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Este é um ambiente dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa atual reencarnação para aprofundarmos o nosso autoconhecimento e ajudarmos outros irmãos que também necessitam de esclarecimento, e assim nos tornarmos cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva, adquirindo mais conhecimentos e experiências através dos quais possamos construir as “sinapses” capazes de nos “revelar” novas realidades, ou melhor, de nos revelar a verdadeira realidade, abandonando as ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O Grande Enigma, Léon Denis, Capítulo III - Solidariedade - Comunhão Universal

O GRANDE ENIGMA

CAPÍTULO III - SOLIDARIEDADE - COMUNHÃO UNIVERSAL

Deus é o espírito de sabedoria, de amor e de vida, o poder infinito que governa o mundo. O homem é finito, mas tem a intuição do infinito. O princípio espiritual que traz em si incita-o a perscrutar problemas que ultrapassam os limites atuais de seu entendimento. Seu espírito, prisioneiro na carne, dele se desliga, às vezes, e eleva-se aos domínios superiores do pensamento, de onde lhe vêm estas elevadas aspirações, muito frequentemente seguidas de recaídas na matéria. Daí tantas pesquisas, ensaios e erros, a tal ponto que seria impossível distinguir a verdade no amontoado dos sistemas e das superstições que o trabalho das eras acumularam, se as potências invisíveis não viessem iluminar nesse caos.

Cada alma é irradiação da grande alma universal, uma centelha emanada do foco eterno. Nós, porém, ignoramos a nós mesmos, e esta ignorância é a causa de nossa fraqueza e de todos os nossos males.

Estamos unidos a Deus na relação estreita que liga a causa ao efeito, e somos tão necessários à sua existência quanto ele é necessário à nossa. Deus, Espírito Universal, manifesta-se na Natureza, e o homem é, na Terra, a mais elevada expressão da Natureza. Somos a obra e a expressão de Deus, que é a fonte do bem. Mas esse bem, nós o possuímos somente em estado de gérmen, e nossa tarefa é de desenvolvê-lo. Nossas vidas sucessivas, nossa ascensão na espiral infinita das existências, não têm outro objetivo.

Tudo está escrito no fundo da alma em caracteres misteriosos: o passado, de onde emergimos e que devemos aprender a sondar; o futuro, para o qual evoluímos, futuro que edificaremos nós próprios como um monumento maravilhoso, feito de pensamentos elevados, de nobres ações, de devotamentos e de sacrifícios.

A obra que a cada um de nós cabe realizar resume-se em três palavras: saber, crer, querer; quer dizer: saber que temos em nós recursos incalculáveis; crer na eficácia de nossa ação sobre os dois mundos, o da matéria e o do espírito; querer o bem dirigindo nossos pensamentos para o que é belo e grande, conformando nossas ações às leis eternas do trabalho, da justiça e do amor.

Saídas de Deus, todas as almas são irmãs; todos os filhos da raça humana estão unidos através de laços estreitos de fraternidade e solidariedade. Assim, os progressos de um de nós são sentidos por todos, assim como o rebaixamento de um único afeta o conjunto.

Da paternidade de Deus decorre a fraternidade humana; todas as relações que nos unem, prendem-se a este fato. Deus, pai das almas, deve ser considerado como o Ser consciente por excelência, e não, como uma abstração. Mas aqueles que possuem uma consciência reta e estão esclarecidos por um raio do Alto, reconhecem Deus e o servem na Humanidade que é sua filha e sua obra.

Quando o homem chegou ao conhecimento de sua verdadeira natureza e de sua unidade com Deus, quando essa noção entrou em sua razão e no seu coração, ele se elevou até a verdade suprema; ele domina do Alto as vicissitudes terrestres; encontrou a força que “soergue as montanhas”, que o torna vencedor na luta contra as paixões, faz menosprezar as decepções e a morte. Ele efetuou o que o vulgo chama prodígios. Pela sua vontade, pela sua fé, ele submete, governa a substância; ele rompe as fatalidades da matéria; torna-se quase um deus para os outros homens. Vários, em suas passagens neste mundo, chegaram a essas elevações de vistas; apenas o Cristo disso compenetrou-se, ao ponto de ousar dizer à face de todos: “Eu e meu Pai somos um; ele está em mim e eu estou nele”.

Essas palavras não se aplicavam, todavia, apenas a ele; elas são verdadeiras para a Humanidade inteira. O Cristo sabia que todo homem deve chegar à compreensão de sua natureza íntima, e é nesse sentido que ele dizia aos seus discípulos: “Vós sois todos deuses”.16 Ele poderia ter acrescentado: deuses em processo!

É a ignorância da nossa própria natureza e das forças divinas que dormem em nós, é a ideia insuficiente que fazemos de nosso papel e das leis do destino, que nos submetem às influências inferiores, ao que nós chamamos o mal. Na realidade, trata-se aí apenas da falta de desenvolvimento. O estado de ignorância não é um mal em si mesmo; é apenas uma das formas, uma das condições necessárias da lei de evolução. Nossa inteligência não está madura; nossa razão, criança, tropeça nos acidentes do caminho; daí o erro, as falhas, as provas, a dor. Mas todas essas coisas serão um bem, se as considerarmos como tantos meios de educação e de elevação. A alma deve atravessá-las para chegar à concepção das verdades superiores, à posse da parte de glória e de luz que fará dela uma eleita do céu, uma expressão perfeita do Poder e do Amor infinitos. Cada ser possui os rudimentos de uma inteligência que atingirá o gênio, e ele tem a imensidade dos tempos para desenvolvê-la. Cada vida terrestre é uma escola, a escola primária da eternidade.

Na lenta ascensão que conduz o ser para Deus, o que buscamos antes de tudo, é a felicidade, a ventura. Entretanto, no seu estado de ignorância, o homem não saberia atingir esses bens, pois ele os procura quase sempre onde eles não estão, na região das miragens e das quimeras, e isso por meio de processos cuja falsidade não lhe aparece senão após muitas decepções e sofrimentos. São esses sofrimentos que nos esclarecem; nossas dores são lições austeras; elas nos ensinam que a verdadeira felicidade não está nas coisas da matéria, passageiras e mutáveis, mas na perfeição moral. Nossos erros e nossas faltas repetidas, as fatais consequências que arrastam, terminam por nos dar a experiência, e esta nos conduz à sabedoria, quer dizer, ao conhecimento inato, à intuição da verdade. Tendo chegado a esse terreno sólido, o homem sentirá o laço que o une a Deus e ele avançará com um passo mais seguro, de etapas em etapas, para a grande luz que não se apaga jamais.

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Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente. O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade.

Os mundos perdidos nas profundezas do éter, os astros que, entrecruzam seus raios prateados, conhecem-se e se respondem. Uma força a que nós nomeamos atração os une através dos abismos do Espaço.

Assim, na escala da vida, todas as almas estão unidas por relações múltiplas. A solidariedade que as une está fundamentada na identidade de sua natureza, na igualdade de seus sofrimentos através dos tempos, na similitude de seus destinos e de seus fins.

Como os astros dos céus, todas essas almas se atraem. A matéria exerce sobre o espírito seus poderes misteriosos. Assim como Prometeu17 sobre sua rocha, ela o acorrenta aos mundos obscuros. A alma humana sente todas as atrações da vida inferior; ao mesmo tempo, percebe o apelo da vida elevada.

Nessa laboriosa e penosa evolução que arrasta os seres, há um fato consolador sobre o qual é bom insistir: é que em todos os graus de sua ascensão, a alma é atraída, auxiliada, socorrida pelas Entidades Superiores. Todos os espíritos em marcha são ajudados pelos seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, aqueles que estão colocados abaixo deles.

Cada individualidade forma como um anel da grande corrente dos seres. A solidariedade que os une pode bem restringir um pouco a liberdade de cada um deles, mas se essa liberdade é limitada em extensão, ela não o é em intensidade. Por mais limitada que seja a ação do anel, um só de seus impulsos pode agitar toda a corrente.

É uma coisa maravilhosa essa fecundação constante do mundo inferior pelo mundo superior. Daí vem todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. Deus, na sua equidade, não recusou seu socorro nem sua luz a nenhuma raça, a nenhum povo. Enviou a todos guias, missionários, profetas. A verdade é uma e eterna; penetra na Humanidade através de irradiações sucessivas, à medida que nosso entendimento se torna mais apto para assimilá-la.

Cada nova revelação é uma continuação da antiga. Aí está o caráter do Espiritualismo Moderno, que traz um ensinamento, um conhecimento mais completo do papel do ser humano, uma revelação dos poderes nele ocultos e também de suas relações íntimas com o pensamento superior e divino.

O homem, espírito encarnado, esquecera seu verdadeiro papel. Sepultado na matéria, ele perdia de vista os grandes horizontes de seu destino; ele desdenhava os meios de desenvolver seus recursos latentes, de se tornar mais feliz, tornando-se melhor. A nova revelação vem lembrar-lhe todas essas coisas. Ela vem sacudir as almas adormecidas, estimular sua marcha, provocar sua elevação. Ela clareia os recantos obscuros de nosso ser, nos fala de nossas origens e de nossos fins, explica-nos o passado pelo presente e nos abre um porvir que estamos livres para fazer grande ou miserável, conforme nossos atos.

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A alma humana não pode, realmente, progredir senão na vida coletiva, trabalhando em proveito de todos. Uma das consequências dessa solidariedade que nos liga, é que a visão dos sofrimentos de uns perturba e altera a serenidade dos outros.

Também é a preocupação constante dos espíritos elevados, de ir levar às regiões sombrias, às almas atrasadas nos caminhos da paixão e do erro, as irradiações do seu pensamento e os impulsos de seu amor. Nenhuma alma pode se perder; se todas sofreram, todas serão salvas. No meio de suas provações dolorosas, a piedade e a afeição de suas irmãs as abraçam e as arrastam para Deus.

Como compreender, com efeito, que os espíritos radiosos possam esquecer aqueles que amaram outrora, aqueles que partilharam suas alegrias, seus cuidados e ainda sofrem nas sendas terrestres? O lamento daqueles que sofrem, daqueles que o destino ainda arrasta para os mundos atrasados, chega até eles e suscita sua compaixão generosa. Quando um desses apelos atravessa o Espaço, eles deixam as moradas etéreas para derramar os tesouros de sua caridade nos campos dos mundos materiais. Como as vibrações da luz, os impulsos de seu amor se propagam na imensidão, levando a consolação aos corações entristecidos, derramando sobre as chagas humanas o bálsamo da esperança.

Às vezes, também, durante o sono, as almas terrestres, atraídas pelas suas irmãs mais velhas, lançam-se com força para as alturas do Espaço para impregnar-se dos fluidos vivificantes da pátria eterna. Ali, espíritos amigos as cercam, as exortam, as reconfortam, acalmam suas angústias; depois, apagando pouco a pouco a luz em torno de si, a fim de que as recordações pungentes da separação não as oprima, eles as reconduzem às fronteiras dos mundos inferiores. Seu despertar é melancólico, porém suave; e, embora esquecidas de sua estada passageira nas regiões elevadas, elas se sentem reconfortadas e retomam mais alegremente as cargas de sua existência neste mundo.

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Nas almas evoluídas, o sentimento da solidariedade torna-se bastante intenso para se transformar em comunhão perpétua com todos os seres e com Deus.

A alma pura comunga com a Natureza inteira; ela se embriaga com os esplendores da obra infinita. Tudo: os astros do céu, as flores do prado, a canção do riacho, a variedade das paisagens terrestres, os horizontes longínquos do mar, a serenidade dos Espaços, tudo lhe fala uma linguagem harmoniosa. Em todas essas coisas visíveis, a alma atenta descobre uma manifestação do pensamento invisível que anima o Cosmo. Este reveste para ela um aspecto surpreendente. Torna-se o teatro da vida e da comunhão universais, comunhão dos seres uns com os outros e de todos os seres com Deus, seu Pai.

Não há distância para as almas que se simpatizam. Assim como os mundos trocam suas irradiações através das profundezas estreladas, as almas que se amam se comunicam em conjunto através do pensamento. O Universo é animado por uma vida poderosa; vibra como uma harpa sob a ação divina. As irradiações do pensamento o percorrem em todos os sentidos; transmitem as mensagens do espírito ao espírito através da vasta imensidão. Esse Universo que Deus povoou com inteligências, a fim de que elas o conheçam, o amem e cumpram a sua lei, ele o preenche com sua presença, ilumina-o com sua luz e o aquece com o seu amor.

A prece é a expressão mais elevada dessa comunhão das almas. Considerada sob esse aspecto, ela perde toda a analogia com as fórmulas banais, os recitativos monótonos em uso, para se tornar um impulso do coração, um ato da vontade pelo qual o espírito desvencilha-se das servidões da matéria, das vulgaridades terrestres para penetrar nas leis, nos mistérios da Potência Infinita e a ela se submete em todas as coisas: “Pedi e recebereis”! Tomada neste sentido, a prece é o ato mais importante da vida; é a aspiração ardente do ser humano que sente sua pequenez e sua miséria, e procura, nem que seja por um instante, colocar as vibrações do seu pensamento em harmonia com a eterna sinfonia. É a obra da meditação que, no recolhimento e no silêncio, eleva a alma até essas alturas celestes onde ela se acresce de forças, impregna-se das irradiações da luz e do amor divinos. Mas quão poucos sabem orar! As religiões nos fizeram desaprender a prece, transformando-a em exercício ocioso, às vezes, ridículo.

Sob a influência do Novo Espiritualismo, a prece tornar-se-á mais nobre e mais digna; será feita com mais respeito para com a Potência Suprema, com mais fé, confiança e sinceridade, num completo desligamento das coisas materiais. Todas as nossas ansiedades e as nossas incertezas cessarão quando tivermos compreendido que a vida é uma comunhão universal, e que Deus e todos os seus filhos vivem essa vida em conjunto. Então, a prece se tornará a linguagem de todos, a irradiação da alma que, nos seus impulsos, abala o dinamismo espiritual e divino. Seus benefícios se estenderão sobre todos os seres e, particularmente, sobre aqueles que sofrem, sobre os ignorados da Terra e do Espaço. Ela irá até aqueles em quem ninguém pensa e que jazem na sombra, na tristeza e no esquecimento, diante de um passado acusador. Ela despertará neles novas aspirações; fortificará seu coração e seu pensamento. Pois a ação da prece não tem limites, não mais do que as forças e os poderes que ela põe em movimento para o bem dos outros.

A prece, é verdade, nada pode modificar nas leis imutáveis, ela não poderia, de forma alguma, modificar nossos destinos; seu papel é o de nos proporcionar socorros e luzes que nos tornem mais fácil a execução de nossa tarefa terrestre. A prece fervorosa escancara as portas da alma e, através dessas aberturas, os raios de força, as irradiações do foco eterno penetram em nós e nos vivificam.

Trabalhar com um sentimento elevado, perseguindo um objetivo útil e generoso, ainda é orar. O trabalho é a prece ativa desses milhões de homens que lutam e penam na Terra, em proveito da Humanidade.

A vida do homem de bem é uma prece contínua, uma comunhão perpétua com seus semelhantes e com Deus. Ele não precisa mais de palavras nem de formas exteriores para exprimir sua fé: ela se exprime através de todos os seus atos e de todos os seus pensamentos. Ele respira, ele se movimenta sem-esforço, numa atmosfera fluídica pura, cheio de ternura para com os infelizes, cheio de bem querer para com toda a Humanidade. Esta comunhão constante torna-se para ele uma necessidade, uma segunda natureza. É graças a ela que todos os espíritos eleitos se mantêm nas alturas sublimes da inspiração e do gênio.

Os que vivem uma vida egoística e material, cuja compreensão não está aberta às influências do Alto, estes não podem saber que impressões indizíveis proporciona essa comunhão da alma com o divino.

É ela, essa união estreita de nossas vontades com a Vontade Suprema, que devem se esforçar para realizar todos aqueles que, vendo a espécie humana deslizar nas vertentes da decadência moral, procuram os meios de deter sua queda. Não há ascensão possível, não há arrastamento para o bem se, de tempos em tempos, o homem não se voltar para o seu Criador e seu Pai, para expor-lhe suas fraquezas, suas incertezas, suas misérias, para pedir-lhe os socorros espirituais indispensáveis à sua elevação. E quanto mais essa confissão, mais essa comunhão íntima com Deus for frequente, sincera, profunda, mais a alma se purifica e se emenda. Sob o olhar de Deus, ela examina, expõe suas intenções, seus sentimentos, seus desejos; passa em revista todos os seus atos e, com essa intuição que lhe vem do Alto, julga o que é bom ou mau, o que é preciso destruir ou cultivar. Compreende, então, que tudo o que vem do “eu” deve ser rebaixado para dar lugar à abnegação, ao altruísmo; que, no sacrifício de si mesmo, o ser encontra o mais poderoso meio de elevação, porque quanto mais ele se doa, mais ele cresce. Deste sacrifício, faz a lei de sua vida, lei que ela imprime no mais profundo do seu ser em traços de luz para que todas as suas ações sejam marcadas pela sua empreitada.

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De pé sobre a Terra, meu sustentáculo, minha nutriz e minha mãe, elevo o meu olhar para o Infinito, sinto-me envolvido na imensa comunhão da vida; os eflúvios da Alma Universal penetram em mim e fazem vibrar meu pensamento e meu coração; forças poderosas me sustentam, avivam em mim a existência. Por toda a parte onde minha vista se estende, por toda a parte onde minha inteligência alcança, vejo, distingo, contemplo a grande harmonia que rege os seres e, através de caminhos diversos, guia-os para um objetivo único e sublime. Por toda a parte, vejo irradiar a Bondade, o Amor, a Justiça!

Ó meu Deus! Ó meu Pai! fonte de toda a sabedoria e de todo o amor, espírito supremo cujo nome é Luz, ofereço-te minhas louvações e minhas aspirações! Que elas subam a ti como perfume de flores, como os odores inebriantes dos bosques sobem para o céu. Ajuda-me a avançar no caminho sagrado do conhecimento, para uma compreensão mais elevada de tuas leis, a fim de que se desenvolva em mim mais simpatia, mais amor pela grande família humana. Pois sei que através do meu aperfeiçoamento moral, através da realização, da aplicação ativa em torno de mim e em proveito de todos, da caridade e da bondade, aproximar-me-ei de ti e merecerei conhecer-te melhor, comunicar-me mais intimamente contigo na grande harmonia dos seres e das coisas. Ajuda-me a libertar-me da vida material, a compreender, a sentir o que é a vida superior, a vida infinita. Dissipa a escuridão que me envolve; deposita em minha alma uma centelha desse fogo divino que reaquece e abrasa os espíritos das esferas celestes. Que tua luz suave e, com ela, os sentimentos de concórdia e de paz se espalhem sobre todos os seres!

16 João, 10:34. (N.A.)

17 Prometeu: (da mitologia grega) deus ou gênio do Fogo, filho do Titã Japet e irmão de Atlas. Segundo a mitologia clássica é o iniciador da primeira civilização humana. Após ter criado o homem do limo da terra, roubou o fogo do céu para poder animá-lo. Por isso, foi punido por Zeus, sendo acorrentado no Cáucaso, onde uma águia vinha devorar-lhe o fígado que sempre se renovava. (N.T.)

DENIS, L. Solidariedade; comunhão universal. In: O Grande Enigma, cap. 3