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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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sábado, 4 de agosto de 2018

O Gênio Céltico, Léon Denis, Capítulo XIII - Mensagens Devidas aos Invisíveis

O GÊNIO CÉLTICO

TERCEIRA PARTE - O MUNDO INVISÍVEL

CAPÍTULO XIII - MENSAGENS DEVIDAS AO INVISÍVEL

Publicamos a seguir a série de mensagens ditadas através da incorporação mediúnica pelos grandes e generosos Espíritos que quiseram colaborar na nossa obra. A autenticidade destes documentos reside não somente em si mesmos, pelo facto de ultrapassarem em muitos pontos o alcance das inteligências humanas, mas também nas provas de identidade que aí se reunem. É assim que durante as nossas entrevistas com o Espírito de Allan Kardec, este entrou em certos detalhes precisos sobre a sua sucessão e os diferendos que surgiram, a este respeito, entre duas famílias espíritas, com particularidades que o médium não podia de forma alguma conhecer, sendo apenas uma pequena criança procedente de pais modestos, tudo ignorando sobre o espiritismo. Estes detalhes tinham-se apagado da minha própria memória e só pude reconstitui-los após investigações e inquérito.

Quanto ao seu valor científico e moral, ver-se-á que os assuntos tratados nestas mensagens atingem o mais elevado grau da compreensão humana actual. Excedem-no mesmo em certos casos, mas permitem-nos, contudo, entrever a génese da vida universal. Considerando esta obra sob o seu ponto de vista, os autores dizem-nos que se poderá daí extrair uma nova orientação que, no estádio de evolução que atingimos, é somente compatível “com o grau de compreensão e de resistência do cérebro humano”.

Recordamos, contudo, aos que o terão esquecido, que os Espíritos experimentam por vezes grandes dificuldades para se exprimir através de um organismo, um cérebro estranho, noções, ideias pouco familiares a este último. Ora, é precisamente o caso no que respeita ao nosso médium e à questão céltica. Allan Kardec constatou-o ele próprio durante as suas mensagens, como o veremos seguidamente. São necessários esforços persistentes da vontade, para criar, no cérebro de um médium, as expressões, as imagens inusitadas. Isto explica as críticas que puderam ser dirigidas a certos defuntos célebres a propósito das diferenças de estilo assinaladas nas suas comunicações.

Uma outra objeção consiste em pretender que Allan Kardec se encontra reencarnado no Havre desde 1897. Por conseguinte teria chegado ao trigésimo ano da sua nova existência terrestre. Ora, pode-se admitir que um espírito deste valor tenha esperado tanto tempo para revelar-se pelas obras ou ações adequadas? De resto, Allan Kardec não se comunica somente em Tours, mas igualmente nos muitos outros círculos espíritas de França e da Bélgica. Em todos estes meios ele afirma-se pela autoridade da sua palavra e pela sabedoria das suas observações.

Veja-se de seguida a apresentação do Espírito de Allan Kardec pelo Guia diretor do nosso grupo.

Anuncio-vos a visita do Espírito de Allan Kardec. Constatei o ambiente puro e a bela cor fluídica que cercam este Espírito, o esplendor da sua fé na força divina superior. Foi o que lhe permitiu, no decurso das suas existências, prosseguir uma evolução que lhe dá, em cada passagem, conhecimentos, intuições mais precisas sobre as formas e as leis da vida universal.

Uniu-se particularmente à França e à chama céltica, dito doutra forma, a primeira fé natural, sempre brilhou nele.

Allan Kardec empenha-se em reanimar esta fé na consciência e na subconsciência dos Franceses, a fim de os ajudar a elevar o seu espírito e a reaproximarem-se do brilho celta.

O médium, ignorando completamente a questão céltica, oferece-nos uma garantia perfeita contra a auto-sugestão.

O celtismo representa a fé ardente emanada das correntes superiores e transmitida na vossa região por uma radiação que ajudou poderosamente ao desenvolvimento da consciência francesa. É uma das mais vivazes ligações ao culto divino, ao culto da sobrevivência e ao da pátria. Assim nas vossas orações, a pequena chama celta que ilumina as vossas consciências de Franceses, eleva-se, jorra à medida que a sinceridade se exalta.

Devem, na vossa obra, apelar às reminiscências célticas para reanimar esta fé ardente na divindade que facilita no nosso mundo o envio de correntes regeneradoras e benfazejas. Esta elevada aspiração, possuem-na os corações puros. Como antigamente os Celtas, as almas que têm sede de ideal procuram nas fontes da natureza esta luz salutar que simboliza a grandeza divina. Allan Kardec dir-vos-á como e porquê este raio céltico se ligou ao solo armórico (bretão).

Se eu estivesse ainda na terra servir-me-ia deste tema para demonstrar que é na luz transmitida pelos Celtas que devemos, em graus diversos, a necessidade de crença no Além, a satisfação no florescimento da alma, e a percepção da luz espiritual que nos prova que todas as criaturas são a obra de Deus.

Concluo afirmando-vos que o raio céltico é o guia que vos dirige para o lugar supremo de luz. É através desta luz que chegareis a compreender a marcha da vida universal. Nas vossas vidas, à medida que subirdes para Deus, bebereis destas fontes poderosas, aprendereis a conhecer as
forças insuspeitadas do éter, as vibrações criadoras que provam a existência do lar divino.

15 de Janeiro de 1926.

N° 1 - FONTE ÚNICA DAS TRÊS GRANDES DIVULGAÇÕES: BUDISTA, CRISTÃ E CELTICA.

Estou feliz de descer até vós, porque experimento uma satisfação moral, um prazer real, sentindo-me bem adaptado a seres que desenvolvem radiações sensivelmente idênticas às do meu perespírito. Isto mostra-nos que é necessária a adaptação fluídica para podermos compreender-nos, trocar pensamentos e pontos de vista de acordo com os meios nos quais se quer descer. Cada indivíduo projeta uma radiação em relação com o número das suas existências; e a riqueza molecular dos fluidos que compõem o seu eu psíquico está igualmente em relação direta com os trabalhos, as provas ultrapassadas, o esforço continuado através das suas existências, quer num mundo, quer no espaço. Acrescento que me é particularmente agradável descer neste país de França, o qual amei, habitei materialmente desde o Armórico até ao Maurienne.*

Cada território desenvolveu em mim perspectivas que não se perderão nunca. Celta, impregnei-me desta mística que havia trazido estremecidamente do espaço. Seguidamente, na minha penúltima existência, em Savóia, adquiri uma resistência moral que me foi necessária para pregar a doutrina que conheceis. Mas primeiro, falemos da existência que iniciei na Bretanha, e que funcionou como a existência iniciadora projetando no meu ser a faúlha da vida universal. Esta centelha brilhou mais ou menos ao longo das minhas diferentes vidas, consoante procurava adquirir tal ou tal qualidade aproximada, mais ou menos, da matéria ou do espírito.

* Nota de tradução: Vale dos Alpes franceses (Savoie)

Há seres que não conseguem admitir as existências sucessivas. Neles, a faúlha inicial continua oculta, porque a luta material os absorve totalmente. Há existências de fé, há existências de trabalho, porque é uma lei imutável, um dos princípios fundamentais é o de que o ser se desenvolve através de alternativas para recolher os germes salutares que devem ajudá-lo a progredir nos espaços.

Deus projetou a parcela de luz que é a alma, e esta radiação de pensamento divino deve chegar, por transformações e crescimentos sucessivos, a formar um foco radiante que contribuirá para a manutenção e para o equilíbrio da atmosfera dos mundos. Esse é um preceito de ordem geral que indica a necessidade da pluralidade das vidas.

As primeiras sociedades humanas que povoaram a vossa terra trouxeram o esboço das civilizações futuras; em certos pontos, a iniciação espiritual avançou bastante, os Egípcios, os Celtas, os Gregos, por exemplo, traziam em si focos brilhantes que paralisavam as forças materiais. Elementos do progresso estavam já, por eles, implantados no vosso globo. O vai e vem dos seres que viverão alternativamente à sua superfície, depois no espaço, poderá a partir daí prosseguir com regularidade.

Os novos habitantes, de acordo com o seu grau de evolução, provirão de grupos pertencentes a mundos inferiores, quer existentes, quer desaparecidos. Estas considerações de ordem geral eram necessárias antes de falar mais particularmente da França, da sua influência fluídica e da sua influência no mundo.

A ideia céltica sendo a própria essência, emanente da fonte divina e representante do espírito de pureza na raça, deve iluminar, através dos séculos, a alma nacional. É a ascenção para as esferas superiores, o conhecimento inicial do foco divino, a sobrevivência do pensamento, a correlação das almas e dos mundos, a orientação para um objetivo que deve iluminar-se e precisar-se na medida da nossa evolução.

O celtismo é o raio que mostra o caminho aos estudos psíquicos futuros. Foi nele que se enxertou, no vosso país, o pensamento do cristianismo, tal como o próprio cristianismo se impregnou desse outro raio, o misticismo oriental.

Existem no vosso mundo certos pontos privilegiados fluidicamente que são como espelhos, condensadores e refletores de fluidos, destinados a fazer vibrar os cérebros e os corações dos povos do planeta. Nestes pontos, três focos se acenderam: o foco oriental nas Índias; o foco cristão na Palestina; o foco céltico no Ocidente e no Norte.

Se estudarmos a génese dos fenómenos que concretizaram as doutrinas, vê-se que a causa superior continua a mesma e que o vosso planeta é tocado por estas correntes, ou feixes de ondas superiores, que são as verdadeiras artérias da vida universal.

Pela vossa evolução, produz-se agora um novo foco radiante de pensamento que mostrará à humanidade toda a beleza, a grandeza, o poder da obra divina.

ALLAN KARDEC.
12 de Junho de 1926.

N° 2. - EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ATRAVÉS DOS SÉCULOS.

Na nossa última conversação falei-vos dos três grandes focos espiritualistas surgidos na terra para iluminar a marcha da humanidade. O foco oriental foi colocado em ação por Espíritos das esferas superiores cuja missão era escolher os seres que mais se aproximavam da natureza. Queriam demonstrar que o ser carnal, libertando-se das paixões, podia entrar em contato direto com as grandes correntes superiores que devem ajudar à evolução das sociedades terrestres. Teríeis a prova disso no estudo da existência dos grandes padres Indus, dos Lamas que tomavam Buda como exemplo e procuravam, sobretudo, imunizar-se contra os fluídos materiais que percorriam a terra.

Os Espíritos superiores tinham atuado numa região onde a humanidade está menos sujeita aos desejos da paixão. Quero falar dos monjes do Tibete, e em seguida de certos seres da Índia. Vejamos então um fato adquirido: o ser humano, em certas condições de isolamento, de ascetismo e de aspirações elevadas, pode sentir-se em constante relação com os mundos superiores. Os antepassados dos médiuns estão lá; chegarão a provar a sua existência à humanidade, mas não deverão dividir-se, desperdiçar as suas forças, é por isso que permanecerão no círculo oriental.

Para que o pensamento humano fosse tocado duma forma mais concreta, foi necessária a vinda do Cristo que, ele se misturasse intimamente com as multidões. O Cristo, tal como os iniciados da Índia, transportava em si inúmeras centelhas da força divina. Esta força divina transmitia-se pela sua palavra e pela ação dos apóstolos. Mas em certos pontos da terra, e particularmente na vossa Gália, os padres celtas, os Druidas transmitiam igualmente os raios do foco divino simbolizando-os à sua maneira, ou seja, inspirando-se mais particularmente junto à natureza.

Os Druidas, como o Lama, retiravam das fontes geradoras do espaço as forças que despertavam a sua fé e dirigiam-nas para o foco superior. As formas podem variar, mas no círculo do Oriente, no cristianismo e nos Druidas, há um ponto absolutamente idêntico: é que o ser humano, quando sabe distanciar-se das atrações materiais, vibra o suficiente para perceber as emissões dos grandes lares celestes. Os padres do Oriente, o Cristo e os Druidas estavam impregnados destas ondas poderosas e, por conseguinte, podiam produzir os fenómenos que impressionavam as multidões.

Nos vossos tempos modernos, o magnetismo, que é uma das formas do dinamismo universal, desempenha um papel importante para todos os que constituem polos atrativos e sabem usar da oração.

É necessário reconhecer que entre os Druidas, se produziam abusos, por exemplo, os sacrifícios humanos, últimos vestígios de uma grosseira barbárie e destinados a chocar as massas.

Desde a origem destes três grandes focos de divulgação espiritualista, a fé e o ideal sofreram alternadamente paragens e retornos; o élan do misticismo despertou aqui e ali, sob a ação das vagas correspondentes ao estado de evolução da nossa humanidade.

Por outro lado, a ciência positiva avançou obscurecendo a fé. O dia em que um novo foco se acenderá sobre a terra suscitará uma curiosidade muito natural. Na hora presente, os centros parecem deslocar-se. Não ficarei surpreendido de ver um dia, na América, constituir-se um polo capaz de travar o positivismo do povo americano. Este povo é, como a sua composição étnica, bastante variado, para uma perspectiva ideal. É do lado da Índia que é necessário esperar-se para ver brotar um dia fenómenos que vos interessarão ao mais elevado grau. Esta região da terra está sempre impregnada de misticismo como, na França, a vossa Bretanha conserva sempre uma fé ardente no espírito do Além.

Recentemente, realizaram-se experiências com o concurso dum ser que parecia possuir belas qualidades de transmissão fluídica; mas ele rodeou-se de apóstolos demasiado realistas, no entanto há lá uma indicação, uma direção, uma simples linha de união que se religa aos feixes espirituais. É um ser evoluído, mas não comparável a Buda e a Cristo!

A espiritualidade deve evoluir, e em certas épocas reavivar a fé que se diluiria no materialismo. Buda, o Cristo e os Espíritos dos Druidas representam as forças superiores religadas ao foco divino e eles trabalham para manter a terra num grau de equilíbrio necessário para prosseguir a sua evolução, porque, se a espiritualidade se apagasse no vosso planeta a matéria invadi-lo-ia e terminaria por desgastá-la e dissolvê-la. A matéria deve ser mantida em suspensão pela ação superior do espírito. Na realidade, ela é apenas o ecrã sobre o qual vem refletir-se o raio da vida universal.

ALLAN KARDEC.
12 de Março de 1926.

N° 3. - MESMO ASSUNTO.

Já falei das três fés: budista, cristã e druídica. Sabeis que a fé cristã que, em suma, é uma emanação das doutrinas orientais, se expandiu avançando em direção à Itália, seguidamente deparou-se com uma esfera independente que representava um polo de igual atrativo, constituído pelo mundo céltico. Mesmo em épocas remotas criaram-se grandes focos atrativos, seres vieram em missão após terem habitado planetas mais avançados, mais antigos do que o vosso, a fim de aí lançar, ao lado do trabalho material, a semente que alimentava a chama das consciências humanas.

O tempo não existe; o destino e a vida universal desenvolvem-se eternamente. Quando as moléculas gasosas de calor, de vapor e de água que formaram a vossa terra se condensaram para formar o protoplasma da matéria, era necessário que nos seres que deviam povoar este novo mundo, iniciados superiores viessem transmitir às consciências muito primitivas a aceitação de uma lei de ordem superior.

É por isso que no Oriente, na Palestina e na Gália se formaram focos atrativos. Se o princípio fundamental que os inspirava era o mesmo, a forma pôde variar nas suas aplicações; mas analisando estes princípios vê-se que a tese da sobrevivência eterna é aí aceite de igual modo. Os Druidas, estabelecidos nas costas, inspiraram-se junto aos elementos diretos externos pela concepção dos três círculos que sintetizam as forças naturais e morais. Existia uma iniciação em muitos graus e reencontramo-la nas formas do culto, é no cristianismo que a iniciação foi menos cultivada. Considero que a doutrina do Cristo era mais pura que outras, porque mais simples.

Os Druidas eram tanto mais iniciados quanto o seu grau pessoal de mediunidade era mais acentuado. Neles, o sacerdote, a sacerdotisa vivendo no meio da natureza, recebia a iniciação pela intuição de uma maneira mais direta do que no culto cristão. Se analisarmos o druidismo nele reencontramos um ensinamento esotérico muito desenvolvido. Contudo o cristianismo é-lhe superior do ponto de vista humano porque se adapta mais particularmente às fraquezas humanas, enquanto que o druidismo com as suas doutrinas de ordem elevada, considerava a raça humana como inferior. O seu ensino, melhor compreendido pelos privilegiados, conduzia as massas a certas superstições.

Em resumo, no celtismo basta reter apenas o princípio inicial; os seus sacerdotes, vivendo em contato com a natureza, comunicavam intimamente com as forças invisíveis, mas, tendo conservado apesar de tudo moléculas materiais, daí resultava que a transmissão do seu ensinamento se deformava, negligenciando, demasiado, as noções de justiça e de amor, no seio duma população ainda bárbara nessa época.

Vê-se assim que as três fés budistas, cristãs e druídicas se completam. Jesus Cristo personifica a luz das esferas quase divinas, luz que, pelas suas ondas salutares, deve iluminar e vivificar a consciência. O druidismo, extraído das fontes vivas da natureza, percebia as vibrações dos mundos e as emanações da vida universal. O que o Cristo recebia diretamente dos seres superiores, o druida obtinha-o através das correntes transmissoras do pensamento dos seres desencarnados.

Produzem-se na hora atual novas associações fluídicas, que não se condensam ainda, mas destinadas a formar um foco atrativo que será o quarto ciclo. Este aceitará a realidade da vida superior susceptível, em certas condições, de comunicar com os seres humanos dotados de conhecimentos científicos combinados com um ideal elevado. As suas convicções ajudarão a restabelecer o equilíbrio necessário entre a existência material e a inspiração espiritual.

ALLAN KARDEC.
23 de Abril de 1926.

N° 4. - CELTAS E ATLANTAS.

O vosso grupo está imunizado, porque permanece longe das paixões humanas. Vós sois verdadeiramente Celtas graças à vossa vontade de permanecer na consciência primitiva da vossa raça.

Uma das formas do celtismo puro é o amor pela natureza. Esta não é o reflexo da beleza e da grandeza divina? Ela procura nos humanos as mais puras alegrias do espírito e dos sentidos; ela estabelece uma comunicação através das esferas de azul e das correntes extraterrestres.

O celtismo é ainda o amor da família, o conhecimento intuitivo das anterioridades e das afinidades; a fixação ao solo cujas radiações geológicas se assimilam às radiações individuais.

Pergunta. Há, como alguns o pretendem, uma diferença entre Celtas e Gauleses?

Resposta. Há no Celta do ponto de vista humano duas origens: a origem normanda e anglo-normanda.

Há na Bretanha indivíduos de raça mais bronzeada, de pigmento mais vermelho, talvez vindos da Atlântida, mas são espécimes isolados e raros.

Parece que teria havido entre a Atlântida e a Bretanha francesa uma ilha na qual teriam vivido estas povoações. Do país da Gasconha uma colónia teria emigrado para a ilha de Oléron.

Recordem que a chama céltica é o elemento primordial que deve manter o nacionalismo francês atual, porque a centelha vital da consciência do Francês saiu do Celta.

ALLAN KARDEC.
22 de Maio de 1926.

N° 5. - SOBRE A ORIGEM DA CORRENTE CÉLTICA

A vida dos planetas como a dos indivíduos, deve sofrer fases sucessivas, e, de acordo com estas fases, a homogeneidade dos líquidos é mais ou menos destruída ou respeitada. A vossa Terra entrou na sua rota em contato com uma das grandes correntes que constitui as artérias da vida universal. Esta corrente é extremamente poderosa e vai produzir efeitos diferentes, consoante a natureza dos seres. Os Espíritos de ordem inferior que vagueiam entre o vosso planeta e esta corrente não podem suportar a atração fluídica que se liberta, donde a revulsão automática destes seres para a matéria. A sua influência conduzirá a um recrudescimento das baixas paixões.

Quanto aos terrestres que se comprazem na meditação e apelam às forças, às aspirações superiores, os eflúvios desta corrente atingi-los-ão e é daí que eles receberão intuições e comunicações.

Acrescentarei que esta corrente vital tem a propriedade de manter no espaço a vida peri-espiritual e espiritual, e na terra de iluminar as consciências evoluídas.

Podeis, por conseguinte, constatar na vossa terra, no momento atual, por um lado, uma diminuição de todas as crenças elevadas, e por outro lado, um afluxo de misticismo. É por isso que o vosso estudo sobre o celtismo vem na hora exata e espero que a corrente da qual falo possa ajudar, reanimando as consciências, fazendo brilhar a chama das anterioridades.

Sabeis que um dos principais elementos da vossa raça é o celtismo, que se formou aquando da constituição da terra, quando os primeiros seres aí surgiram. O celtismo é na realidade uma projeção de faíscas provenientes de um dos feixes da vida universal.

Cada raça é influenciada por um feixe diferente, feixe cujas radiações se adaptam a certas partes do solo consoante a sua natureza.

Quando o vosso planeta estava ainda no estado de formação as suas diferentes camadas estavam já em relação direta, por vibrações, com certos feixes das artérias que animam o grande Todo.

É por isso que cada raça conservou basicamente no fundo do seu subconsciente a faúlha geradora que animou as primeiras manifestações da vida. Cada raça possui, pois, qualidades diferentes. O ser deve adquiri-las todas na sequência dos tempos, numa ordem sucessiva e, para isso, ele deve passar pelos meios dominados por tal virtude, ou tal paixão. Observemos que a paixão não é mais uma virtude e que a virtude se altera, logo que o jato fluídico é contaminado por ondas que podem ofuscar-lhe o brilho.

Não vos falarei da composição química das ondas que engendraram a faísca primária que anima cada povo e cada indivíduo. A França sempre guardou a sua chama primitiva. De acordo com o estudo da vossa história e da vossa pré-história a França, apesar de certas deformações, viu persistir através dos séculos, as virtudes da raça. São elas:

1° Atividade cerebral sustentada; 2° consciência no indivíduo do seu automatismo integral; 3° necessidade de misticismo e de ideal, mesmo quando a consciência do indivíduo se desviou; 4° luta constante entre a paixão e o ideal. Tais são as características da vossa raça. Em todo o território reencontramos estas qualidades fundamentais, as paixões são aí mais ou menos idênticas. Na origem foram radiações vindas do oeste que afetaram o vosso país.

Se, do espaço, tivésseis seguido a génese de um mundo, veríeis que antes de ser entregue a si mesmo, uma espécie de rede fluídica levando-lhe o suco alimentador o cercava. O polo vibratório que alimenta a vossa raça ligou-se ao vosso planeta no Sul da Bretanha. Nesta época é verdade, não havia nem a Bretanha, nem a Gália, mas apenas uma cobertura gasosa homogénea, as vibrações estenderam-se do Sul ao norte na forma de leque, e tomaram contato nesta direção com a cobertura gasosa. Este estado de coisas durou durante todo o período de transformação da crosta, e, quando os primeiros seres humanos apareceram, foram impregnados destas radiações.

Esta radiação primária que tocou o vosso país transmitiu-se através das gerações e das existências, porque cada ser transporta consigo no seu subconsciente a faísca vital produzida pela primeira propulsão.

Quer seja nos nossos dias, na Bretanha ou sobre as costas inglesas do sudoeste, reencontramos as mesmas características de aspirações, de ligação ao solo, que provam que as vibrações foram as mesmas em toda esta região, enquanto que quanto mais nos afastamos do centro-oeste, mais constatamos que a pureza do sentimento céltico se enfraquece.

Em resumo, o celtismo corresponde, pois, ao ponto de chegada de uma corrente, extraída das artérias da vida universal, e que penetrou o envoltório terrestre desde a sua formação, até ao centro-oeste. Daí provém as faúlhas vitais sempre latentes na consciência francesa.

ALLAN KARDEC.

N° 6. - A CORRENTE CÉLTICA E O CARÁCTER FRANCÊS.

A raça céltica que, dum modo geral, tinha surgido no vosso globo no oeste da França, estendendo-se para o noroeste, aproveitou as radiações transmitidas pelo feixe vibratório do qual já falámos. Todo o Celta puro devia, pois, estar impregnado das virtudes e pensamentos, provenientes diretamente dos focos superiores. Eles traduziam-se, para os inspirados, Druidas e bardos, por um élan e um regresso à luz do espaço numa erupção de amor, de reconhecimento das alegrias experimentadas nas esferas vibratórias do astral.

À medida que nos afastamos do ponto de encontro deste raio vibratório, as virtudes primárias transmitidas por este raio enfraquecem-se; mas os seres que vão suceder-se sobre a crosta terrestre continuarão a receber, através dos feixes complementares e intermitentes, ainda que, com menos intensidade, as radiações do pensamento superior.

Quanto mais o ser humano se tiver libertado da influência material, do ponto de vista vibratório, mais a sua compreensão se aproximará intuitivamente da vida extraterrestre. Tentemos reconhecer o que permanece através dos séculos da faúlha primitiva, transmitida por reflexo aquando da criação do vosso globo.

Na vossa raça francesa o misticismo deriva da chama céltica com a generosidade particular a esta raça; depois, à medida que subimos do centro para o norte, ele ganha um sentido cada vez mais refletido, mais moderado.

Através dos séculos, estas diversas qualidades fundiram-se para formar a vossa raça francesa. Analisando-o de perto, esta raça tem subdivisões e, se pudésseis ver ao microscópio o que permanece da faísca individual, de essência divina, poderíeis constatar que, do que ela ficou mais fortemente impregnada, foi do misticismo.

Há causas e leis que governam cada indivíduo. Todo o ser humano deve possuir as suas qualidades próprias, as suas vibrações específicas, a fim de receber e de trocar as intuições com os mundos superiores. Se lêsseis na alma de um Bretão, quando ele está em oração, veríeis a pequena chama da sua consciência, vibrar de uma maneira intensa sob o efeito dos raios refratários do solo e que devem alimentar a crença mística.

Se este Bretão, saído do seu ambiente, for colocado em contato com um médium sincero, a sua educação esotérica tornar-se-á fácil e um grande número deles reencontraria em pouco tempo no seu subconsciente a crença pura das existências passadas.

25 de Junho de 1926.

N° 7. - ANALOGIA DO IDEAL JAPONÊS COM O CELTISMO.

O meu país é distante do vosso. Escrevi na minha língua maternalmente humana. Não me compreendestes, os caracteres estavam de cima para baixo, são fonéticos. (O espírito antes de falar tinha traçado sobre a mesa sinais incompreensíveis para nós.) Isso vai dizer-vos um pouco sobre a minha origem. Fui enviado por Allan Kardec para vos dizer que a essência espiritual que anima o povo japonês é idêntica à que impressionou os primeiros Celtas. A espiritualidade é extraída das próprias fontes da luz do espaço. Assim como haveis recebido um raio que juntou o planeta na Bretanha, como vos explicamos, um raio da mesma essência uniu-se na parte do globo que compreende o Japão e irradiou-se até à Manchuria. Nós, Japoneses, adquirimos deste facto a impressão indelével da vida do espaço. A vida terrestre é um sonho, e a grande, elevada, luminosa vida está no meio do éter.

O Japonês, que se preocupa com a sua elevação moral, conserva sempre no fundo da sua consciência a recordação íntima da relação que o une à vida superior. Daí, o nosso culto por Deus e pelos seres evoluídos que povoam o universo sob formas diferentes. Daí, o nosso culto do pensamento, em homenagem aos desencarnados que, de perto ou de longe, formaram a nossa família espiritual e humana.

Quando o espírito vai diretamente, e sem recuos de pensamento, para os focos eminentemente espiritualizados, ele capta noutros pensamentos que são a mudança de perspectivas que devem gerar a evolução moral, e preservar da influência do materialismo. É por isso que os Orientais conservaram o culto dos mortos. É por isso que, do vosso lado, os Druidas evocavam sempre, nos círculos de pedra, os seres que vivem nos diversos planos. Daí, instintivamente a coragem perante a morte, o espírito de sacrifício e o amor da natureza.

A natureza japonesa parece, atualmente, ter perdido a flama mística dos séculos passados. Isso deve-se às trevas que envolvem a vossa terra. Como na origem, as grandes correntes penetravam a nebulosa na sua formação, na hora presente, esta terra, que já não é nebulosa, limita as radiações do espaço e, consequentemente, dá lugar à materialidade sobrepondo-se à iniciação e à fé mística. Eis o que me é permitido dizer-vos hoje para a vossa documentação pessoal. Tenho dificuldade em expressar o meu pensamento, porque não conheço a vossa língua. Foi necessária a ajuda de um espírito assistente para que as minhas formas-pensamento se apresentem claras no cérebro do médium e sejam traduzidas por ele.

Retorno ao espaço livre e satisfeito por ter podido regressar à terra para vos comunicar um pensamento que possa iluminar a flor cujo perfume vai espalhar-se através das páginas do vosso futuro livro.

KASULI.
Antigo preceptor no Tribunal imperial do Japão.
25 de Junho de 1926.

N° 8. - MÉTODOS ESPIRITUAIS DOS DRUIDAS.

Seria interessante dar-vos a conhecer o ponto de contato e as diferenças que existem entre as religiões orientais e o celtismo. Reencontramos no Japão os pontos fundamentais idênticos às correntes vibratórias lançadas na Bretanha.

Tendes noções precisas sobre o celtismo e sabeis que os Druidas e certos iniciados captavam estas vibrações que, menos analisadas que hoje, se traduziam neles por simples intuições.

Durante as cerimónias druídicas, os sacerdotes e as sacerdotisas caíam no estado de transe. A sacerdotisa era o médium dos druidas, melhor preservado, habitando no meio da natureza. Em geral ela era casta.

As populações desta época estavam ao abrigo do materialismo e é por isso que era necessário suscitar a sua imaginação através dos sacrifícios. Os sacrifícios, quer de seres humanos, quer de animais, eram a base das cerimónias druídicas, e eram precedidos de cantos que constituíam outros tantos apelos vibratórios próprios para facilitar as intuições. Certos druidas tinham o poder de provocar a exteriorização dos sujeitos de modo que estes, sob a influência do sono magnético, caminhavam voluntariamente para a morte.

A atmosfera terrestre nesta época e neste canto da França, sob a radiação vibratória da qual vos falei, era mais fluida que a atmosfera dos nossos dias.

Vibrações mais fortes vieram atingir a vossa terra, à medida que a sua carapaça se tornava mais espessa a natureza das vibrações transformou-se. Não podemos sempre, do ponto de vista vibratório, agir sobre o solo como o fazíamos no tempo dos Druidas, devemos limitarmo-nos a influenciar certos temperamentos susceptíveis de armazenar as forças fluídicas veículos do pensamento. Seguindo a evolução do vosso planeta constatareis que os eflúvios perdem o seu carácter volátil para emprestar mais forças vibratórias e é por aí que o cérebro humano chegará, por adaptação científica, a descobrir as fontes da alma universal.

Digo a adaptação científica, e não a ciência pura, porque a ciência deve colocar-se no caminho da orientação espiritualista, e é a consciência, iluminada pela fé, que a guiará para um maior e mais vasto conhecimento.

Para retornar aos Druidas, diremos que recorriam às invocações à natureza para colocar-se num estado de equilíbrio, capaz de fazer-lhes captar as vibrações dos pensamentos superiores. Era certo para eles que o sopro superior existe; que a terra está cercada de forças criadoras, e que a vida não se confinava aos limites das florestas bretãs. Certamente, estas forças não desenvolviam nos cérebros dos habitantes de então geniais invenções que teriam podido conduzir a uma civilização material quase espontânea. Mas o que os Druidas ensinavam já, é que a terra é uma estação que se formou fluidicamente e que deve evoluir, para depois desaparecer.

Os pensamentos dos Espíritos que tocavam os Druidas eram os das individualidades que habitam quer o espaço, quer os mundos já formados. Quando uma terra está em formação e que seres conscientes a devem povoar o primeiro afluxo que recebem é o que lhes dará de maneira imperessível a crença na vida superior e invisível. Esta crença deve transmitir através das gerações a luz da consciência que, do ponto de vista carnal, é necessária para a evolução e o transfert na pluralidade das existências.

Somos levados a falar das raças. Deixamos o druida proceder à iniciação espiritual dos habitantes de uma parte da França. O camponês bretão desta época é naturalmente um primitivo do ponto de vista da civilização humana. Através da história reencontramo-lo, sempre imutavelmente areigado a três grandes princípios: amor pelo sobrenatural, amor pela sua terra, amor pela sua raça. O amor do sobrenatural veio-lhe por este afluxo das radiações transmitidas pelos médiuns dos druidas, que, do ponto de vista humano, impregnou a matéria carnal dum misticismo cultivado por uma imaginação religiosa e uma fé ardente por tudo o que é oculto. Daí um temor da vida futura no caso de impiedade para com o Criador. Daí derivam a ingenuidade mística das multidões e também a elevação sincera que inspira a abnegação nos marinheiros e a resignação de quase todos os habitantes da península de Armor.

A piedade é para o Bretão o laço que sustém o elo da cadeia das vidas. O envoltório carnal do Bretão aspira os eflúvios nutricionais transmitidos pelo solo. Se na sua consciência ele conserva sempre o misticismo e a confiança na força divina ele experimenta uma espécie de gozo em absorver a atmosfera que se liberta do solo da sua Bretanha. Este fenómeno dar-lhe-á o equilíbrio forçando-o instintivamente a permanecer neste solo. A natureza da sua terra-mãe assemelha-se aos braços de uma mãe terna, cujo coração é representado pela fé mística transmitida pelos raios do espaço.

Em resumo, o amor do sobrenatural e o amor do solo natal são os dois principais fatores que constituem a raça bretã. Neste meio no solo ardente e misterioso, rodeado pelo mar, o habitante adquirirá as qualidades superiores do ponto de vista da sensibilidade mística.

A raça bretã é ao mesmo tempo sensível e robusta. A sensibilidade vibratória brotou-lhe do espírito e é do seu solo que lhe vêm um ardor e um misto de selvajaria que se refletirão no seu temperamento.

A natureza armórica cultiva na sua imaginação o culto da lenda, o dos antigos ritos e, apesar das existências sucessivas e das deformações inerentes à civilização, quando chega a morte, o desencarnado bretão transporta consigo os mesmos estigmas impressos há séculos.

A marca do celtismo ficou impressa na raça bretã, como já o disse, por capilaridade através do solo e, através das migrações humanas, a chama céltica é, e permanecerá um dos focos que anima e ilumina toda a França.

ALLAN KARDEC.
9 de Julho de 1926.

N° 9. - VARIEDADE DAS RAÇAS HUMANAS.

Os Celtas foram os primeiros pais da espiritualidade. São as palavras de um dos grandes dignitários da Igreja, Léon XIII, que tive ocasião de encontrar no espaço e que comunicou este pensamento; dou muita importância a esta palavra, ela prova que a visão do espaço é mais clara que a da terra.

A respeito das pretensas origens orientais dos Celtas, certos historiadores enganaram-se. Disse-vos que um raio fluídico tinha atingido o Ocidente na vizinhança da Bretanha, aquando da formação da terra, raio que transmite os elementos necessários da vida universal. Mais do que um raio semelhante atinge o vosso planeta.

Muitas destas correntes tinham fundamentais distintos embora a velocidade das vibrações fosse a mesma. Observem que, se do lado ocidental tem ele a bela luz espiritual céltica, não podemos deixar de constatar que no Oriente, e mesmo no Extremo-Oriente, existe um misticismo muito elevado que pode assemelhar-se nos Japoneses, por exemplo, a certas crenças célticas.

Do ponto de vista da raça há elementos terrestres que estão unidos aos da Bretanha. Consequentemente trata-se de um duplo fenómeno de radiações, os seres humanos, igualmente tocados pelas radiações do espaço e pelas do seu solo natal, podem apresentar as mesmas características, em graus diferentes dos de outras raças. É por isso que existem entre o camponês bretão e o camponês do Sul da Rússia, na Ucrânia, por exemplo, características análogas. Veneração da natureza, fixação ao solo, confiança nativa no sobrenatural. Não há, pois, nada de surpreendente no fato de certos escritores, que não conhecem os fenómenos da vida magnética e extraterrestre, tendo reparado simplesmente nestas analogias, tenham sido levados a reunir muitas raças num tipo único.

Mas pode acontecer que entre dois raios elevados haja o nascimento de seres quase selvagens ou rudimentarmente organizados. Tendes disso uma prova pela presença de raças selvagens, como os Hunos fixados na Hungria; mais ao norte, os povos germânicos, no início estas povoações encontravam-se colocadas a igual distância do raio celta e do raio oriental. Cada raça evoluída encontra-se sob a ação do raio regenerador, seguidamente estende-se em ondas humanas em redor deste raio até que este encontra as ondas vindas de um outro raio. E isso explica as diferenças de raças, porque o raio céltico (cito-o porque está mais perto de vocês) sendo de uma ordem espiritual muito elevada, e o raio oriental sendo-o igualmente, está longe deles, outros raios, tendo uma outra característica, cuja luminosidade é rica em número de cores e cujas vibrações são mais rudes. Estes raios representam a coragem brutal, a força dominadora; tendes disso o testemunho nos Germânicos e nos Húngaros. Daí os choques entre as correntes e consequentemente as lutas de raça. Estas correntes existem sempre, mas transformam-se no decurso dos séculos, dão aos humanos o alimento e a assimilação do pensamento de acordo com o seu grau de evolução e a natureza do seu solo. Certamente os seres humanos colocados entre dois raios superiores podem chegar, quer individualmente, quer em grupo a afirmar-se, e a assimilar mais elementos vibratórios superiores do que no início. É uma questão de consciência no sentido absoluto da palavra e também de elevação pessoal. A natureza dos raios evoluiu muito desde os inícios da vida autónoma do vosso planeta. Os grandes raios espirituais elevados não têm mais a força regeneradora de então e do mesmo modo os raios primários menos espiritualizados transformaram-se; daí as flutuações em cada raça. Encontrais em cada povo eras de elevação espiritual alternando com períodos de ações materiais. É a lei do trabalho absoluto e sem constrangimento.

A França atualmente parece-nos, do espaço, sempre envolvida por raios vindos das esferas muito elevadas, mas que parecem encobertos por uma espécie de vapor originário das emanações terrestres materiais. É por isso que tendes, atualmente, no vosso país, choques que não se produziam nos Celtas que se impregnavam e retiravam as suas diretivas das próprias fontes da natureza. Os dois grandes raios, dos quais falei, continuam a enviar os seus fluidos vitais que devem conservar nas consciências humanas a crença no invisível, na sobrevivência e também na força divina criadora da vida maior.

Na Inglaterra, existe uma dupla corrente que nos indica sempre a proximidade do raio que gerou o celtismo.

1° Confiança da sociedade cultivada na existência do ser invisível; 2° misticismo na classe popular. Os seres refratários a esta dupla corrente permanecem ligados aos gozos materiais e rejeitam a doutrina superior.

Tenho encontrado ultimamente na Inglaterra famílias que possuem ainda uma fé sincera e profunda na bondade divina, aceitando a sobrevivência superior e rezando no silêncio da natureza. Esta família mantinha ainda vivaz a chama céltica, não maculada pelas gerações. Fiquei vivamente impressionado pelos Espíritos vindos junto destas pessoas para preservar a chama da sua consciência. Na Bretanha francesa, a pequena chama existe também, mas é mais vacilante, porque o ambiente das radiações vizinhas, muda o seu movimento para o azul. No Centro da França subsistem nos vossos camponeses parcelas da fé céltica, incrustadas no subconsciente; revelam-se em certos sujeitos por uma expressão de candura e de sinceridade na oração, único elemento que permaneceu das radiações célticas. Nas vossas cidades este elemento desapareceu devido à influência materialista.

O raio celta e o raio oriental não são os únicos raios elevados que devem transmitir a alta espiritualidade aos humanos. Há um muito belo raio na Escandinávia, um outro no Egipto, vindo do golfo Pérsico, e que se prolonga do Norte de África até ao Atlântico. Os raios celtas, escandinavos e orientais são os mais puros. O raio celta é mais etéreo, mas o raio escandinavo possui mais cor. O raio oriental é simultaneamente composto pela cor azulada celta e pelo sol de ouro que representa a força na crença mística.

Os vossos filósofos, os vossos historiadores, foram influenciados pelas analogias que existem entre as influências das diversas correntes e colocaram o berço dos Celtas em diferentes pontos.

ALLAN KARDEC.
23 de Julho de 1926.

N° 10. - O RAIO CÉLTiCO. (Sequência.)

O raio céltico, do qual vos falei, conservou-se através das eras na vossa consciência francesa sob a forma do amor ao solo. Os Druidas possuíam num alto grau esta radiação que fazia deles polos magnéticos que, por refracção podiam transmitir aos seres circundantes a chama mística e superior que tivessem recebido. O seu poder sobre as massas ignorantes foi grande. Num dado momento, por intuição, um certo número de Druidas recebeu a missão de avançar nas terras. Munidos de poderes ocultos impressionaram os bárbaros e transmitiram o seu magnetismo pelo seu encantamento sob a forma do culto, e, consequentemente, a cobertura fluídica expandiu-se mais na Gália.

A passagem dos Druidas é incontestável no Centro da França e em Lorraine. Pode-se dizer que o celtismo é o foco radiante donde saiu a raça nacional gaulesa. Sob a ação dos ritos célticos o homem impregnou-se de misticismo, o seu corpo ficou mais flexível e pôde receber certas vibrações do espaço. Estas vibrações não puderam desenvolver-se gradualmente, porque as gerações não possuíam todas as qualidades de absorção necessária à assimilação dos fluidos.

As vibrações primárias célticas ficaram impressas nas almas. Adormecidas durante a vida de uns despertando nos descendentes de acordo com as suas aptidões.

É por isso que podeis constatar na vossa história impulsos ou retrocessos traduzindo-se na ascensão para o ideal ou na descida para a matéria.

Seres chegados ao mesmo grau de evolução tendo armazenado este mesmo número de vibrações célticas não o exteriorizaram no mesmo momento, nos mesmos lugares. Um Bretão tendo recebido diretamente dos Druidas, no país natal, a faísca céltica transmiti-la-á às suas crianças que a conservarão em estado de ignição até ao momento em que ela se reacenderá sob a forma duma chama insuspeita.

Este momento aproxima-se. Em breve ireis constatar um movimento de espiritualidade constante e duradouro. Deus tem projetos para a terra. Pressentimos grandes coisas, porque o espiritual deve fazer evoluir a humanidade.

ALLAN KARDEC.
20 de Agosto de 1926

N° 11. - MÉTODO DE COMUNICAÇÃO ENTRE ESPÍRITOS E HUMANOS.

Desde a nossa última conversa faltou-me procurar o método mais fácil para infundir num cérebro de médium e aos seres humanos a solução dos problemas que me colocais. Entrei em contato com Espíritos das esferas superiores que me falaram da transmigração dos seres desde a sua origem.

No espaço nós estacionamos numa esfera de média densidade e, de lá chamamos os seres superiores. Eles não vêm sempre porque o seu raio não pode ser suportado por nós, mas o seu pensamento atinge-nos como as ondas da terra atingem o ressoador telefónico.

Assim que a chamada foi ouvida e que os dois seres desencarnados entram em contato, os pensamentos trocam-se sob a forma de cores transmitidas pelas vibrações. Mas, quando pedimos soluções para problemas de uma elevação superior à compreensão dos humanos, nós, desencarnados, assemelhamo-nos aos encarnados correspondendo ao último plano da sua evolução terrestre.

Na terra, tomai dois indivíduos de inteligência e de compreensão diferentes e abordai uma questão desconhecida deles. Ela será compreendida imediatamente por um e não pelo outro e um esforço de adaptação tornar-se-á necessário. Acontece de igual modo no espaço. Por isso eu resolvi o problema da vida psíquica do ponto de vista das reencarnações, a correlação entre a vida humana planetária e a vida dos encarnados.

Mas, o que vós pedis, é a maior precisão possível sobre a molécula primária, ou seja o ponto inicial da vida. Agora é necessário que eu conduza a vós o raio superior que ensina o mistério. Quando este raio chegar até vós, terei a possibilidade de vos informar.

Os mistérios da criação não podem ser revelados a toda a criatura humana. Por isso os seres devem colocar-se em disposições especiais, afim de que as suas vibrações sintonizem com as vibrações superiores.

Será necessário reuni-vos numa câmara fechada, as portadas fechadas. Tomar as instruções à luz de uma lâmpada protegida por um paravento. Antes da sessão banhareis a fronte do médium com o algodão embebido de um pouco de água fresca. Penetrando no médium eu magnetizarei a camada de água e isso servirá de fluído amortecedor.

Receberei então do espaço as vibrações que me farão compreender os problemas. Prometi-vos uma ajuda séria do espaço, tereis a documentação que desejais, se reunirdes os meios para isso. Dado que haveis consagrado a vossa vida à divulgação de uma crença tal como eu mesmo o fiz, tornaste-vos o meu colaborador na terra. Dou-vos toda a minha personalidade fluídica para obter a chave de um problema misterioso. Mas, para isso, é necessário que os raios das grandes esferas vos venham tocar diretamente.

A humanidade não deve transgredir do ponto de vista evolutivo as regras colocadas como bases da vida universal. Para compreender a mínima parte desta vida universal é preciso desenvolver a sua vontade, o seu desejo de ascender para o ideal, penetrar-se de um banho fluídico puro e regenerador.

Há grandes Espíritos que são incapazes de compreender donde e como vieram e para onde vão. Mesmo, se eles o compreendem no espaço, esquecê-lo-iam incorporando-se num médium e por maioria de razão ao reencarnarem na terra para uma nova vida.

Quando penso e reflito no espaço, as vibrações psíquicas de todo o meu ser podem realizar a plenitude das minhas faculdades, mas, logo que eu penetro no médium, estas vibrações diminuem e o meu poder perde muita da sua extensão. Há mundos fluídicos onde a compreensão é mais nítida do que junto de que vós. À medida que a matéria perde o seu poder, o estado psíquico torna-se mais sutil e impregna-se mais facilmente com as radiações da vida universal.

No seu período de formação, a vossa terra foi impregnada com grandes correntes das quais vos falei, e, se os Celtas e os Druidas captaram as vibrações diretas, é porque o vosso planeta estava ainda todo envolvido por vibrações provindas de uma ação superior que se foi se atenuando no decorrer dos tempos.

ALLAN KARDEC.
3 de Setembro de 1926.

N° 12. - ORIGEM E EVOLUÇÃO DA VIDA UNIVERSAL.

Pedistes esclarecimentos sobre certos pontos obscuros da doutrina Druídica. Neste aspecto pus-me em contato com as esferas elevadas afim de obter alguns indícios sobre o foco superior regenerador da vida e do amor. Três círculos, vós o sabeis, formam as bases da doutrina Céltica por consequência o mais elevado corresponde ao foco divino.

Das explicações fornecidas pelos Espíritos superiores resulta que a inteligência humana não deve conhecer o segredo da fonte suprema da vida. Eis o que vos posso dizer segundo as radiações que me chegam. Existe para além dos planos formados pelas criaturas, de acordo com a sua evolução através da sua vida pura, uma esfera totalmente vibratória, sem limites, que mergulha na imensidade do universo, mas que não é sentida senão a partir de certa evolução. Esta esfera vibra e a criatura terrestre que a alcançou percebe-a ainda sob a forma de vibrações da consciência no seu eu interior.

As vibrações do grande foco estão em comunhão com a consciência, e, assim que esta está desenvolvida, o sentido místico também o está igualmente. Ele está em relação direta com a evolução da consciência.

O grande foco vibratório anima todo o universo e de grau em grau cada ser recebe as inspirações e as impressões diretas da fonte à qual chamais Deus sobre a terra.

Tereis um dia a definição exata da palavra Eterna e compreendereis a célula viva inicial deste grande círculo superior vibratório. Mas o vosso cérebro humano explodiria se a chave do mistério aí fosse introduzida. Agora eis o cerne da questão e a admissão do grande círculo superior em que reside o poder criador. As moléculas que daí emanam espalham-se através do espaço como um ramo de fogo de artifício. Espalham-se em ondas que vão formar as centelhas criadoras dos seres. Em redor destas moléculas fundamentais circulam as vibrações que vão formar os focos que representam os mundos. E tudo isto é constantemente recriado.

Todo o sistema criado tem a sua vida própria e subdivide-se ele próprio num sistema específico. Os planetas têm a sua vida, as suas transformações. Os sóis emitem ondas à sua volta. O sistema gasoso forma-se primeiro, seguidamente o mineral, o vegetal, para chegar à criatura humana. Esta, ser pensante, é dirigida pela centelha vinda da grande fonte enquanto que os sistemas minerais e vegetais são criados pelos reflexos de geração secundária.

Tal é a evolução da matéria terminando no envoltório carnal, ao qual se adaptará a vibração inicial da consciência em conexão direta com a centelha suprema. É assim que a projeção se estabelece.

As vibrações do grande Todo não são especiais a uma região como se crê geralmente, mas preenchem todas as regiões do universo. Elas não são perceptíveis para os seres senão na medida do crescimento da sua sensibilidade. As religiões, nas suas concepções de Paraíso e de regiões celestes, apresentam apenas pálidas imagens, enquanto que de certeza as vibrações do pensamento divino animam todo o universo.

Os Espíritos não estão todos em condições de penetrar no azul vibratório porque é necessário um grau suficiente de aperfeiçoamento para perceber e apreciar a beleza e a grandeza da vida superior. Cada sistema planetário tem o seu grau de elevação e, chega um momento em que os seres evoluídos, vivendo nos planetas em vias de progresso, são mergulhados mais diretamente no azul. Os Espíritos comuns roçam os Espíritos luminosos sem os ver; mas em certas condições os Espíritos superiores podem tornar-se visíveis a fim de iluminar os Espíritos menos evoluídos.

Assim que o espírito em vias de evolução pode, pelos seus méritos, entrar em contato com o mundo superior e receber a luz vibratória da fonte suprema, ele recebe uma impressão de força, de poder, e tão depressa o impulso cessa, permanece com a percepção da luz que se junta ao seu grau de evolução. Esta luz traduz-se em milhões de centelhas vibratórias, dotadas de uma radiação intraduzível aos sentidos humanos e que enriquecem o seu perispírito.

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Regressemos à molécula vibratória procedente do círculo de Ceugant, criadora de vida. Ela é toda pureza e luz, é a fonte das criações inferiores, a animadora das vidas sucessivas, são esses os elementos que constituem a vida superior.

Os Druidas foram colocados no vosso globo para aí levarem quanta luz fosse possível deste plano superior que refletia a sua consciência. Nos primeiros tempos a iniciação foi direta dado que a referida consciência era pura.

Esta palavra consciência significa para nós, centro vibratório ainda não maculado e podendo comunicar com o plano divino. É por isso que, no estudo de vossos semelhantes, ainda que os seus atos vos pareçam repreensíveis, se a sua consciência não está destruída, permanece neles um pequeno centro vibratório susceptível de reabilitação.

No início da sua religião, os Druidas gozaram dos benefícios duma comunhão vibratória muito intensa, o que lhes valia o título de Iniciados. Mas, ao contato da matéria, por refração, os ensinamentos druídicos foram deformados pelos homens. As consciências obscureceram-se e as intuições encobriram-se, as iniciações fecharam-se.

Por conseguinte, em graus diversos, a consciência humana está muito impregnada do divino. Conservará ela este património? Ao desencarnar, a alma humana coloca-se na luz que ela pode assimilar, consoante o seu grau de recepção e de conservação das vibrações divinas.

Se, na sequência de uma vida terrestre, a molécula divina é paralisada pela matéria, a progressão é suspensa, a lembrança das paixões materiais perturba a consciência e transporta uma espécie de enturpecimento do ser espiritual. É o que os Druidas chamavam o princípio de destruição, dado que a evolução parou.

Para que a evolução retome o seu curso, é necessário que os Espíritos luminosos dissolvam esta espécie de casca passional fluídica para reavivar a centelha consciente, e, o ser espiritual reanimado, retomará a sua marcha através das suas existências. Numerosos são os espíritos desencarnados que se encontram estacionados na sua evolução.

Assim como a luz perde a sua chama logo que é coberta com cinza, a consciência espiritual retorna ao nada quando está demasiado carregada de matéria, esta não sendo do ponto de vista vital, mais do que o apoio da essência espiritual.

Sabeis que esta matéria é produzida pela velocidade mais ou menos grande das vibrações entre as diferentes camadas de ondas que emanam de um ponto vibratório. Logo que emanam deste ponto ondas espirituais para a formação de um mundo que deverá conter centelhas conscientes, é necessário como consequência, que as moléculas vibratórias mais pesadas, se transformem em matéria.

No decurso da evolução, chega um momento em que a molécula material se refina suficientemente para tornar-se por sua vez uma molécula vital consciente, e isso produz-se quando esta matéria se liberta de um mundo inferior para voltar ao espaço, unir-se às moléculas vitais de luz. Os Druidas tinham disso a intuição dado que dedicaram um culto a certos objetos materiais.

Terminarei dizendo que a centelha vital consciente, uma vez lançada na imensa arena, deve percorrer um ciclo de existências sucessivas através de mundos e de espaços variados porque, tudo o que muda de forma, muda de meio. A marcha da sua evolução está em relação direta com a conservação e o desenvolvimento da molécula vital consciente. Assim que esta forneceu um certo número de etapas num sistema planetário, ela refina-se e continua a subir na escala dos mundos em paralelo com as outras centelhas vitais conscientes.

Há, pois, duas criações paralelas. A criação da centelha vital consciente, que corresponde ao ser humano, e a evolução da matéria constitutiva dos mundos.

ALLAN KARDEC.
15 de Outubro de 1926.

N° 13. FORÇAS RADIANTES DO ESPAÇO; O CAMPO MAGNÉTICO VIBRATÓRIO.

A propósito de uma questão a respeito de um artigo do jornal Matin (3 de Outubro de 1926) anunciando a descoberta de certas radiações do espaço.

Esta descoberta ou experiência é apenas uma orientação, porque deveis, do ponto de vista psíquico, receber os ensinamentos gradualmente a fim de não ficardes perturbados.

Já os Druídas conheciam estas ondas. No meio da natureza as paixões materiais não exerciam uma influência parasitária.

O Druída era iniciado com vista a deixar à história futura documentos que se aproximariam um dia das doutrinas científicas. Podiam assim servir para a elaboração de fórmulas, constituindo no seu conjunto, um ensino superior idealista (alusão às Tríades).

O Druída recebia intuitivamente eflúvios vindos de seres e de origens superiores, e isso através das ondas. Mas seriam necessários séculos para que o ser humano, pelo seu trabalho pessoal, pela sua adaptação científica, pudesse assimilar todas as consequências de fenómenos que não teriam podido ser admitidos na época druídica. Era necessário, entretanto, que a doutrina pura fosse registada pelo ser humano vivendo nessa época no meio da natureza, e conservada através das eras, afim de que, num certo momento, comparando a doutrina idéo-céltica e a doutrina idéo-científica moderna encontrássemos entre elas uma ligação imperessível.

Cedo veremos produzirem-se fenómenos extremamente curiosos para os não-iniciados e fascinantes para os iniciados. Se os diferentes ciclos da doutrina Céltica representam diferentes escalões na ascensão da vida espiritual, a descoberta das diversas espécies de ondas concretizar-vos-á a composição dos diferentes meios e chegará um dia em que recebereis, por uma linguagem conveniente, gamas de cores semelhantes à dos pensamentos.

Quanto mais o meio vibratório for estudado e analisado, mais tereis a possibilidade de conhecer e de captar as forças exteriores ao vosso globo.

Nós mesmos, que estamos no espaço, concebemos a marcha da vida de uma maneira muito diferente da vossa. Sabemos que as vibrações vos são transmitidas, que o vosso ser humano as recebe, armazena algumas, mas que os vossos sentidos específicos são demasiado inferiores para permitir-vos exteriorizá-las. O campo magnético vibratório vai revelar-se-vos pouco a pouco. Não é necessário que procureis apreender a chave do problema de só um golpe, porque o vosso cérebro físico desagregar-se-ia. O Druida, imunizado até certo ponto, estava em relação quase direta com as forças superiores que, nessa época, tinham um afluxo maior do que nos tempos modernos. Era preciso que nesse momento a vida fosse simples, rústica e que a base espiritual se estabelecesse firmemente afim de que gradualmente a arte e a ciência viessem ajudar-vos a desenvolver a matriz que vos mostra alguns lados da organização universal.

A ciência não podia existir sem que a centelha geradora tombasse do alto já que todo o problema artístico ou científico, tem como base uma parte de intuição, sendo esta última de ordem divina.

O Druída respirou a atmosfera pura no meio da floresta, o cimo das árvores atraía as camadas vibratórias que cercavam e cercam o vosso planeta. Em frente da floresta, havia o mar que servia de condutor ao outro polo magnético, ou seja do ponto de vista psíquico para reforçar e estabilizar o conjunto. Era necessário por outro lado que a grande massa fluídica encontrasse o seu equilíbrio sobre a terra e sobre as águas.

O Druída, quando olhava o mar, era por sua vez banhado pelas ondas vindas da floresta e refletindo-se como um espelho sobre a toalha líquida. É assim que a intuição lhe veio da existência dos ciclos que conheceis. Resumindo, sabeis que a onda é uma sucessão de círculos do ponto de vista vibratório.

Ser-vos-á dito um dia porque razão o Druída tinha esta intuição e porque na obra divina ela não se concretizou senão vários milhares de anos mais tarde. Podereis observar que o movimento céltico por um lado, os movimentos cristão e budista-índu por outro surgiram em países ao mesmo tempo montanhosos, arborizados e vizinhos do mar.

Se o Druída amava a floresta, o Cristo amava a colina. Por isso, podeis daí deduzir o fenómeno científico real de que a onda se presta melhor à captação num meio elevado que nos baixios, e, que a vizinhança do mar ajuda fortemente à sensação das camadas vibratórias. A água capta o pensamento e depois transmite-o, é necessária à fecundação da terra, é um fato que considerais do ponto de vista material e nós, do ponto de vista espiritual.

As forças vindas dos espaços são absorvidas pela vossa terra graças aos lençóis de água, a à vegetação luxuriante, as montanhas, as colinas, as planícies e cada ser humano pode ser impressionado por estas ondas. Haveis tido disso o testemunho estudando de perto a doutrina céltica. Falei-vos dos raios que vieram banhar a lande e a floresta bretã, raios, toalhas de ondas que igualmente se espalharam sobre diferentes partes da vossa terra. Mas devo acrescentar que a vossa raça francesa deve em grande parte a sua orientação às camadas de ondas recebidas no oeste do vosso país.

O Druida pelos seus encantamentos, pela forma do seu culto atraía as forças invisíveis e sentia os seus efeitos sob a forma de toques fluídicos. Hoje, esta sensibilidade desapareceu para a maioria dos humanos. É necessário encontrar-se, em condições especiais para poder, como o Druída, sentir o afluxo exterior.

Podeis dizer que a palavra Celtismo representa, para o homem moderno, a forma concreta de uma doutrina tendo por base a assimilação, a concentração, o desenvolvimento e a erupção de forças, formando parte integral do movimento cósmico.

Vivi nessa época e posso afirmar-vos que nos tempos druídicos o ser humano sentia esta força radiante que na sequência dos séculos foi preciso adaptar cientificamente – só possuo esta palavra - ao seu envoltório carnal. Podia assim aprender a ler, a analisar e a dissociar as partes impalpáveis e vibratórias susceptíveis de dar-lhe alguns esclarecimentos sobre o mistério da criação. O Druida, pela sua iniciação era capaz de compreender o papel das camadas de ondas, mas, tinha em redor dele uma massa humana primitiva muito pouco evoluída para perceber a sua ação. De acordo com a vontade superior convinha nessa época depositar uma centelha que, nos Druidas, se traduzia pela compreensão da evolução universal. E gravando-se inicialmente e com profundidade a majestade desta evolução, a essência da doutrina permaneceria latente através dos séculos. Esse era o objetivo do Druidismo que devia ser o detentor do conhecimento das forças superiores.

Restava propagar, por entre o maior número possível de humanos, a autenticidade desta revelação. Dois fatores ajudaram à sua difusão: a teoria das existências sucessivas e as perturbações materiais e morais que se repartem através da vida dos seres e dos mundos.

Atualmente, haveis visto no decurso da história as paixões nascerem, crescerem e diminuírem consoante as alternativas de progressão e de regressão e através dela o ser humano elevar-se do estado selvagem ao estado atual.

As artes floresceram, mas o seu desenvolvimento foi obstruído pela atrocidade das guerras. Resumidamente, após os inúmeros fluxos e refluxos conseguis hoje fazer penetrar em certos cérebros a ideia de que a natureza e o ser humano são campos de observação magnética que, em certas condições, vibram e comandam no sentido em que são as máquinas estáticas da ordem universal.

O homem moderno evoluído retirará as suas conclusões partindo da ação das forças superiores e tornar-se-á comparável à antena das vossas telegrafias sem fios. Não está longe o dia em que ficareis convencidos de que o infinito é o próprio Deus e de que a vida universal circula por toda a parte, sendo os espaços unicamente campos vibratórios radiantes.

ALLAN KARDEC.
29 de Outubro de 1926.

N° 14. - O CELTISMO E A NATUREZA. A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO.

O Celtismo é o símbolo de um pensamento emanado do infinito e transmitido por correntes oriundas das artérias da vida universal. É uma das formas evolutivas da vida vibratória do espaço. As árvores ajudaram enormemente à aspiração destas vibrações. O solo e as plantas que aí se encontram trabalharam no mesmo sentido.

O ser humano irá também aspirar-lhe estas vibrações? O Druida vivendo no meio da natureza, adaptando-se, pelas suas aspirações, à vida do espaço, é um dos primeiros seres que registou as vibrações sob a forma de intuições. Mas o Druida era um ser ligeiramente especial, animado de uma fé ardente. Afastava-se em larga medida da vida material, ambiental. Era um ser evoluído, mas os seres rudimentares vivendo à sua volta precisarão de séculos antes de ser capazes de aspirar as ondas do espaço.

Percorrendo a história, podereis constatar que as flutuações morais alternaram com as flutuações materiais. Assim como os Druidas tinham em consideração o fluxo e o refluxo do mar, as civilizações humanas inspiram-se do fluxo e do refluxo do pensamento.

Pela lei das reencarnações as hordas humanas não estão no mesmo estádio evolutivo, por isso não aspiram a um mesmo nível as ondas do espaço.

Houve por isso retrocessos desde os Druidas. Foi necessário vigiar o ser humano, infundindo-lhe primeiramente o Cristianismo em seguida o culto da beleza pelas Artes e pelas Letras. Enfim, o ponto de vista científico desenvolveu-se e o Celtismo e a ciência vão fatalmente conseguir reunir-se.

A doutrina céltica, na sua pureza e na sua beleza, é como a essência do ensino inspirado pela fé na vida superior. Através da história o ser humano foi tocado em diferentes épocas, por inspirações geniais e, se aproximardes do ensinamento do Druida a recepção intuitiva de pensamentos superiores mais ou menos modernos, podereis encontrar aí uma correlação.

Fazendo caminhar a par da civilização humana e a elevação do pensamento, tomando como ponto de partida o ponto de vista céltico, vereis que em todos os grandes momentos da história, a centelha mais ou menos genial da vossa raça se alimentou nas fontes puras do Celtismo. Mas, com o fluxo e o refluxo do pensamento, esta centelha foi encoberta em diferentes momentos pela falta de homogeneidade dos seres que vivem em certas épocas. Há uma lei que quer que a progressão na encarnação não seja sempre constante. Mas na criação de um mundo há sempre elementos imperessíveis emanados da vida universal.

Os primeiros Druidas inculcaram nas populações uma fé bastante viva através de exemplos retirados da natureza, mas, num dado momento, a fé obscureceu-se e foi contestada. A sua forma alterou-se ao longo das épocas, mas, se analisardes todas as religiões, aí encontrareis sempre a essência do divino que anima incontestavelmente a pura doutrina céltica.

A partir daí, o Celtismo reconhece a existência de uma fonte superior que influenciará em condições racionais o ser humano habitando o vosso globo. Como o Druida foi tocado pelas ondas do espaço, a fé, sob múltiplas formas, tocou os indivíduos através das épocas e agora, a fé e a ciência devem encontrar-se.

Agora posso dizer-vos que o ser humano, após um certo número de encarnações, e assim que possui uma sensibilidade constante e equilibrada, recebe diretamente os pensamentos transmitidos por ondas do espaço e completando o seu livre arbítrio, mas é preciso que ele tenha atingido um desenvolvimento superior para receber estas vibrações. Ele deve desembaraçar-se das emanações materiais que se libertarão do seu ser e paralisam a marcha do fenómeno de recepção. Se o Druida recebia quase diretamente as intuições, é porque ele as retirava das próprias fontes da natureza.

Era por destinação um iniciado. Através das épocas estes iniciados reencontraram-se. Poderíamos chamá-los os néo-druidas. Não avanço demasiado dizendo-vos que nos anos que se vão seguir, se a fé ardente não penetra em certos indivíduos, pelo menos registareis com a ajuda do vosso trabalho científico, fenómenos surpreendentes. Atualizareis a marcha ascendente e descendente dos rastos de ondas extra-planetárias.

Os Druidas ensinaram a existência destas forças desconhecidas. As vibrações de amor para a fonte divina, a figuração da natureza sempre animada foram os primeiros indícios de que tudo no universo é regido pelas leis superiores. As vibrações harmónicas mantêm a vida e fazem derramar através dos seus elos a luz que iluminará o mistério da vida superior e divina.

A doutrina materialista baseada unicamente na ciência naufragará. A doutrina espiritualista baseada na fé e na experiência deve ajudar à iniciação progressiva. É preciso que a inspiração gradual dada pela fé espiritualista caminhe em conjunto com a ciência. A ciência é o farol e a fé é a luz que o ilumina.

ALLAN KARDEC.
26 de Novembro de 1926.

N° 15. - JEANNE D'ARC, ESPÍRITO CELTICO, ANUNCIADO POUR JULES MICHELET.

Amei a França, a minha alma iluminou-se com um ideal superior. Consignei as minhas observações na minha História da França. Com a ajuda de Jeanne d’Arc que eu tinha glorificado, este ideal ajudou-me a desencarnar, a reencontrar o meu caminho na luz celeste. Este espírito que, até agora, apelidáveis de “o espírito Azul” é sinónimo para vós, de espírito de luz, de patriotismo e de amor. Pronunciando o seu nome senti os eflúvios radiantes que indicam que Jeanne d’Arc tinha a possibilidade de descer até vós e de intervir na vossa próxima sessão.

O Celtismo, do meu ponto de vista, é a faúlha embrionária absolutamente necessária à radiação da vida nacional francesa. É graças a esta radiação de essência divina que a molécula que se transmite através das gerações francesas não é destruída. A alternância dos regressos de cepticismo e de materialismo com as efusões de luz idealista constitui um jogo das leis da reencarnação.

Jeanne d’Arc  encarna ao mais alto grau esta alma céltica que, de uma maneira fundamental, se inspira em três grandes elementos: a fé na força divina, a fé na vida que renasce através dos espaços e a sensação dos seus reflexos na criatura francesa. O que se traduz pelo patriotismo nacional e o amor do Deus criador. Jeanne d’Arc recebeu durante toda a sua vida de missionária a radiação emanente das moléculas de ordem divina. Se os olhos da sua carne recusavam ver a luz astral, o seu subconsciente estava iluminado pela vida celeste. É por isso que ela teve uma força genial e que transformou a inspiração num ideal de beleza e de amor. Jeanne como missionária e como francesa veio dar às massas bárbaras, desorientadas e desagregadas, a iniciação que devia servir-lhes de viático. Através das épocas e das gerações é necessário, de longe em longe, que um polo tão poderoso como puro receba as vibrações que formam a corrente da vida universal. Desde os tempos mais recuados, grandes Iniciados vieram aos mundos; tivestes na vossa terra Buda, o Cristo e Jeanne d'Arc.

O Celtismo é uma das formas da vontade divina dado que a sua doutrina emana diretamente dos focos superiores e que os Druidas foram, no vosso solo, os primeiros seres capazes de compreender e de transmitir as impressões e os ensinamentos recebidos pela iniciação, capazes também, pela radiação, de espalhar um ensino salutar sobre as massas populares.

Jeanne d’Arc foi inspirada pelas suas vozes do Bois Chenu. Ela recebeu de Espíritos superiores os ensinamentos que fizeram dela a heroína sagrada. O Druida, com o seu foicinho de ouro na mão, não via os anjos do Bois Chenu, mas recebia o pensamento através da luz divina, ou seja, era a impressão sentida pelo Druida. Ele entrava em êxtase inspirando-se na natureza, e via num dado momento todo o seu ser entrar em vibração. Sentia-se como erguido da terra e a sua personalidade física era envolvida por um círculo de eflúvios ao mesmo tempo quentes, suaves e fortes, o que podeis traduzir em linguagem moderna por atração extática, vibração constante e recepção de ondas radiantes em todo o ser humano. O Druida em realidade não era senão um médium dotado de faculdades psíquicas e morais muito desenvolvidas.

Em certos momentos o Druida, não só sentia a influência astral, como via também as luzes, os vapores e as condensações fluídicas. Vivendo na vossa época atual, devido ao avanço da ciência, poderia melhor explicar-se e assimilar-se todos estes fenómenos, mas no seu tempo tudo lhe pareceu maravilhoso. Como não via senão condensações de vapores, ele tinha a impressão que um primeiro círculo lhe escondia outras luzes.  E logo que sentia uma transmissão do ponto de vista da iniciação, parecia-lhe que um ciclo escondido ocultava a presença da força das forças e que devia inclinar-se perante esta vontade desconhecida. Após essas impressões dissipadas, uma espécie de torpor, de abatimento, de entorpecimento sucedia ao êxtase e a vontade do ser humano, animada por um desejo formado antes do nascimento, procurava no Druida a força para continuar o ensinamento e para espalhar em seu redor a fé nascente. Além disso, em geral, o Druida tinha o dom de exteriorizar radiações que influenciavam os seres que o cercavam. Jeanne d’Arc recebeu as mesmas impressões que o Druida, mas num sentido ainda mais elevado.

O reconhecimento dos três ciclos alterou-se em planos bem distintos, o plano de ordem divino que espalha a sua luz e anima os grandes Espíritos, o todo envolvido de uma luz mais ou menos viva que toca as criaturas sob a forma da graça; o terceiro plano perto da terra é mais humano. Jeanne d’Arc foi, pois, na sua época a grande iniciadora Celta, dado que veio em missão para espalhar em seu redor a fé que deve salvar na abnegação, a dor e a renúncia; a sua radiação humana foi grande, a sua radiação espiritual é imensa. Cada parcela fluídica que emana da sua alma tem o dom de reter através dos espaços os raios de luz superior que representam o astral divino e, quando o pensamento de Jeanne toca um ser humano, assemelha-se a uma lantejoula de ouro esmaltado sobre a qual brilha uma gota de luz divina.

Jeanne veio na sua hora para revivificar uma atmosfera viciada pela indolência, pelo gozo e pelo materialismo. Se o Druida deu o piparote inicial, Jeanne d’Arc revivificou, no seu tempo, a fenda de uma luz que se escurecia, filtrada por vitrais, obscurecida pela franja de paixão e de matéria.

É necessário, pois, associar a luz de Domrémy às luzes do Armórico. De resto os Druidas não residiram somente na Bretanha, mas chegaram até às vertentes do Vosges.

Concluo inclinando-me profundamente perante Jeanne já que ela extraiu do seu solo regional a herança céltica transmitida pelas gerações.

A fé divina está acima de tudo; grandes missionários vos farão compreendê-lo, o amor por Deus, o amor pela humanidade e o amor pelo país são as essências das vibrações célticas.

JULES MICHELET.
10 de Dezembro de 1926.

N° 16. - O CELTISMO NA CONSCIÊNCIA FRANCESA.

Não é sem emoção que volto a esta terra onde vivi desgastando-me em prol da minha pátria e donde parti para as esferas de Deus. Fazeis um livro sobre o Celtismo e eu tenho de dar-vos o meu parecer sobre este assunto, porque, vos devo um pouco de reconhecimento por terdes escrito a minha modesta vida. Grata, rogo a Deus e seus eleitos, de todo o meu coração que vos abençoe e que vos dê as intuições que permitem à alma desabrochar na beleza e na luz dos céus.

O Celtismo é a centelha animadora da fé superior no ser colocado sob a sua ação; neste acontecimento, esse ser é o Francês. O Celtismo representa, pois, a molécula inicial que fez nascer nos nossos antepassados o conhecimento do infinito. Foi um dos raios trazendo para a terra a lembrança do passado criador. Fé religiosa, ardor na evolução do ser, trabalho da consciência através da história. Tais são os princípios recebidos pelos Druidas e transmitidos pela palavra às famílias que os cercavam.

Descendo ao fundo das nossas consciências aí encontraremos a raiz do bem e o mal, e é ainda ao Celtismo que devemos o livre arbítrio na evolução francesa. Devemos-lhe o livre arbítrio no sentido em que, recebendo a iniciação superior, e não podendo mais negar o conhecimento de Deus, o nosso ser ficará impregnado deste fluído supra-vital que tocou o Druida e espalhar-se-á sobre as criaturas. Seguindo a marcha da história houve deformação da primeira iniciação, mas não podemos negar que foi o Druida que transmitiu o raio superior na parte do planeta que nos interessa. Cantando a glória das esferas invisíveis, recebendo a luz, revelou-se o duplo sentimento do amor de Deus e do patriotismo integral.

Se o Celtismo nos revelou a luz divina, se esta luz faz vibrar as nossas consciências e os nossos corações, é porque estes corações regados de uma fé mística devem espalhar à sua volta, as virtudes e os benefícios recebidos. O raio céltico ensina-nos também a amar o solo natal e um sentimento que os resume a todos nasceu desde esse tempo; ele só se desenvolverá mais tarde e de acordo com os acontecimentos: o amor do país, o patriotismo.

Luz divina descida sobre nós pelo mesmo raio que tocou os Druidas, tu conseguiste fazer agir o ser humano no sentido mais brilhante. Os corações sentiram um élan maravilhoso para mergulharem no éter astral. Entre primeiro raio que tocou o Druida e os impulsos desinteressados e generosos que animam a criatura há uma correlação muito estreita.

Era necessário que o solo da França fosse banhado pelas vibrações cósmicas. O raio céltico deu a impulsão e forma como que uma das malhas da rede que cerca a terra e deve manter entre ela e o espaço uma comunhão inter-vibratória que é a prova da vida universal.

Luz de Deus vinde tocar o solo da França, tu que foste transmitida pelo antigo Druida, derrama-te sobre a criatura e infunde no seu coração as nobres virtudes; liberta dos seus sentidos as moléculas materiais que obscurecem o seu espírito e paralisam o seu desenvolvimento em direção ao infinito. Do ponto de vista idealista, luz do espaço, flocos de amor saídos do coração do mais Alto, o Druida recolheu-te, que as tuas radiações permaneçam intimamente ligadas à criatura de França. Desde esta época de primeiro contato o raio céltico continua a vibrar, mas a matéria infelizmente obscureceu-o. Virá certamente um dia em que as consciências se libertarão da roupagem material. O Celtismo como no tempo dos Druidas retomará então toda a sua atividade, mas, enquanto esperamos, é preciso socorrermo-nos das almas generosas que, bem intuídas, espalham em seu redor o amor de Deus transmitido pelas vibrações do espírito céltico. Ó minha França bem amada, respira este azul fecundo. Que Deus não te abandone nunca; que as naturezas de elite te deem a sua alma e o seu coração. Que um movimento de generoso desinteresse abra ao ser humano os horizontes de luz sem limites. As ondas que, a cada segundo, invadem o planeta, emanam do raio que, em todo o território da França se pode chamar Céltico. Que o maná divino, que as ondulações criadas pelas esferas de luz se espalhem sobre todos os corações franceses. Muitas consciências o sentem, mas eu desejaria que o número se generalizasse e que Deus comungasse pelas vibrações do seu coração com o coração dos meus irmãos amados que serão um dia os iniciados no reino de Deus.

Abençoado seja o Druida, primeiro sacerdote, primeiro apóstolo do país de França. Graças à sua inspiração os espíritos desencarnados puderam banhar-se nas taças que difundem a luz de Deus. Que as vibrações do espírito céltico não parem nunca. Que o horizonte se ilumine sobre o nosso belo país; que as almas mais doces, mais ligeiras sejam mais impulsionadas para vós, ó meu Deus.

Que este livro, escrito com sinceridade e uma elevação de consciência, absolutas, permita a todos os Franceses dirigir as suas almas para o Infinito. Que a luz céltica se alie à fé em Deus, todo-poderoso, e na Mãe terra, símbolo da pátria que representa o reino de Deus, sobre a terra.

Deus é a luz superior, a vida inicial, a grandeza eterna. Estudando, analisando o Celtismo, esta força crescerá; um desejo de compreender as leis da vida universal apoderar-se-á da criatura humana. Desejo de todo o meu coração que a fé céltica reavive a esperança em cada coração humano e, se o autor deste livro conseguiu fazer compreender que a fé é um dos mistérios da criação, uma centelha de luz divina terá tocado o leitor e ter-lhe-á feito compreender que Deus não o abandonará jamais.

JEHANNE DE DOMREMY (Espírito Azul).

DENIS, L. Mensagens Devidas aos Invisíveis. In: O Gênio Céltico, cap. 13