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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Evolução em Dois Mundos, Chico Xavier, André Luiz (Espírito), Capítulo 5 - Células e Corpo Espiritual

EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS

CAPÍTULO 5 - CÉLULAS E CORPO ESPIRITUAL

Princípios inteligentes rudimentares

Com o transcurso dos evos, surpreendemos as células como princípios inteligentes de feição rudimentar, a serviço do princípio inteligente em estágio mais nobre nos animais superiores e nas criaturas humanas, renovando-se continuamente, no corpo físico e no corpo espiritual, em modulações vibratórias diversas, conforme a situação da inteligência que as senhoreia, depois do berço ou depois do túmulo.

Formas das células

Animálculos infinitesimais, que se revelam domesticados e ordeiros na colméia orgânica, assumem formas diferentes, segundo a posição dos indivíduos e a natureza dos tecidos em que se agrupam, obedecendo ao pensamento simples ou complexo que lhes comanda a existência.

São cenositos ou microrganismos que podem viver livremente, como autositos, ou como parasitos; sincícios ou massa de células que se fundem para a execução de atividade particular, como, por exemplo, na musculatura cardíaca ou na camada epitelial que compõe a parte externa da placenta, com ação histolítica sobre a estrutura da organização materna; células anastomosadas, como as que se coordenam na formação dos tecidos conjuntivos; células em grupos coloniais, com movimentos perfeitamente coordenados, quais as que se mostram nos volvocídeos; células com matriz intersticial, que elaboram substâncias imprescindíveis à conservação da vida na província corpórea, e as células que podem diversificar-se, constituindo-se elementos livres, como na preparação dos glóbulos da corrente sanguínea.

Articulam-se em múltiplas formas, adaptando-se às funções que lhes competem, no veículo de manifestação da criatura que temporariamente as segrega, à maneira de peças eletromagnéticas inteligentes, em máquina eletromagnética superinteligente, atendendo com precisão matemática aos apelos da mente, assemelhando-se, de certo modo, no organismo, aos milhões de átomos que constituem harmonicamente as cordas de um piano, acionadas pelos martelos minúsculos dos nervos, ao impacto das teclas que podemos simbolizar nos fulcros energéticos do córtice encefálico, movimentado e controlado pelo Espírito, através do centro coronário que sustenta a conjunção da vida mental com a forma organizada em que ela própria se expressa.

Motores elétricos microscópicos

Dispostas na construção da forma em processo idêntico ao da superposição dos tijolos numa obra de alvenaria, as células são compelidas à disciplina, perante a ideia orientadora que as associa e governa, quanto os tijolos vulgares são constrangidos à submissão ante as linhas traçadas pelo arquiteto que lhes aproveita o concurso na concretização de projeto específico.

É assim que são funcionárias da reprodução no centro genésico, trabalhadores da digestão e absorção no centro gástrico, operários da respiração e fonação no centro laríngeo, da circulação no centro cardíaco, servidoras e guardiãs fixas ou migratórias do tráfego e distribuição, reserva e defesa no centro esplênico, auxiliares da inteligência e elementos de ligação no centro cerebral e administradoras e artistas no centro coronário, amolgando-se às ordens mentais recebidas e traduzindo na região de trabalho que lhes é própria a individualidade que as refreia e influencia, com justas limitações no tempo e no espaço.

Temo-las, desse modo – repetimos –, por microscópicos motores elétricos, com vida própria, subordinando-se às determinações do ser que as aglutina e que lhes imprime a fixação ou a mobilidade indispensáveis às funções que devam exercer no mar interior do mundo orgânico, formado pelos líquidos extracelulares, a se definirem no líquido lacunar que as irriga e que circula vagarosamente; na linfa que verte dos tecidos, endereçada ao sangue; e no plasma sanguíneo que se movimenta, rápido, além de outros líquidos intersticiais, característicos do meio interno.

O todo indivisível do organismo

Lógico entender, dessa forma, que, diante do governo mental, a reunião das células compõe tecidos, assim como a associação dos tecidos esculpe os órgãos, partes constituintes do organismo que passa a funcionar, como um todo indivisível em sua integridade, cingido pelo sistema nervoso e controlado pelos hormônios ou substâncias produzidas em determinado órgão e transportadas a outros arraiais da atividade somática, que lhes excitam as propriedades funcionais para certos fins, hormônios esses nascidos de impulsão mecânica da mente sobre o império celular, conforme diferentes estados emotivos da consciência, enfeixando cargas de elementos químicos em nível ideal, quando o equilíbrio íntimo lhe preside as manifestações, e consubstanciando recursos de manutenção e preservação da vida normal, perfeitamente isoláveis pela ciência comum, como já acontece com a adrenalina das supra-renais, com a insulina do pâncreas, a testosterona dos testículos e outras secreções glandulares do cosmo orgânico.

Automatismo celular

É da doutrina celular corrente no mundo que as células tomam aspectos diferentes conforme a natureza das organizações a que servem, competindo-nos desenvolver mais amplamente o asserto, para asseverar que a inteligência, influenciando o citoplasma, que é, no fundo, o elemento intersticial de vinculação das forças fisiopsicossomáticas, obriga as células ao trabalho de que necessita para expressar-se, trabalho este que, à custa de repetições quase infinitas, se torna perfeitamente automático para as unidades celulares que se renovam, de maneira incessante, na execução das tarefas que a vida lhes assinala.

Efeitos do automatismo

Perfeitamente compreensíveis, nessa base, os estudos científicos que reconhecem os agrupamentos colaboracionistas das células especializadas, através da cultura artificial dos tecidos orgânicos, em que um fragmento qualquer desses mesmos tecidos, seja da epiderme ou do cérebro, permanece vivo, por muito tempo, quando mergulhado em soro que, cuidadosamente imunizado e mantido na temperatura correspondente à do corpo físico, acusa uma vida intensa. Decorridas algumas horas, os produtos de excreta intoxicam o soro, impedindo o desenvolvimento celular; mas, se o líquido for renovado, continuam as células a crescer no mesmo ritmo de movimento e expansão que lhes marca a atividade no edifício corpóreo.

Todavia, fora do governo mental que as dirigia, não se revelam iguais às suas irmãs em função orgânica.

As células nervosas, por exemplo, com as suas fibrilas especiais, não produzem células com fibrilas análogas, e as que atendem nos músculos aos serviços da contração se desdiferenciam, regredindo ao tipo conjuntivo.

Todas as que se ausentam do conjunto estrutural do tecido inclinam-se para a apresentação morfológica da ameba, segundo observações cientificamente provadas.

Isso ocorre porque as células, quando ajustadas ao ambiente orgânico, demonstram o comportamento natural do operário mobilizado em serviço, sob as ordens da Inteligência, comunicando-se umas com as outras sob o influxo espiritual que lhes mantém a coesão, e procedem no soro quais amebas em liberdade para satisfazer aos próprios impulsos.

Fenômenos explicáveis

Dentro do mesmo princípio de submissão das células ao estímulo nervoso, é que a experiência de transplante dos tecidos de embriões entre si, com alguns dias de formação, pode oferecer resultados surpreendentes, de vez que as células orientadas em determinado sentido, quando enxertadas sobre tecidos outros “in vivo”, conseguem gerar órgãos-extras, em regime de monstruosidade, obedecendo a determinações especializadas resultantes das ordens magnéticas de origem que saturavam essas mesmas células.

E é ainda aí, pelo mesmo teor de semelhante saturação, que vamos entender as demonstrações do faquirismo e outras realizadas em sessões experimentais do Espiritismo, nas quais a mente superconcentrada pode arremessar fluídos de impulsão sobre vidas inferiores, como seja a das plantas, imprimindo-lhes desenvolvimento anormal, e explicar os fenômenos da materialização mediúnica. Neste caso, sob condições excepcionais e com o auxílio de Inteligências desencarnadas, o organismo do médium deixa escapar o ectoplasma ou o plasma exteriorizado, no qual as células, em tonalidade vibratória diferente, elastecem-se e se renovam, de conformidade com os moldes mentais que lhes são apresentados, produzindo os mais significativos fenômenos em obediência ao comando da Inteligência, por intermédio dos quais a Esfera Espiritual sugere ao Plano Físico a imortalidade da alma, a caminho da Vida Superior.

Uberaba, 29/1/58.

XAVIER, F. C.; VIEIRA, W.; ANDRÉ LUIZ (Espírito). Células e Corpo Espiritual. In: Evolução em Dois Mundos, cap. 5

Pensamento e Vida, Chico Xavier, Emmanuel (Espírito), Capítulo 8 - Associação

PENSAMENTO E VIDA

CAPÍTULO 8 - ASSOCIAÇÃO

Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as correntes de pensamento, reconheceria, de pronto, que todos vivemos em regime de comunhão, segundo os princípios da afinidade.

A associação mora em todas as coisas, preside a todos os acontecimentos e comanda a existência de todos os seres.

Demócrito, o sábio grego que viveu na Terra muito antes do Cristo, assevera que “os átomos, invisíveis ao olhar humano, agrupam-se à feição dos pombos, à cata de comida, formando assim os corpos que conhecemos”.

Começamos agora a penetrar a essência do microcosmo e, de alguma sorte, podemos simbolizar, por enquanto, no átomo entregue à nossa perquirição, um sistema solar em miniatura, no qual o núcleo desempenha a função de centro vital e os elétrons a de planetas em movimento gravitativo.

No plano da Vida Maior, vemos os sóis carregando os mundos na imensidade, em virtude da interação eletromagnética das forças universais.

Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância com as correntes mentais em que respiram as almas que se lhe assemelham.

Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos.

É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia.

Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos mentais que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para o mal, segundo a direção que escolhemos.

Em qualquer providência e em qualquer opinião, somos sempre a soma de muitos.

Expressamos milhares de criaturas e milhares de criaturas nos expressam.

O desejo é a alavanca de nosso sentimento, gerando a energia que consumimos, segundo a nossa vontade.

Quando nos detemos nos defeitos e faltas dos outros, o espelho de nossa mente reflete-os, de imediato, como que absorvendo as imagens deprimentes de que se constituem, pondo-se nossa imaginação a digerir essa espécie de alimento, que mais tarde se incorpora aos tecidos sutis de nossa alma. Com o decurso do tempo, nossa alma, não raro, passa a exprimir, pelo seu veículo de manifestação, o que assimilara, fazendo-o seja pelo corpo carnal, entre os homens, seja pelo corpo espiritual de que nos servimos, depois da morte.

É por esta razão que geralmente os censores do procedimento alheio acabam praticando as mesmas ações que condenam no próximo, porquanto, interessados em descer às minúcias do mal, absorvem-lhe inconscientemente as emanações, surpreendendo-se, um dia, dominados pelas forças que o representam.

Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior.

Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero de imensas proporções, a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do crime.

Pensando, conversando ou trabalhando, a força de nossas idéias, palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as conseqüências de nossas próprias iniciativas.

Estejamos, assim, procurando incessantemente o bem, ajudando, aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque, nessa atitude, refletiremos os cultivadores da luz, resolvendo, com segurança o nosso problema de companhia.

XAVIER, F. C.; EMMANUEL (Espírito). Associação. In: Pensamento e Vida, cap. 8.

Alquimia da Mente, Hermínio Correia de Miranda, Capítulo V - Consciente e Inconsciente - O Inconsciente, Território de Nossas Ignorâncias

ALQUIMIA DA MENTE

CAPÍTULO V - CONSCIENTE E INCONSCIENTE

O INCONSCIENTE, TERRITÓRIO DE NOSSAS IGNORÂNCIAS

Cabe a Freud o mérito indiscutível de ter percebido, desde o início de sua carreira científica, a extraordinária importância do inconsciente. Em carta ao amigo Wilhelm Fliess, ele escreveu a frase que Ronald W. Clark selecionou para epígrafe do capítulo 7 - The Birth of Psychoanalysis de seu livro e que assim dizia: "Consideram-me um monomaníaco, mas tenho a distinta sensação de haver tocado um dos grandes segredos da natureza." Se algum reparo deve ser posto nessa observação é o de que talvez nem o próprio Freud desconfiasse, pelo menos àquela altura, de que o segredo era ainda maior do que ele supunha.

É precisamente no livro de Clark, pesquisador meticuloso e escritor de prestígio internacional, que vamos encontrar uma visão retrospectiva não apenas do conceito de inconsciente como de sua utilização naquilo que Freud batizaria de psicanálise, ou seja, uma técnica destinada a analisar minuciosamente o psiquismo das pessoas afetadas por distúrbios de comportamento.

Segundo Clark, quinze séculos antes de Freud, santo Agostinho, nas suas Confissões, discorria sobre um mecanismo que colocava a lembrança de episódios ocorridos fora do alcance da memória, mas que poderia, de repente, trazê-los de volta ao consciente como que vindos de "algum desconhecido reservatório" (p. 115).

Freud, por sua vez, comentou com seu amigo Theodor Reik o pioneirismo de Paracelso, que elaborou um modelo clínico que muito se pareceria com o da psicanálise, ao propor o fortalecimento do ego, a fim de levá-lo ao domínio dos impulsos instintivos que se manifestavam sob forma de neuroses. "Exatamente o que pensava ele sobre isso, não sei" - comentava Freud -, "mas não há dúvida quanto à correção do seu raciocínio."

Em Leibnitz surge a primeira noção do limem, que seria uma espécie de portal da percepção, ideia que mais tarde produziria a expressão subliminar para identificar a atuação do pensamento em uma faixa pouco abaixo do nível normal de consciência. O próximo avanço caberia a Johann Friedrich Herbart, que formulou aspectos da futura doutrina psicanalítica como a repressão e o princípio do prazer, ao mesmo tempo em que propunha um modelo segundo o qual as percepções conscientes mais fortes empurravam para além dos limites da consciência imaginados por Leibnitz as mais fracas. Mais para o final da década de 60, no século X I X , Wilhelm Griesinger priorizava o estudo do inconsciente sobre o do consciente, na formulação de sua maneira de ver a psiquiatria.

Entre os filósofos naturalistas do século X I X , Clark destaca Garth Wilkinson, que identifica como médico swedenborguiano, e que entendia a utilização do inconsciente apenas em explorações de natureza literária e religiosa. Enquanto isso, Carl Gustav Carus aproximava-se ainda mais da futura doutrina freudiana, escrevendo, na abertura de seu Psyche que "a chave do conhecimento sobre a natureza da vida consciente da alma encontra-se nos domínios do inconsciente" (p. 115). Certamente Freud riscaria do texto a palavra alma, que não frequentava o seu dicionário pessoal de convicto materialista, a despeito de trabalhar a vida inteira com os enigmas do psiquismo. É certo, porém, que Carus antecipava, em cerca de meio século, um dos pontos fundamentais da psicanálise.

O grande livro da época, no entanto, foi A Filosofia do Inconsciente, de Eduard von Hartmann, que, no dizer de Clark, "deu início à estratificação do subterrâneo da mente" tarefa que, em alguns aspectos, seria retomada por Carl G. Jung, quarenta anos após.

Ao que tudo indica, estava mesmo "no ar" a doutrina do inconsciente. O livro de Hartmann transcendeu os círculos especializados, para alcançar uma classe muito mais ampla de leitores interessados. A Filosofia do Inconsciente teve êxito fulminante. Em 1882 já estava com nove edições em alemão e uma tradução francesa. Dois anos depois foi vertida para o inglês. O inconsciente, no dizer de Lancelot Law Whyte (apud Clark, pág.115), deixara de ser tema para discussão entre os profissionais, para se tornar um debate social, embutido na moda, competindo entre os que desejavam exibir cultura, com a grande conversação em torno de Richard Wagner e sua música revolucionária.

A essa altura, portanto, alguns dos conceitos fundamentais da psicanálise já se esboçavam com certa nitidez. Faltava apenas quem os coordenasse e os pusesse a trabalhar no âmbito de um modelo clínico desenhado para o consultório. Freud seria o arauto da nova era que prenunciava um profundo mergulho nos porões e bastidores da mente. Nem por isso, contudo, seria fácil a tarefa do jovem médico austríaco. Pelo contrário. Debater emocionantes temas científicos em sociedade é diferente de introduzir ideias tão renovadoras no contexto sempre conservador da ciência, por mais que ela se abra à pesquisa do que ainda permanece ignorado. Não é sem razão que Freud se queixa de ser tido como um monomaniaco. Era apenas o começo. Obstinada resistência, mesmo entre alguns de seus discípulos, encontraria a sua teoria predileta do pansexualismo, mas também a observação de que a histeria não era privilégio das mulheres provocou apaixonadas reações, como temos visto.

Seja como for, os elementos formadores da psicanálise pareciam ocupar o circuito de muitas mentes bem dotadas da época. Clark cita mais um, Theodor Lipps, cujos textos Freud conheceu e que escreveu isto, em 1883:

"Afirmamos não apenas a existência dos processos inconscientes além dos conscientes; postulamos mais, que os processos inconscientes constituem a base dos conscientes e os acompanham."

Frederick W. Myers, que saudou com entusiasmo os primeiros escritos de Freud acerca da histeria, criaria a expressão ser subliminal como espécie de sinônimo para o termo inconsciente. Começava a desenhar-se a ideia de que inconsciente seria mais que outro nome para o lado oculto do ser, com as características de outro eu dentro do eu. Ideia, aliás, nada estranha às formulações teóricas e experimentais de Jung, do médico francês, dr. Gustave Geley, e de outros, como ainda teremos oportunidade de ver.

Por essa época, o conceito de inconsciente começava também a ser adotado pela literatura, fenômeno que se ampliaria mais tarde quando a terminologia freudiana passou a ser sinal de status para escritores e poetas, que a introduziam nos seus contos, romances, ensaios e poemas.

Clark lembra o escritor inglês Samuel Butler que considerava memória e hábito como transmissíveis inconscientemente de geração em geração. Posteriormente, em Unconscivus Memory, sustentou a tese de que a memória seria apenas mais uma das propriedades da matéria e que "cada átomo conservava a memória de certos antecedentes" (p. 116).

Embora a proposta de Butler possa acolher duas leituras diferentes e até opostas, vejo nela aspectos que merecem consideração especial. Se, com uma daquelas leituras, o escritor britânico parece alinhar-se com os materialistas convictos que entendem o pensamento como uma segregação do cérebro e, portanto, explicável em termos de fisiologia nervosa, com a outra ele estaria antecipando, num impulso de intuição, um conteúdo psíquico nas células, ou, no mínimo, "terminais" de um psiquismo cósmico generalizado. De minha parte, devo confessar minhas simpatias pela ideia, já que o psiquismo humano, como um todo, comanda a vastíssima comunidade celular, como regente de uma afinada orquestra. Parece-me difícil, senão impraticável, realizar essa proeza sem que alguma forma de psiquismo esteja presente em cada uma das células que vivem intensamente suas trocas e funções dentro do edifício biológico, recebendo ordens e expedindo sinais, em estreito e permanente intercâmbio com o "comando central". Convém lembrar que estamos falando da hipótese de existir uma faculdade mnemônica na célula, não de uma função consciente, o que faz enorme diferença. Os animais, por exemplo, dispõem de evidente função psíquica, embora inconsciente.

Lê-se, aliás, em A Evolução Anímica, do pensador francês Gabriel Delanne, a proposta de uma "memória orgânica", que ele caracteriza como "inconsciente fisiológico", em contraste com a "memória psíquica" (p. 136 e seg.). Trabalhando articuladamente, ambas inconscientes, teriam "um território comum da alma e do corpo". Juntas, seriam responsáveis pelo gerenciamento dos instintos.

Sem recorrer a casos extraordinários - escreve Delanne, à página 140 -, encontramos em nossos atos diuturnos séries complexas e bem determinadas, isto é, cujos começos e fins são fixos, e cujos meios, diferentes uns dos outros, se sucedem em ordem constante, como seja no subir ou descer uma escada, depois de um longo hábito. A memória psicológica ignora o número de degraus e a memória fisiológica conhece-o, à sua maneira, tanto quanto a divisão dos andares, a distribuição dos patamares e pormenores outros, de sorte a jamais se enganar.

Esse automatismo, aliás, tem sido reconhecido como fator de libertação, uma vez que libera os complexos mecanismos psíquicos para funções mais nobres. Por isso, Annie Besant condena enfaticamente, em seu estudo sobre o consciente, certos praticantes da ioga que, após longo e penoso treinamento, conseguem interferir no sistema, revertendo o automatismo de certas funções biológicas para trazê-las de volta ao controle consciente da vontade. É o caso, por exemplo, daqueles que modificam os batimentos cardíacos, o ritmo respiratório, o movimento peristáltico e outros procedimentos biológicos, automatizados a duras penas, no correr de um tempo cuja extensão mal podemos estimar.

Como vimos, Besant alinha-se entre os que identificam um claro componente psíquico na célula, como se pode ler mais de uma vez em A Study in Consciouness. Isto, por exemplo:

"É preciso lembrar que assim como o sistema solar constitui campo evolutivo para todas as consciências que o integram, há, dentro dele, áreas menores servindo como campos menores."

E acrescenta: "O homem é o microcosmos do universo e seu corpo serve de campo evolutivo para miríades de consciências menos evolvidas do que a sua própria" (p. 115).

E mais adiante, à página 119:

"Cada célula no corpo é composta de miríades de minúsculas vidas, cada uma delas com a sua consciência germinal."

Trata-se, no entender da autora, de uma consciência que começa, no seu poético dizer, a "madrugar", ou seja, a emitir seus primeiros tímidos clarões de um sol que ainda não surgiu na linha do horizonte. Essas diminutas partículas de consciência, que Besant caracteriza como "mónadas", provêm do "oceano de consciência" em que se contém o universo. É o que também entende Teilhard de Chardin, para o qual a vida constitui "imensa ramificação do psiquismo que se busca através das formas". Ou Bergson, que considera a vida manifestação do "élan vital", incumbido de "pensar a matéria".

A decifração dos persistentes enigmas que ainda bloqueiam o acesso ao melhor entendimento do ser humano tem de passar, necessariamente, pelo território do inconsciente. E lá que se ocultam muitas de nossas ignorâncias, dado que assim se chama aquilo que ainda não conhecemos.


MIRANDA, Hermínio Correia de, Consciente e Inconsciente: O inconsciente, território de nossas ignorâncias. In: Alquimia da Mente, cap. 5, ítem 2 e 5.