadamente enrolado (o qual não fora escrito em sua presença), de modo a poder ver a palavra “almofadinha”, que aí se achava. Por que poder concebível, porém, conseguira ele obter a segunda parte da resposta, quando a palavra não estava escrita no rolinho nem fixada na mente de A. B. , que não era a pessoa a quem se dirigia à pergunta de sua amiga?

Aí está o enigma. Se tratasse de uma leitura do pensamento, era preciso que a faculdade transcendente de Watkins faça uma viagem de milhas para ir ter com Catarina, que tinha escrito a pergunta, e ler-lhe na alma a palavra laço ou qualquer coisa que se enrola ao pescoço. Essa é uma das soluções do mistério. A outra solução é que a pessoa falecida, a quem a pergunta foi feita, não pôde, em sua capacidade espiritual, imprimir na faculdade espiritual correspondente de Watkins a palavra precisa, até que a sua consciência normal conseguiu apanhá-la e sugerir a sua pronunciação. Qual das duas soluções é a mais aceitável? Serão ambas incapazes de resolver a questão?

Entretanto, em Lake Pleasant, Massachusetts, no dia 25 de Agosto de 1877, Watkins submeteu a sua mediunidade a exame severo em um teatro público. Duas novas lousas foram compradas pelo Senhor José Beals. Uma comissão de três membros, sendo dois deles descrentes, foi escolhida pelo auditório a fim de examinar. Eram Eben Ripley, Daniel D. Wiley e F. L. Sargent. Esses cavalheiros, depois de examinar com todo o cuidado as lousas trazidas pelo Senhor Beals, colocaram um pedacinho de lápis entre elas, e seguraram-nas por uma das extremidades, enquanto Watkins o fazia pela outra. Estava-se iluminado pela plena luz do dia. Logo se ouviu o ranger do lápis, e, levantando a lousa superior, a comissão achou uma mensagem de quarenta e sete palavra escritas na face inferior. Eles declararam que não viam possibilidade de fraude, pois era impossível que as lousas houvessem sido substituídas ou escritas por algum processo químico. A pedido do Senhor Beals, todos escreveram seus nomes na lousa, que ele tinha ainda consigo, em 1879. A mensagem dizia o seguinte: “Meus caros amigos. Assumindo o caráter próprio da nossa morada espiritual, ainda encontramos bem profunda a nossa antiga afeição pelos nossos amigos, pai, mãe, irmão ou irmã. Que Deus e o anjo do mundo vos abençoem a todos, é o voto da manifestante, Senhora A. W. Slade.”

O Senhor Giles B. Stebbins, de Detroit, homem conceituado, vigilante e judicioso em suas investigações, obteve notável comunicação pela escritura independente, em Chicago, no mês de Dezembro de 1878, servindo como médium a Senhora Simpson, francesa de Nova Orleães, que conhecia imperfeitamente a língua inglesa. Ela somente se havia encontrado com o Senhor Stebbins, na noite anterior, sem conhecer nada a seu respeito e da sua família; e, apesar disso, recebeu a seguinte mensagem, assinada com o nome do seu falecido tio, Calvino Stebbins, de Wilbraham, Massachusetts: “Não encontrei ainda o inferno nem os limbos das crianças, de que se fala aí. Aqui em cima só encontro o bom-senso e a justiça. Cada homem prepara o seu próprio destino. Deus não destina uns ao Céu e outros ao inferno. Ah! Giles, a ponte está lançada sobre o abismo, e nós diariamente lhe fortalecemos os arcos.”

Tudo isso estava muito acima da capacidade da médium, e era tão característico que foi impossível ao Senhor Stebbins acreditar pudesse vir da sua alma, privada de assistência estranha. Obteve o ditado quando segurava a lousa por baixo da mesa, e a médium tocava apenas na parte que aparecia fora, de modo que sua mão estava sempre visível.

O único meio de iludir o testemunho esmagador dado ao grande fato da pneumatografia é negá-lo absolutamente, e sustentar, como alguns cientistas de outros ramos do saber, que nenhuma soma de testemunhos humanos poderão fazer admitir uma ocorrência tão extraordinária. É essa a posição assumida pelos Srs. Carpenter, Lankester, Beard, Hammond, Youmans e outros intitulados homens de ciência. Desprezando o fato como impossível por sua natureza, eles o classificam como assunto que não merece investigação, mas somente rejeição desdenhosa de todos os homens da Ciência.

“Não somos obrigados a examinar fatos tão diametralmente opostos às nossas noções do possível em a Natureza”, é o argumento pelo qual buscam desacreditar os fenômenos atestados, em vez de se darem ao incômodo de entrar no estudo paciente e prático da sua realidade. “O testemunho humano, em tais casos, não tem valor algum”, diz o Doutor George M. Beard. Em casos tais não devemos crer em nossos sentidos, diz o Doutor W, B. Carpenter.

Não é escrupuloso homem de ciência aquele que zomba de um fenômeno tão perfeitamente atestado; poderá ser um cientista experiente em um ou dois ramos dos conhecimentos humanos, mas deve reconhecer que isso não lhe dá o direito de decidir ditatorialmente sobre fatos de que tenha pouca ou nenhuma experiência, e que, talvez, seus preconceitos não lhe permitam examinar. Pelo motivo de poder o falso achar-se misturado com o verdadeiro, o absurdo com o genuíno, o mau com o bom, não pode um filósofo repelir como sem valor um fato com o qual não simpatize. Abandonar à credulidade esses fenômenos espíritas, diz Vítor Hugo, é cometer um atentado contra a razão humana. Apesar disso, nós os vemos sempre repelidos e sempre ressurgidos. O seu advento não data de ontem.

Com relação ao fenômeno da escrita independente, podíamos acumular testemunhos capazes de encherem volumes tão numerosos como os da Enciclopédia Britânica; mas com esse amontoado de testemunhos, por mais conclusivos que sejam, não conseguiríamos arredar da sua posição aqueles que não encontram razão no que aduzimos para, ao menos, considerarem esse assunto digno de ser estudado antes de ser condenado.

No pequena volume, publicado em Londres no ano de 1878, por M. A. Oxon, com o título “Psychography”, e posto à venda em Boston e Chicago, o investigador sincero encontrará um excelente sumário de fatos evidentes demonstrando esse fenômeno. Não é menos valioso o fato de Samuel Bellachini, o mágico da Corte em Berlim, dado sob a forma de depoimento judicial perante o notário público Gustavo Haagen, em 6 de Dezembro de 1877, e registrado sob o número 482. Nesse documento, Bellachini declara que os fenômenos ocorridos em presença de Slade foram por ele cuidadosamente verificados, com a maior atenção, assim como os objetos vizinhos, inclusive a mesa, e acrescenta: “Nada descobri aí que pudesse ser produzido pela prestidigitação ou por algum aparelho mecânico, e é absolutamente impossível resolver com a prestidigitação as experiências ali feitas, nas condições e circunstâncias em que se efetuaram.”

Mas, se existe um homem que possa ser chamado “experto” no trabalho de descobrir a fraude em uma experiência feita à plena luz do dia, como a da escrita direta, independente de qualquer fraude ou artifício humano, não pode ser senão esse experimentado prestímano. E difícil crer que um especialista em qualquer das ciências exatas esteja mais bem habilitado para julgar da veracidade desse fenômeno, mais que qualquer outro homem de bom-senso, vigilante e calmo, em plena posse de todas as suas faculdades. É certo que um químico poderia descobrir qualquer preparação química que fosse empregada na lousa, mas a possibilidade de tal embuste fica destruída, quando nos servimos (como eu o fiz repetidamente) de lousas nossas, ligadas umas às outras, antes de o médium poder tocar nas faces interiores, e nunca afastadas das testemunhas oculares.

Antes de se ter observado, dificilmente se pode aceitar o resultado da manifestação como prova de ser a escrita direta produzida por alguma potência psíquica ou espiritual, independente de todo o organismo visível e exercendo uma força inteligente. Que falta para se poder tirar essa conclusão?

Podemos afirmar ou que existe uma força desconhecida, emitida pelo organismo humano e praticando atos inteligentes independentemente da consciência normal, ou então que é real a hipótese da ação espiritual independente.

O Doutor George Wyld, de Londres, em sua obra “Theosophy and the Higher Life” (Trübner & Cia., 1880), observa:

"Não há fenômeno espírita que mais poderosamente me tenha impressionado que o da escrita direta na lousa. Slade e suas escritas na lousa foram para mim objeto de absorvente interesse. Tudo se passou publicamente c foi exposto â luz. A certeza de ser a escrita produzida por uma Inteligência espiritual, sem intervenção de mãos humanas, foi esmagadora, e, diante dela, o materialismo de três mil anos foi refutado em cinco minutos. Quando, por esse motivo, a ignorância brutal e intolerante prendeu Slade e o levou ao tribunal correcional, senti-me disposto a afrontar todos os perigos e a assumir responsabilidade de sua defesa."

O Doutor Wyld é de opinião que a força psíquica, que produz o fenômeno, pode ser exercida por um ser humano encarnado, mas que, com muito mais facilidade e frequência, o pode ser pelas almas dos seres humanos falecidos. Ele não repele a teoria de poder muitas vezes o Espírito inconsciente do médium produzir a escrita direta; mas, com respeito a esta questão, diz finalmente: “Propendo muito mais para a teoria que ensina ser a maioria dos fenômenos mediúnicos produzida por Espíritos estranhos. “ Essa é geralmente a conclusão a que chegaram aqueles que têm maior experiência do estudo e verificação do fenômeno.

É um sinal do progresso das inteligências, nos tempos que correm, o fato de poder o Doutor Wyld, em 1880, dizer, falando dessas impopulares investigações: “Por um amigo que me deixou, ganhei vinte outros amigos melhores, e até, com isso, a minha prosperidade terrena aumentou muito. “

SARGENT, Epes. As bases: A clarividência e a escrita direta. In: Bases Científicas do Espiritismo, cap. 1

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