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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Alquimia da Mente, Hermínio Correia de Miranda, Capítulo IV - Cérebro e Mente - Os "Exageros" do Cérebro

ALQUIMIA DA MENTE

CAPÍTULO IV - CÉREBRO E MENTE

OS “EXAGEROS” DO CÉREBRO

Duas ideias temos ainda de explorar um pouco mais em relação ao cérebro a fim de contar com elementos informativos que nos habilitem a uma avaliação mais correta da interação consciente/inconsciente ou personalidade/individualidade: uma delas é a de que, diante de mecanismo tão complexo, a ciência considere o cérebro como uma espécie de exagero da natureza – o que, aliás, não é a minha ignara opinião; a outra ideia é a de que não estamos simplesmente ligados à consciência cósmica, somos parte integrante e inalienável dela.

Em A Memória e o Tempo, mencionei um estudo, na revista francesa Science et Vie, de 1980, no qual a dra. Jacqueline Renaud considerava o cérebro, especialmente a área pré-frontal, como "capaz de todas as aprendizagens". E exclamava com incomum entusiasmo em cientistas: "É o luxo supremo da humanidade!".

Vejo, num dos numerosos achados que Anthony Smith incluiu no seu tratado sobre a mente, uma observação de Alfred Russel Wallace ao caracterizar o cérebro como instrumento que teria sido desenvolvido com capacidade "muito acima das necessidades do seu possuidor". Em outra citação, na entrada do primeiro capítulo de seu livro, Smith nos transmite o pensamento de Arthur Koestler, segundo o qual o cérebro constituiria o único exemplo no qual o processo evolutivo teria produzido um "órgão que não sabe como utilizar". E repete a expressão da dra. Renaud, considerando o cérebro "um luxo" que vamos levar "milhares de anos para aprender a usar, se é que o aprenderemos". Pouco adiante, no capítulo terceiro, a perplexa observação é de dois cientistas do cérebro - Stephen W. Kuffler e John G. Nicholls, in Frorn Neuron to Brain, 1976, apud Smith - que manifestam honestamente certa desconfiança de que não se esteja entendendo bem as coisas que dizem respeito ao cérebro, de vez que se afiguram incompatíveis suas "extraordinárias propriedades" com o que se poderia esperar da "montagem de suas peças". Essa visão materialista da questão faz lembrar perplexidade semelhante de seres primitivos perante as primeiras "máquinas falantes". Como é que um objeto daqueles podia falar se era apenas um conjunto de peças articuladas umas às outras? Não estaria faltando aqui uma visão alquímica da mente?

Felizmente, encontramos no capítulo 4, sobre a anatomia cerebral, uma observação de Robert Boyle, a admitir, modestamente, ser "altamente desonroso" para a alma viver numa casa como o corpo, que nem conhece direito. Uma boa e sensata advertência, esta, que poderá induzir-nos a uma atitude mais humilde de busca e aprendizado em relação ao que ainda não estamos entendendo, em vez de achar que a natureza tenha cometido algum erro em criar um instrumento de trabalho muito acima de nossas necessidades e até da capacidade de operação.

Às vezes é o humorista, em lugar do poeta, que ilumina certas coisas para a gente. Swift, por exemplo, apud Smith, que escreveu esta pérola: "O homem não é animal razoável, mas apenas dotado de razão." Nesta competição para entender o ininteligível, também os artistas entram com sua contribuição. Louis Armstrong, o gênio do jazz que, talvez desanimado de explicar a alguém o que para ele era óbvio por si mesmo - isto é, o jazz -, saiu-se com este primoroso e inteligente comentário: "A não ser que você saiba o que é isso, nunca terei condições de explicá-lo pra você." É verdade. Como tentar explicar um fator espiritual no ser humano, se o interlocutor não tem a menor ideia do que seja a realidade espiritual?

Dessa amostragem, podemos depreender certa unanimidade - a de que o cérebro é um prodigioso e ainda enigmático mecanismo -, bem como duas posturas críticas extremadas - a primeira, colorida de preconceitos materialistas, que considera desperdício criar-se um instrumento tão fantástico com tamanha capacidade ociosa; e a outra, mais humilde, perplexa diante da maravilhosa máquina processadora do pensamento, mas disposta a aprender com ela o que ela tem a dizer de si mesma. Ficamos com esta última corrente, a única que oferece espaço para a criatividade do aprendizado.

Mesmo a avaliação, às vezes controvertida, mas sempre brilhante de Lyall Watson, parece indiferente aos aspectos extra-materiais das funções cerebrais. Encontramo-lo atento às estruturas e aos mecanismos biológicos do cérebro e aos mensageiros bioquímicos dos comandos mentais, mas como se todo esse prodigioso computador estivesse programado exclusivamente para levar a bom termo as tarefas necessárias à sobrevivência física do ser. Com o que se evidencia para ele o excesso de capacidade instalada no cérebro, óbvio "exagero evolutivo". Partindo do conceito de Szent-Gyorgyi, bioquímico húngaro, segundo o qual a biologia "é a ciência do improvável", Watson pensa que nada é tão dramático, entre as diversas improbabilidades biológicas, quanto a exagerada capacidade cerebral, que ele considera muito acima de nossas necessidades, como também entendia Arthur Koestler, para o qual o processo evolutivo "deu um tiro muito além da marca" ao criar o cérebro.

Lembra o autor, neste ponto, inexplicáveis faculdades demonstradas por A. C. Aitken, professor de matemática na Universidade de Edimburgo. Solicitado a transformar a fração 4/47 em uma decimal, respondeu, em vinte e quatro segundos, com vinte e seis dígitos, a começar de .085. Deu uma parada para pensar, e acrescentou outros vinte dígitos, informando, a seguir, que, ao cabo desses quarenta e seis dígitos, a periódica se repetia, a começar novamente com o .085 inicial!

Mais do que a demonstração da incompreensível capacidade ociosa do cérebro, Watson se pergunta o porquê de uma faculdade dessas no contexto humano sem qualquer valor na luta pela sobrevivência. Parece que nem passa pela cabeça de Watson que talvez essa faculdade esteja apenas fazendo lembrar, com a sutileza própria da vida, a sobrevivência do espírito, não a do corpo físico, ou seja, ela opera do lado da permanência, do eterno, da individualidade, ao passo que os mecanismos biológicos se ocupam prioritariamente do transitório, no interesse da personalidade.

Com todo o devido e merecido respeito por opiniões como essas, submeto a minha ao tiroteio da discordância, apoiada no que se sabe até agora do cérebro e de suas funções. Considero, no mínimo, prematuro atribuir-se a um erro no processo evolutivo a "exagerada" capacidade instalada do cérebro. Que, pelo menos, nos sirva na cautelosa avaliação desse fato o exemplo de todos os demais instrumentos criados para manifestação da vida na terra - nenhum deles apresenta qualquer erro de projeto ou de execução, como nos asseguram os pesquisadores. Ao contrário, quando qualquer dispositivo biológico entra em desuso, tende a atrofiar-se e, eventualmente, a excluir-se do contexto, como a cauda, que sobrevive no ser humano apenas com algumas pequenas vértebras residuais, no cóccix. E quando a mente precisa de algum dispositivo que ainda não existe, cuida de criá-lo, nem que para isso consuma alguns milhões de anos. Se a estrutura cerebral fosse excessiva e, portanto, ociosa e desnecessária, ela própria estaria condenada a minguar e não a expandir-se em ritmo que nenhum outro dispositivo biológico consegue imitar. Penso, ainda, que o mínimo que se tem aqui a fazer é adotar uma atitude de expectativa, enquanto não se sabe - confessadamente, como vimos - o que é, afinal, e como funciona o cérebro, em lugar de partir para a opção de que, se não o entendemos, é porque ele constitui um erro da natureza. Não seremos nós os errados, que continuamos a explorar abordagens improdutivas ao enigma? Na realidade, o que me parece é que estamos avaliando o cérebro como um todo apenas pela utilização que lhe dá a personalidade, esta sim, interessada nos mecanismos de sobrevivência física. Continuamos a ignorar como a individualidade opera a parte que lhe toca e que "espaço" ocupa no edifício cerebral. Se a hipótese das vidas sucessivas é uma realidade - e não dá mais para ignorá-la -, os arquivos das vivências passadas também precisam de instalações compatíveis no sistema biológico, dado que todo o conhecimento adquirido ao longo dos milênios tem que estar envolvido no processo de tomada de decisão resultante da interação mente/corpo, personalidade/individualidade, consciente/inconsciente, transitório/permanente. As extraordinárias amplitudes do inconsciente, em confronto com as exíguas "dimensões" e capacidades conscientes, estão a indicar, por si mesmas, a razão da constante expansão cerebral, de vez que a cada existência terrena que se encerra todo o material acumulado passará automaticamente para o inconsciente na existência subseqüente a fim de abrir espaço para as novas experiências. Aí está uma razão a mais, no meu entender, a justificar e até a exigir uma visão alquímica para a mente, que tem demonstrado sobejamente ser maior que os componentes meramente biológicos com os quais opera e que, mesmo assim, o cérebro continua sendo considerado um exagero.

Bem, ficou dito no início deste módulo do livro que tínhamos duas ideias a analisar antes de passar adiante. A primeira diz respeito à capacidade instalada do cérebro, o que acabamos de examinar. A segunda tem a ver com a nossa participação ou integração no ambiente cósmico.

Quando o prof. Rivail (Allan Kardec) perguntou aos seus instrutores se se poderia considerar os espíritos como "formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material" (I, questão número 79), a resposta foi de uma clareza indisputável e de considerável importância. "Evidentemente", disseram. "Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente."

Vamos repetir: individualização do princípio inteligente. E certo que não havia, à época, condições culturais e científicas de desdobrar e ampliar esse aspecto a fim de melhor explicitar-se o fato de que o cosmos é pensamento divino e, portanto, coisa viva, inteligente, consciente, e que, dentro desse contexto de inteligência no qual tudo vive e se movimenta, surgem pequenos núcleos individualizados a que chamamos espíritos ou entidades espirituais. Podemos acrescentar que essas individualidades mergulham no campo mais denso da matéria a fim de pensá-la, no dizer de Bergson, ou intelectualizá-la, como preferiram os instrutores que se colocaram à disposição do prof. Rivail. Ou, ainda, como escreveu Chardin, o psiquismo mergulha na forma, em busca de si mesmo. Por que isso? Como funciona? Com que finalidade? Até quando? São questões que deveremos considerar ainda por um tempo inavaliável, com respeito, dignidade e humildade. Poderíamos sugerir que, uma vez individualizado, o princípio inteligente vai em busca de numerosas outras partículas de psiquismo disseminadas por todo o cosmos a fim de incorporá-las a si mesmo e, com isso, enriquecer-se espiritualmente. Isso estaria compatível com a ideia de que a evolução é um processo de progressiva conscientização, como também compatível com o insight do autor espiritual Emmanuel, segundo o qual a inteligência dorme na pedra, sente na planta, sonha no animal e desperta no ser humano. Há, portanto, no entender desse autor, um psiquismo latente, ainda inconsciente de si mesmo, no âmago da matéria densa. Vimos isto confirmado pelo autor de A Grande Síntese, ao referir-se aos cristais.

Seria impraticável resumir aquilo a que A Grande Síntese conceituou como "a teoria cinética da origem da vida". É preciso recorrer ao livro em si para apreciá-lo, como merece, em todas as suas amplitudes e profundezas. Há, contudo, referências explícitas a um princípio psíquico, inicialmente inconsciente, mesmo na matéria inerte, como vimos. A página 181 dessa obra, encontramos referência ao conceito de "matéria memoriada".

Por sua vez, a matéria também "nasce, vive e morre, para renascer, reviver e tornar a morrer, eternamente, como o homem" (p. 42).

"No princípio, havia o movimento (p. 139) e o movimento se concentrou na matéria; da matéria nasceu a energia, da energia, emergirá o espírito."

"Um germe de psiquismo (p.l 97) já existe, conforme vimos, na complexa estrutura cinética dos motos vorticosos."

Seja como for, a especulação é ociosa e extemporânea, logo inútil, mas é importante saber que somos todos estruturados com a mesma energia de que é feita o cosmos. Por isso diz o Evangelho gnóstico de Tomé que viemos da luz, "lá onde ela nasce de si mesma", ou seja, é incriada. Talvez a tarefa de cada ser inteligente, na sua condição de co-criador, seja a de vir para esta dimensão a fim de recolher tantas partículas de inteligência quanto possíveis de toda essa incalculável quantidade delas que ainda estão adormecidas na matéria, à espera de que alguém venha buscá-las para a glória suprema da consciência. Estavam certos, portanto, os gnósticos que consideravam a vida na carne como exílio, esquecimento, estado de embriaguez semelhante ao da morte. Vivo era o ser redimido, reintegrado não propriamente em Deus, dado que nunca nos desligamos totalmente dele. Por mais estranho que possa isto parecer, o que nos separa de Deus não é o estado de inconsciência que atribuímos a tudo quanto se passa no âmbito da individualidade, e que, no corpo físico, localiza-se no hemisfério direito; ao contrário, é precisamente aquilo a que chamamos de consciência, ou seja, o pólo do ser que se acha restrito à personalidade e, portanto, ao hemisfério esquerdo, que nos limita de tal maneira a visão cósmica que nos põe como que separados de Deus.

Isto porque, mesmo aparentemente separados, dois com Deus, como diziam os gnósticos, continuamos n'Ele e nem poderia ser de outra forma, dado que nada existe senão n'Ele, que Ele tenha criado e sustente com o poder da sua vontade consciente e inteligente. De qualquer ponto de vista em que nos situemos, percebemos a mesma realidade, ou seja, a de que vivemos e nos movemos n'Ele, como tão bem expressou a intuição de Paulo de Tarso.

Em Space, Time and Medicine, o dr. Larry Dossey propõe a hipótese de que o cérebro seja um holograma, partícula do holoverso, ou seja, do holograma cósmico, ou universal, ideia que ele foi colher em uma entrevista concedida por Karl Pribram a Daniel Coleman, na publicação Psychology Today de fevereiro/1979, às páginas 71-84. Como sabe o leitor, por mais diminuta que seja a partícula de um holograma, ela é sempre uma integral réplica do todo. Isto quer dizer que cada um de nós, como "princípio inteligente individualizado", é um microcosmos integrado no macrocosmos, ao mesmo tempo em que preservamos nossa condição de indivíduos. Mais: esse paradoxal conceito revela que somos, ao mesmo tempo, a partícula e o todo.

Aliás, o módulo do livro em que Dossey trata desse aspecto abre com uma citação de David Bohm, segundo o qual "todo o universo" (com todas as suas "partículas", inclusive as que constituem os seres humanos, seus laboratórios, instrumentos de observação, etc.) "tem de ser entendido como um único todo individido". Estudá-lo analiticamente em suas pretensas partes não faz sentido. Portanto, mesmo ao tomarmos a partícula holográfica do ser humano, temos de estar conscientes de que estamos diante do cosmos, do todo, do indivisível. A antiga sabedoria ocultista dizia isso mesmo, ensinando: "o que está em cima está também embaixo". Em outras palavras, disse o Cristo que a vontade de Deus é para ser feita "assim na terra como nos céus", ou seja, por toda parte, dado que o universo é um só pensamento e a lei cósmica uma só, para tudo e todos.

Não faltam, aliás, advertências no sentido de que temos de observar o universo como um todo, em atitude de humildade intelectual - como ensina Saxton Burr -, com a visão interior - os olhos de ver de que falou o Cristo - e sem tentar abstrair os aspectos éticos implícitos em tudo isso. Para todas essas posturas há apoios, cujas origens surpreenderiam a muitos. Alguns exemplos? ..."a natureza revela pouco de seus segredos - escreve Evelyn Underhill, apud Larry Dossey (II, p. 190) - àqueles que somente olham e escutam com o ouvido ou o olho externos". "Sente-se diante do fato" - propõe T. H. Huxley (Dossey, II, p. 225) - "como uma criança e esteja preparado para abrir mão de qualquer noção preconcebida; siga humildemente para qualquer abismo a que a natureza o conduzir, ou você não aprenderá coisa alguma." Já David Bohm (Dossey, II, p. 206) observa que "a ciência tem-se deixado influenciar pela postura de que se deve tentar ignorar o julgamento de valor", o que, no dizer de Bohm, constitui mero preconceito.

Por essas e outras, Larry Dossey desenvolveu em outro livro seu - Reencontro com a Alma - o conceito esboçado em seu livro anterior, segundo o qual a mente é uma realidade "não localizada", incapaz, temporariamente aprisionada nas malhas de tempo e espaço, mas que transcende a ambos. Daí recorrer Dossey a uma citação de Pir Vilayat Khan, logo na abertura do primeiro capítulo do livro. "Nossa grande limitação" - ensina  Khan - "consiste em supor que somos indivíduos." Eu modificaria algo na frase para dizer que isso é verdadeiro para a personalidade que fica a passear de lá para cá nos estreitos limites do que chamamos consciência, desatenta das suas ligações com a consciência cósmica, através da individualidade. Seja como for, a ideia fundamental é válida, no sentido de que, como entidades espirituais acopladas a um corpo físico, não apenas participamos daquela consciência, como somos ela própria, no diminuto fragmento de holograma em que estamos situados.

Exemplo dramático desse auto-enclausuramento nos acanhados limites da personalidade é denunciado por Paul Davies, [apud Dossey, I, p. 37), segundo o qual não tem o menor sentido perguntar (arrogantemente, acho eu) "de que material é feita a alma?" Para o eminente físico e pensador, é o mesmo que se perguntar de que material "é feita a cidadania ou as quartas-feiras".

Quanto à integração da mente humana no cosmos, melhor é ler toda as parte II do livro de Dossey, que começa com citações de Arthur Eddington e James Jeans, o primeiro deles considerando o conceito de "mente universal" compatível com as posturas da ciência contemporânea. Jeans observa que, no âmbito de nossa personalidade, contida em tempo e espaço, nos julgamos "entidades separadas dentro de um quadro multifacetado". Uma vez, porém, ultrapassadas tais limitações, as coisas se parecem com "um único fluxo de vida", o que leva à ideia de que "seríamos todos membros de um só corpo". Ou, como diria Schrõdinger (apud Dossey, I, p. 117), "... o número total das mentes é um". Einstein demonstrou, repetidamente, consciência pessoal de sua participação na totalidade. Dossey recolheu dele, em carta a Max Born, um pensamento revelador. Perguntado, quando seriamente doente, se tinha medo da morte, o formulador da teoria da relatividade respondeu que experimentava "uma sensação de solidariedade com todos os seres vivos" e que, por isso, não se importava em saber "onde o indivíduo começa e onde termina" (Dossey, I, p. 135). Em um papel de H. Bloomfield, Dossey obteve declaração não menos importante de Einstein sobre como via o ser humano no universo:

Um ser humano - disse - é parte limitada no tempo e no espaço de um todo por nós chamado de "universo". Ele tem pensamentos e sentimentos como algo separado do restante - uma espécie de ilusão ótica da consciência. Essa ilusão é como uma prisão para nós, restringindo-nos a decisões pessoais e ao afeto por algumas pessoas mais próximas. A tarefa que nos cabe é libertar a nós mesmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abraçar todas as criaturas e toda a natureza em sua beleza.

Esses mesmos pensamentos de Einstein encontramos no livro The Global Brain, de Peter Russell, sobre ao qual temos também recorrido aqui.

"Ilusão ótica da consciência"- disse ele e repito para destacar. E ainda achamos que é com essa consciência limitada da personalidade que podemos avaliar a realidade cósmica, ao passo que a instrumentação adequada para essa avaliação se encontra no que até aqui tem sido considerado como inconsciente. Quanto ao mais, o que aí lemos é o parecer de um gigante intelectual - judeu, acrescente-se, com respeito - sobre alguns conceitos fundamentais emitidos pelo Cristo, como "Eu e o Pai somos um", "Quem é minha mãe, quem são meus irmãos...", "Amai-vos uns aos outros..."

São esses alguns pronunciamentos acerca de nossa integração no todo. Seria mera especulação de místicos, filósofos, poetas, pensadores e cientistas?

Veremos esse aspecto a seguir.

MIRANDA, H. C. Cérebro e Mente: Os “exageros” do cérebro. In: Alquimia da Mente. Cap. 4, item 6.