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“Divino Criador, pai, mãe, filho em um...
Se eu, minha família, meus parentes e ancestrais lhe ofenderam,
à sua família, parentes e ancestrais em pensamentos,
palavras, atos e ações do início da nossa criação até o presente,
nós pedimos seu perdão...
Deixe isto limpar, purificar, liberar, cortar todas as lembranças, bloqueios,
energias e vibrações negativas
e transmute estas energias indesejáveis em pura luz...
E assim está feito.”

Nos EUA há um homem conhecido como “o curandeiro dos curandeiros” chamado Jonathan Jacobs que trata de todos os problemas que vão desde os financeiros até casos de câncer, onde muitas vezes numa única sessão consegue verdadeiros milagres. Ele consegue entrar em contato com o EU-Espírito da pessoa e a partir daí desbloqueia as energias retidas e presas desde a época da infância ou quando o trauma se cristalizou. O Eu-Espírito entra em contato com a energia bloqueada e a libera. Ele diz que através dessa técnica tudo pode ser resolvido e em questão de horas. Precisamos aprender a liberar a energia da dor seja ela qual for, temos medo de entrar em contato novamente com essa energia e então a bloqueamos e a retemos em um determinado órgão, chakra ou célula. Se houver uma situação em sua vida, na qual você foi machucado, injuriado, você vai carregar isso por sua vida afora. Por isso estamos sempre repetindo os mesmos temas, os mesmos relacionamentos, as mesmas tristezas, está tudo preso no DNA. Felizmente podemos alterar qualquer padrão porque somos espíritos. Limpe os caminhos da energia e você poderá ter, fazer ou ser qualquer coisa que queira... Concentre-se numa única direção: LIMPEZA, LIMPEZA E LIMPEZA. Tudo mais é detalhe, perda de tempo, atalhos . Não importa procura por vidas passadas, ativação de DNA, pois a energia está presente em você aqui nesta vida, então é aqui que deve focar. Em relação ao DNA ele irá ser ativado automaticamente quando estiver totalmente livres de toda energia densa - e preparem-se pois quando isso acontecer , experimentaremos o amor verdadeiro e a libertação de toda dor e sofrimento. E Que Assim Seja!!!

O Projeto Psicologia do Espírito

BEM-VINDO AO PROJETO PSICOLOGIA DO ESPÍRITO!

Este é um projeto dedicado ao estudo da consciência em seus mais variados estágios de evolução e, principalmente, no estágio em que adquirimos a possibilidade de nos manifestar na forma humana. Por isso, decidimos dedicar nossa "existência" ao estudo, à pesquisa e a arte de escrever e, dentro do possível, e sem grande pretensões, conscientes de nossas inúmeras "limitações", ajudarmos a outros irmãos que, como nós, também necessitem de "esclarecimento", e assim possamos nos tornar cada vez mais conscientes de nós mesmos, de nossa bagagem evolutiva e das Leis que "disciplinam" todo o Universo, adquirindo os conhecimentos e vivenciando as experiências através dos quais possamos construir novas “sinapses” capazes de nos “revelar” cada vez mais novas possibilidades, construir novas realidades, e nos libertar das ilusões a que estamos fixados por tanto tempo.

Este estudo, portanto, requer tempo e dedicação, e por isso mesmo temos rogado a Deus e aos amigos (encarnados e desencarnados) - comprometidos com o trabalho daqueles que visam dedicar cada vez mais esforços para disponibilizar informações que auxiliem a todos que buscam o autoconhecimento e a autorrealização, atitudes imprescindíveis ao Espírito diante dos novos tempos -, que nos amparem e nos auxiliem, para que possamos ter forças, coragem e ânimo para prosseguir neste trabalho que nos exige estudo, fé e determinação.

Na base para a realização deste trabalho de transformação integral do homem, temos os seguintes pilares: O estudo contínuo de diversas correntes espiritualistas e de diversas correntes do conhecimento, manifestadas através da filosofia, da religião e da ciência; o trabalho como escritor, através do qual procuramos transmitir, humildemente, os conhecimentos adquiridos, incentivando a pesquisa, o espírito crítico, a dúvida, e a reflexão por parte de todos que nos leiam; o estudo amplo e continuado da psicologia em seus mais variados aspectos e suas mais diferentes abordagens, visando contribuir com a ampliação do seu papel, aprofundando o estudo e a compreensão da alma humana e do seu comportamento enquanto "personalidade" inserida em um contexto restrito, social e ao mesmo tempo "individualidade", viajante solitário de uma extraordinária experiência universal; da consciência imortal que somos e que, portanto, exige de todos, percepções e compreensões mais amplas; infinitamente mais amplas; o estudo amplo e continuado da mecânica quântica, por não termos dúvida quanto ao papel decisivo que a mesma tem e terá para a compreensão científica de todos os fenômenos que envolvem a consciência em seus mais variados níveis vibracionais, demonstrando de forma racional todo o potencial humano, enquanto cocriadores desse universo de infinitas possibilidades.

Para nós, o mais importante é contarmos com a sua participação e com o seu carinho, e por isso pedimos a todos que conhecem ou queiram conhecer nosso trabalho, que nos enviem suas vibrações positivas para que as mesmas possam nos fortalecer a alma, nos recarregar as forças, o ânimo e a coragem para desempenharmos de forma digna, humilde e paciente a nossa missão aqui na terra. A sua participação através da compra de nossos livros (impressos, porque em pdf estão disponíveis gratuitamente), ou da ajuda espontânea através de doações será, sem dúvida, de grande ajuda, posto que o nosso trabalho exige de nós, cada vez mais, maior tempo de pesquisa, recursos e muita dedicação.

Estamos felizes por compreendermos a nossa missão e rogamos a Deus que ilumine o caminho de todos, para que cada um possa compreender a sua, e a forma como deverá desempenhá-la.

Participe do site, da página e do nosso grupo de estudos e acompanhe a publicação dos textos para estudos. Leia-os, reflita e participe com seus comentários. Nosso trabalho é fomentar a pesquisa através da liberdade de duvidar, de questionar e, assim, avançarmos da dimensão do crer para a dimensão do saber, do conhecer, através da razão, da intuição e da experiência pessoal de cada um.

Luz e Paz!

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Sistema, Pietro Ubaldi, Capítulo 2 - Deus e a Criação

O SISTEMA

CAPÍTULO 2 - DEUS E A CRIAÇÃO

Para tornar a exposição compreensível à forma mental comum, tive de exprimir, em A Grande Síntese e em Deus e Universo, a concepção sintética da primeira visão intuitiva, por graus e por concatenação de desenvolvimento lógico. Assim, para torná-la mais compreensível, a visão sintética foi expressa analiticamente. Sigamos agora o processo inverso expondo os conceitos na forma em que realmente me apareceram, isto é, num primeiro momento como síntese ou visão de conjunto, e só num segundo momento, como controle racional e exposição de provas, pondo-nos em contato com a realidade dos fatos. Dessa forma, podemos colocar como atual ponto de partida, o que daqueles livros era, ponto de chegada. Assim, teremos logo diante dos olhos o quadro geral do Sistema completo, de acordo com a perspectiva panorâmica obtida, observando-a do alto. Desceremos, depois, num segundo momento, ao nível do terreno, para percorrê-lo a pé, trabalho que nos permitirá verificar, tocando de perto a realidade, que a visão de conjunto corresponde aos fatos.

O nosso ponto de partida será, pois, o capítulo final, intitulado: "Visão Sintética" do Volume Deus e Universo. Naquela visão, de máxima amplitude, que até agora conseguimos por intuição, enxertaremos a outra visão, menos vasta, porém mais próxima, a de A Grande Síntese. Os conteúdos dos dois volumes estarão, pois, fundidos aqui numa única concepção, que nos dará, num só golpe de vista, a visão de todo o Sistema. O nosso trabalho é, agora, o mesmo da minha primeira fase de recepção por inspiração, ou seja, abrir os olhos e ver. Depois, num segundo momento, faremos o outro trabalho, o de analisar, para compreender racionalmente. Desta maneira, fazendo o leitor seguir o mesmo caminho que segui, procuro dar-lhe a sensação viva do fenômeno como eu mesmo o vivi.

Então, num primeiro momento, somos apenas seres sensibilizados, dotados de uma visão interior, observando nossas percepções, sem exercer nenhum controle racional a fim de saber se correspondem aos fatos e a razão pela qual devam ser como nos aparece. Só mais tarde serão enfrentados esses quesitos, dando-se-lhes resposta. Então, como ponto de partida teremos os totais da operação que nos chegaram de forma sintética, para os analisar, buscando os seus termos constitutivos, por meio dos quais poderemos novamente alcançar aqueles totais, mesmo usando a forma mental moderna. Coloquemos, então, agora, as conclusões, para depois proceder à sua análise. Poderá isto parecer estranho, mas a humanidade enfrentou o problema do conhecimento com o mesmo método: primeiro a revelação, por meio de profetas e inspirados, depois a ciência, com a observação e a experiência. É este, portanto, o sistema usado pelas leis da vida, no desenvolvimento do pensamento humano. São dois momentos sucessivos e complementares: o primeiro é o movimento instintivo e inconsciente do menino que abre os olhos, olha e assimila; o segundo é o movimento reflexo e consciente do adulto, controlando com a razão o que vê, não mais esperando o conhecimento descer gratuitamente do Alto, mas movendo-se ele mesmo à sua procura, com seu trabalho e esforço.

Em vista de as duas operações se completarem mutuamente, sendo uma necessária à outra, devemos executar ambas. Fiquemos agora no âmbito da primeira. Neste trecho no qual a intuição impera, os céticos ainda nada podem dizer. Para a dúvida, que virá mais tarde, ainda não há lugar aqui. Estamos agora na fase em que se olha, se recebe e se registra. Os raciocinadores, os críticos, os céticos, trabalham em outro terreno, e virão depois, sendo bem aceitos, porque também são utilíssimos para realizar o trabalho de controle. Mas nesta primeira fase, só pode olhar e calar-se.

Na atual visão de síntese, encontramo-nos situados no absoluto, no qual tudo é suprema abstração, onde tudo escapa a uma possibilidade de controle com os meios de nossa concepção de origem sensória e com os princípios da realidade fenomênica de nosso mundo. Diante dessa visão, falta-nos qualquer meio de controle direto e ponto de referência, não funcionando a observação e a experiência, que constituem a força da ciência. Mas isto não significa não haver a possibilidade de algum controle. Ele existe, mas indireto. Movemo-nos aqui no âmbito das causas primeiras, cuja essência escapa à nossa percepção. Destas causas, possuímos os efeitos repercutindo em nosso mundo, efeitos que vivemos e dos quais somos o resultado. Sem dúvida, não podemos ver o Absoluto, mas podemos fazer dele uma imagem, indiretamente, através dos reflexos e efeitos que vemos em nosso relativo, o qual bem conhecemos. Esses efeitos, nós os temos sob os olhos, controláveis a cada momento, falando-nos sempre da causa, de que são filhos diretos. Assim, neles podemos ver o rosto da mãe, cuja fisionomia pode ser reconstruída até por meio daquela razão, que não chega a vê-la, como o faz a intuição. Então, por um caminho mais longo, podemos levar os céticos a admitir a verdade daquelas visões que, por sua natureza, são incontroláveis diretamente.

Quando chegamos a esta visão, não podemos saber nem nos perguntar por que Deus quis existir e agir de determinada maneira e não de outra. Podemos somente receber a visão e registrar o estado de fato, que ela representa, e por fim aceitá-lo. Não podemos discuti-lo, nem modificá-lo, como é o caso da lei que regula qualquer fenômeno. Em ambos os casos verificaremos que o estado de fato é assim, acontece assim, sendo esta a inviolável estrutura do fenômeno.

Ocorre, porém, uma coisa. Nesse plano imperscrutável e nesse esquema geral indiscutível do ser, achamos as causas primeiras, únicas a nos explicar não só os efeitos que temos entre as mãos, mas também a sua estrutura, sem o que não saberíamos explicar a razão pela qual teriam tomado aquela conformação particular e não outra. Por isso, não podemos explicar porque Deus teria querido criar os seres, transformando-se, de um todo homogêneo, internamente indiferenciado, num todo orgânico, unidade coletiva composta de infinitos espíritos. Mas este fato, que não podemos pesquisar, é o único a explicar outro fato correspondente, pelo qual o homem resulta constituído por um organismo de células, ou seja, uma unidade coletiva dirigida por um eu central, assim como todo o universo é dirigido por Deus. É ainda o único a nos explicar o princípio, pelo qual os seres tendem a reagrupar-se em unidades coletivas cada vez mais amplas; daí vermos dominar em nosso universo o princípio orgânico, justamente aquele ao qual se deve a criação dos seres, como foi revelado pela visão. Somente ascendendo a estas origens das coisas podemos dar-nos conta da razão pela qual assumiram em nosso universo sua atual conformação.

Assim, não podemos explicar, agora, o porquê último da estrutura trina da Divindade, além dos princípios gerais de ordem e harmonia, como não podemos perguntar nem saber a razão. Mas, verificamos que nós mesmos, em cada ato nosso, repetimos o mesmo comportamento: primeiro concepção da idéia, depois ação e, finalmente, a sua manifestação na realização concreta, exprimindo na forma, a idéia. Por isso, não podemos dizer a razão pela qual Deus tenha desejado existir como Trindade, mas podemos compreender a razão pela qual funcionamos dessa maneira. Devido o universo ser constituído segundo esquemas de tipo único, que se repetem em todas as alturas e dimensões, repetimos em cada ato nosso o princípio da Trindade, o único que pode esclarecer sobre essa estrutura de nossa maneira de agir e da sua forma de existir. É precisamente aquele primeiro modelo da Trindade, que vem repetido em todos os atos criadores de cada ser inteligente. 

Eis como me apareceu a visão máxima do todo, já esboçada como conclusão no capítulo final de volume Deus e Universo, e agora, tendo chegado a um estado de mais profunda maturação, apresentamos de forma mais ampla e completa.

Apareceu-me Deus como uma esfera que envolve o todo, isto é, como conceito abstrato de esfera, existente além do espaço e cuja superfície está situada no infinito. Deus está no centro e domina toda a esfera, existindo também em cada ponto seu. Deus não pode ser definido, porque no infinito Ele simplesmente "é". Deus significa existir. Ele é a essência da vida. Tudo o que existe é vida, isto é, Deus. E Deus é tudo o que existe, que é vida. Deus é o ser, sem atributos e sem limites. O nada significa o que não existe. O nada, portanto, não existe. Ele não pode existir em si mesmo, por si só, mas só como uma função do existir, como uma sua posição diversa, da mesma forma que a sombra não pode existir por si mesma, mas só em função da luz, e o negativo não é concebível senão como contraposição ao positivo.

Nós, como tudo o que existe, estamos em Deus, porque nada pode existir fora de Deus, nada lhe pode ser acrescentado nem tirado. Mas, como veremos, nós humanos, com os outros seres de nosso universo físico, encontramo-nos existindo numa posição particular, semelhante à da sombra em relação à luz. Como sombra, fazemos parte do fenômeno luz, ou seja, fazemos parte do Tudo-Uno-Deus, mas como sombra, isto é, negativo, estamos no pólo oposto ao positivo da mesma unidade. Mais tarde veremos como isto aconteceu. Assim, diante do absoluto, encontramo-nos no relativo; diante do imutável, no contínuo transformar-se; diante da perfeição, numa condição de imperfeição sempre em movimento para atingir a perfeição; diante da unidade orgânica do todo, encontramo-nos fragmentados e fechados em nosso individual egocentrismo de egoístas; diante da liberdade do espírito, encontramo-nos prisioneiros no cárcere da matéria e de seu determinismo; diante da onisciência de Deus, estamos imersos nas trevas da ignorância; diante do bem, da felicidade, da vida, somos presas do mal, da dor e da morte.

Explicamos isto, para compreender como, existindo em um mundo emborcado do lado negativo, em relação a Deus, só sabemos conceber Deus como uma negação de tudo o que constitui nosso mundo. Pelo fato de sermos sombra, só podemos conceber Deus como a sombra concebe a luz, isto é, como o contrário de si mesma. Para poder atingir o positivo, seria indispensável, portanto, chegar a negar todo o próprio negativo, ou seja, dizer: Deus não é tudo o que nos aparece e existe como real; como para chegar à luz, mister seria afastar toda a sombra. Este nosso mundo de matéria, percebido pelos nossos sentidos, não é Deus. Este ou aquele fenômeno ou forma, em seu aspecto contingente, não é Deus. Mesmo Deus estando em tudo o que somos e vemos, tudo isso, por si só, não é Deus. Ele está além de todo fenômeno e forma, de toda posição do particular. Se se pudesse definir o infinito, a definição de Deus deveria estar para nós, antes, no negativo, isto é, como a negação de tudo o que para nós, em nossa posição, ao contrário, existe.

Todavia, há um fato. A sombra não é, absolutamente completa. Ela contém sem dúvida, reflexos de luz. Isto porque no atual plano de sua vida, o ser humano já percorreu certo trecho do caminho da evolução, ou seja, já subiu uma certa parte do caminho da descida e com isto reconquistou um pouco da perfeição originária. Ora, as definições comuns de Deus, em sentido positivo, foram obtidas com o elevar-se à potência infinita, as mínimas quantidades de perfeição reconquistada pelo homem ou intuída como futura realização a conquistar, isto é, os pálidos reflexos contidos na sombra. Chegamos assim, não a uma definição, mas apenas a uma aproximação do conceito de Deus. Com efeito, não é possível uma sua definição, porque, como acima dissemos, não se pode definir o infinito. O infinito uma vez definido não seria mais infinito. Compreendido este ponto, continuemos a contemplar a visão. Focalizando cada vez mais de perto, verificamos ser a esfera constituída não de uma, mas de três esferas, idênticas em tudo, e que cada uma se vai transformando na outra. Passamos, assim, ao segundo momento ou aspecto da visão. O primeiro deu-nos o conceito de Deus. O segundo dar-nos-á o conceito de criação.

Eis então que a esfera a qual chamamos de Tudo-Uno-Deus, por representar Deus como Unidade envolvendo o todo, inicia um processo de íntima elaboração, levando-a a uma profunda transformação. Neste segundo aspecto da visão, a Divindade se distingue em três momentos sucessivos, constituindo a Trindade do Deus-Uno. Representa o assim chamado mistério da Trindade, encontrado em muitas religiões, em todos os tempos. Eis a Divindade, una e trina ao mesmo tempo. Observemos os três momentos. Para nos tornar compreensíveis, teremos infelizmente de materializar os conceitos abstratos, em termos antropomórficos e com representações concretas; estas, se são úteis para fixar as ideias mediante representações mentais, mais facilmente concebíveis, no entanto, certamente deformam o conteúdo abstrato da visão, diretamente impossível de ser imaginado.

No primeiro momento, acha-se Deus no estado de puro pensamento. Ele então existe como um eu pensante que concebe. O movimento da elaboração interior está só na ideação abstrata, que é de visão do plano, o qual depois se realizará nos momentos sucessivos; é formulação da Lei, isto é, dos princípios que irão reger tudo; é contemplação da obra futura, ainda no estado de imagem mental.

Mas, eis que tudo se transforma e passa a um segundo momento, quando a concepção se muda em ação. O movimento da elaboração interior, de puro pensamento se torna vontade, que executa a idéia abstrata, põe em ação os planos concebidos, aplica os princípios da Lei. A imagem mental torna-se ação e se encaminha à sua realização.

Chega-se, assim, ao terceiro momento, àquele em que a idéia, por meio da ação, atingiu sua realização. Então o movimento da elaboração interior se completou, chegando à obra terminada, na qual, por meio da ação, a ideia originária do primeiro momento encontrou sua expressão final, de acordo com os planos concebidos e os princípios da Lei. É neste terceiro momento que ocorre a gênese da criatura, ou seja, a criação.

Estes três momentos representam o que chamamos as três pessoas da Trindade, ou seja: Espírito (a concepção); Pai (o Verbo, ou ação); Filho (o ser criado). Cada um dos três momentos é sempre o mesmo Deus, que permanece assim o Todo-Uno e trino ao mesmo tempo.

Para facilitar a representação destes conceitos, poderemos imaginar as três esferas lado a lado, uma depois da outra, isto é, contíguas e sucessivas. Focalizemos nossa atenção na terceira ou última.

Qual é o resultado final do citado movimento de elaboração interior? Como se transformou, em seu íntimo, o Tudo-Uno-Deus, no fim do terceiro momento? Como fica a estrutura interior da esfera, no fim do processo a que se deve a criação? Em que constituiu ela?

Respondamos começando com as palavras do capítulo "Visão sintética", com que se encerra a visão do volume Deus e Universo. Neste processo, Deus multiplicou-se, como que se dividindo num número infinito de seres e no entanto continuando uno. Nos três momentos, a unidade de Deus permanece intacta e idêntica. Em vista de, ao Todo, nada se poder acrescentar, a criação ocorreu e permaneceu no seio do Tudo-Uno-Deus. Em outras palavras, poderemos imaginar este processo criador, como uma íntima auto-elaboração, pela qual Deus se transformou, de seu estado homogêneo e indistinto, em outro seu estado diferenciado e orgânico. Disto nasceu uma Sua diversa estrutura orgânica e hierárquica, um sistema de elementos (as criaturas) coordenados em função Dele e regidos por Sua lei, concebida no primeiro momento. Assim, a Divindade, que era unidade diferenciada, permaneceu igualmente una também agora, em seu terceiro momento, como unidade orgânica. Isto porque os elementos componentes resultaram tão profundamente integrados na ordem da Lei, tão bem coordenados em hierarquias e distribuições de funções, que a unidade originária de Deus nada perdeu e ficou íntegra, perfeita em seu novo aspecto de unidade orgânica. Criou-se, assim, o modelo, que mais tarde será repetido na formação de todos os organismos, quer da matéria quer da vida, segundo um dos maiores princípios da Lei, o das unidades coletivas.

Assim, as criaturas, nascidas desta criação, podem imaginar-se, em representação antropomórfica, como tantas centelhas em que quis dividir-se o incêndio divino. É evidente estarmos nos esforçando em dar uma representação mental ao fenômeno, de forma facilmente compreensível, mesmo sabendo que, quanto mais nos avizinharmos da forma mental humana, mais nos afastaremos da realidade toda abstrata e espiritual do fenômeno. Mas temos de fazer isso, porque a aceitação e a sorte de uma teoria dependem, muitas vezes, da forma mais ou menos facilmente compreensível e representável, com que seja exposta.

Além disso, mister é ter presente, que quando falamos de criação, não se trata ainda da criação de nosso universo que conhecemos, mas de uma originária criação, da qual derivou depois a atual. Essa era de puros espíritos perfeitos, bem diferente em toda sua qualidade, daquela em que nos achamos atualmente situados. Esta virá depois, e veremos como. Esses espíritos perfeitos que Deus tirou de Sua própria substância, nela permaneceram fundidos num só organismo unitário. A substância divina que os constituiu, continuou a existir una em Deus, agora, que se achava em estado diferenciado de elementos fundidos num organismo, como o era no primeiro momento, quando estava em estado homogêneo indistinto.

Com isto, completa-se o terceiro momento e está terminada a primeira criação. Esta é a criação perfeita, de puros espíritos, existentes em absoluta harmonia na ordem da Lei, no seio de Deus. Chegamos assim da fase do Espírito, à do Pai e enfim à do Filho, representada por este último estado. Na harmonia de Deus, tudo funciona perfeitamente. Tudo é luz sem sombra, alegria sem dor, vida sem morte. Assim ocorreu a criação e estes foram os resultados.

É claro nos acharmos, em cada um dos três aspectos, diante do mesmo Deus, que nada mudou de Sua substância. É, portanto, lógica e compreensível a equivalência dos três modos de ser da mesma Entidade. Trata-se, realmente, de três pessoas iguais, porquanto são a mesma pessoa, e distintas, enquanto a mesma pessoa se transforma em três momentos diversos. Trata-se do mesmo Deus em três aspectos Seus diferentes; como no caso do menino, adulto e velho se trata da mesma pessoa, constituída, entretanto, por três pessoas distintas, enquanto esta se muda em três diversos momentos seus. Como este homem, também Deus, em seus três aspectos, permanece o mesmo.

Concetremos agora nossa atenção, focalizando o nosso olhar nesta criação realizada, no fim do terceiro momento, ou seja, no terceiro aspecto da Divindade, o Filho.

UBALDI, Pietro. Deus e a Criação. In: O Sistema, cap. 2.

Filosofia Espírita, João Nunes Maia, Miramez (Espírito), Capítulo 32 - Substância Primitiva

FILOSOFIA ESPÍRITA - VOLUME I

CAPÍTULO 32 – SUBSTÂNCIA PRIMITIVA (0032/LE)

Avançando no entendimento, necessário se faz que respondamos alguma coisa acerca dos estudos em atenção, no que tange à matéria propriamente dita. Em “O Livro dos Espíritos”, o codificador insiste em determinados assuntos, procurando a selva mais profunda dos conhecimentos a que se refere, neste caso, a matéria. É de lógica comum para os estudiosos, principalmente do espiritualismo, que a natureza é um segredo de Deus a expressar a sua própria sabedoria. Desvendar essa natureza requer qualidades que ainda não possuímos; no entanto, não é por isso que deveremos cruzar os braços frente ao saber universal - a revelação nos vem de acordo com a nossa subida. 

O Espírito da Verdade chamava a matéria primitiva de molécula primitiva, porque os homens daquela época desconheciam o além da molécula, eles respondiam de acordo com o conhecimento humano, para serem entendidos. Quanto mais a ciência se aprofunda, mais se perde no regime das substâncias da molécula. Partiu para o átomo, elétrons, elementos ínteratômicos, e apoderou-se do sentido de que a viagem científica ao microcosmo é verdadeiramente infinita. Onde está a matéria primitiva? Perde-se nas nossas fracas deduções. Confunde-se a matéria com o Espírito, e este com Deus, o Criador de todas as coisas. Se não damos conta de dominar a matéria física, ainda mais o que existe por trás dela, como, por exemplo, os fluídos de onde ela se originou! A escala das substâncias é infinita. A ação de caridade é troca de substâncias que escapam à ciência da Terra, mas que é uma verdade no mundo dos estímulos. A sugestão que os magnetizadores usam e que negam a participação do que não vêem, não impede de circular, por leis universais, as trocas de uns para os outros de forças sutis, de acordo com os sentimentos de quem dá e de quem recebe. 

Os clarins de Deus tocam pelas bocas dos anjos, a nos dizerem que chegamos no momento de modificarmos os nossos sentimentos, no que se refere à vida. Mudanças e mais mudanças devem se operar, para compreendermos o sentido da verdadeira vida e aprendermos pelo menos a saber perguntar aos luminares da eternidade o que realmente nos faz melhores na escala à qual pertencemos, na grande viagem evolutiva, no despertar dos valores dentro de nós. 

A energia não tem forma determinada, a não ser na sua profundidade que desconhecemos. Ela é orientada por altas inteligências e vai baixando as vibrações. Nessa descida, vai tomando formas que garantem os valores da sua expressão. A sua natureza surge pela vibração, que congrega valores na obediência da lei de atração, formada em um campo de força, na gama das suas combinações elementares. É aí que fornece suas propriedades aos sentidos apropriados dos homens, como, por exemplo, o paladar, os perfumes e os coloridos que tanto nos agradam. 

Os estudos são fascinantes e nos levam a crer em uma Fonte Suprema que tudo orienta na maior harmonia, e cujo amor escapa a todas as inteligências, porque interpretamos essa virtude singular de acordo com a posição espiritual que já atingimos. 

O ato de caridade é uma troca de substâncias que escapam à ciência da Terra, mas que é uma verdade no mundo dos estímulos. No caso, por exemplo, dos magnetizadores, além da sugestão que eles usam, movimentam forças sutis, cuja existência muitos negam, por não percebê-las. Essas forças são permutadas, de acordo com os sentimentos de quem dá e recebe. 

Jesus trouxe uma equação muito simples para a humanidade. A sua capacidade de sintetizar os valores eternos em poucas palavras, como fez no seu Evangelho de vida, é extraordinária. Ela alinhou conhecimentos em todas as escalas da subida espiritual, para que nenhum ficasse sem o conforto da sua assistência, para que ninguém ficasse órfão da bondade de Deus. 

Antes de pensarmos em conhecer a substância primitiva da matéria, vamos pensar e pedir ao Senhor que nos ensine a perceber o amor primitivo do seu coração para conosco.

MAIA, J. N.; MIRAMEZ (Espírito). Filosofia Espírita. V. I, cap. 32

Resoluções de Ano Novo

Resoluções de Ano Novo

por Hélio Couto

Nesta época do ano todos fazem projetos para o ano que entra. Sempre com grandes planos de realizações. Todo ano a mesma coisa. Depois de um tempo tudo volta à rotina. À zona de conforto.

Se estudarem tudo que existe sobre Mecânica Quântica na língua portuguesa, procurando entender o significado dos experimentos e das descobertas, chegarão nas conclusões fundamentais para entender o universo. Não é preciso estudar MQ para entender isso. Muitos milênios atrás tudo isso já foi explicado de forma simples para que todos tivessem a mesma oportunidade de evoluir. Por exemplo: o Tao Te King.

Os fatos são os seguintes:

No nível mais profundo da realidade (da matéria) existe só energia. Um oceano primordial de energia. Essa energia é o Todo. De onde tudo é emanado. O Todo é tudo o que existe. Tudo está dentro Dele. Não há nada fora Dele.

Ele está em tudo. Onipotente, Onipresente e Onisciente. Dentro de cada ser mineral, vegetal e animal o Todo está presente. Especificamente com a Centelha Divina. Além Dele ser a substância de tudo, ainda está individualizado em cada um.

Não há como escapar disto. Não há como escapar Dele. É uma forma rude de falar, mas já foram tentadas todas as formas de motivar os seres à evoluírem. É preciso elevar o tom uma oitava. A questão de ficar se debatendo para não aceitar o fato acima é a causa de todo o sofrimento que existe em muitas dimensões. O não aceitar a realidade nua e crua. Quanto mais resistência se coloca em aceitar isso, maior o sofrimento que se atrai. Pelo simples fato de que o Todo é Amor. O Amor é tudo que pode existir de bom, benevolente, bondoso, compassivo, etc. Quando se foge do Amor o resultado é o Não-Amor. É óbvio. É a fuga que causa os problemas que a pessoa tem. O Todo continua amando a pessoa o tempo todo. Fugindo do Amor vai-se para o Ódio. No lado do Ódio o que vale é o Poder. A mentalidade reptiliana. O Complexo-R.

Se a pessoa não conhece a Lei da Gravidade e salta de um prédio, ela terá as consequências da mesma forma. Conhecendo ou não. Para isso ela tem o instinto de sobrevivência que a alerta do perigo. Todos nós temos a Centelha Divina que sugere o melhor caminho para ser feliz. A questão sempre é o ego. O ego não quer o que a Centelha sugere. O ego são os interesses particulares do Complexo-R.

Aceitando-se o fato do Todo existir e de que Ele é a substância de tudo o que existe, chegamos na próxima conclusão de que a Consciência é tudo o que existe. E que tudo é consciência. E tudo tem consciência. O Todo é Pura Consciência. A realidade é a Consciência. Portanto, tudo que está na consciência da pessoa é manifestado na sua realidade. Simples. Consciência de prosperidade traz prosperidade, consciência de dívida traz dívida, consciência de medo traz o objeto do medo, consciência de amor traz amor, e assim por diante. Exatamente igual. Sem tirar nem por. Basta trocar o conteúdo da consciência que a realidade mudará mais cedo ou mais tarde. Tudo que já foi criado precisa ser transmutado para que outra realidade apareça.

O que tem na consciência? Pensamentos, sentimentos, atitudes e crenças. Tudo que a pessoa acredita ou sente. Basta responder um questionário para si mesmo da forma mais honesta possível, que a verdade nua e crua aparecerá. Está tudo ai. Porque tem dívidas, porque não progride, porque tem depressão, porque está infeliz, etc. Quem pode fazer o questionário? Os amigos normalmente não fazem esse tipo de pergunta porque perdem a amizade. Questionar as crenças é muito perigoso. Os terapeutas surgiram desta necessidade de falar e questionar. Desde que a pessoa queira ouvir a verdade nua e crua é uma ferramenta excelente. E que a pessoa não fuja do terapeuta.

Esta é uma das formas mais rápidas de evoluir. Descobrir a verdade sobre si mesmo. Lembram do “Conhece-te a ti mesmo”? É a mesma coisa do “Ser ou não ser”.

Fazendo este ajuste na própria consciência tudo começa a mudar para melhor.

Caso a humanidade faça esse ajuste os “milagres” podem começar a acontecer. Caso contrário a mudança climática terá de ser vivida. Por exemplo.

Quando a pessoa já aceitou o Todo o próximo passo é soltar. A consciência precisa estar totalmente livre. Qualquer apego cria necessidade na consciência. Necessidade é carência. Carência atrai mais carência. E tudo começa de novo. Um círculo vicioso. Somente soltando é que a pessoa terá o que precisa. Mas, primeiro tem de soltar. E isso não pode ser tática ou estratégia política. Tem de ser sincero. Lembra que a consciência está se manifestando o tempo todo.

Depois do soltar vem o agradecer. Simplesmente agradecer por existir. Agradecer por tudo. Incondicionalmente.

Mais simples que isso é impossível. Aceitar, soltar e agradecer.

Feliz Ano Novo!
Hélio Couto

http://www.heliocouto.com/2014/12/resolucoes-de-ano-novo.html

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A Era do Capital Improdutivo – e como superá-la


A Era do Capital Improdutivo – e como superá-la

Em seu novo livro, Ladislau Dowbor oferece chaves preciosas para decifrar a metamorfose do sistema e suas novas formas de dominar e concentrar riquezas. 

Cinco famílias lideradas por homens brancos agora concentram mais riqueza que metade – 3,5 bilhões – dos habitantes do planeta. Em todo o Ocidente, a democracia declina e perde apoio porque é vista, cada vez mais, como um regime dos ricos e corruptos. O aquecimento global já se materializa na forma de mega-icebergs desprendendo-se da Antártida (sem falar nas primeiras levas de refugiados climáticos), mas os governantes permanecem desinteressados ou impotentes. No Brasil, os bancos privados multiplicam seus lucros em meio à maior recessão da História – e são o setor mais bem representado em todos os governos, antes e depois do golpe. Apesar da imensa concentração de riquezas, o sistema vai mal, deparando-se com taxas de crescimento medíocres e o risco crescente de uma nova crise financeira, que seria ainda mais devastadora e possivelmente incontrolável. 

O que estes fatos, aparentemente díspares, têm a ver uns com os outros? Mais importante: como decifrar os mecanismos que impulsionam em conjunto todos eles? Será possível revertê-los e escapar de uma armadilha que parece aprisionar tanto a humanidade quanto a própria ideia de emancipação social? Encontrar as respostas tem sido, desde a virada do século, o desafio difuso que persegue ativistas em todo o mundo – e que mobiliza um punhado de pensadores ligados às lutas sociais. Em A Era do Capital Improdutivo, Ladislau Dowbor revela que o crescimento abissal das desigualdades, a ausência de limites para a depredação da natureza e o esvaziamento da política podem ser faces de um só fenômeno. Uma nova metamorfose do capitalismo (para usar expressão de Celso Furtado) criou um sistema que já não pode ser compreendido – muito menos superado – manejando apenas as chaves analíticas do passado. O autor não se contenta em constatar o déficit teórico: ele adianta pistas para ultrapassá-lo, ou seja: para tramar um novo projeto pós-capitalista. 

A natureza mutante do capitalismo já havia sido destacada por Karl Marx. Mais recentemente, François Chesnais formulou, em A mundialização do capital (1988) e em obras posteriores, a hipótese do declínio do industrialismo e o surgimento de um “regime de acumulação sob dominância financeira”. Ladislau está de acordo, e oferece farta documentação e dados a respeito. Para dar ao leitor noção das dimensões do cassino financeiro global, mostra, por exemplo, que só as transações financeiras com “derivativos” – aquelas em que não se negociam mercadorias, mas apenas índices (a taxa de inflação, o preço de uma moeda, a cotação de uma commodity) atingiram 710 trilhões de dólares em 2013 – ou 9,6 vezes o PIB mundial naquele ano. 

Mas A Era do Capital Improdutivo situa esta transição num conjunto de outras transformações civilizatórias marcantes, que se acentuam a partir dos anos 1950. A primeira delas é uma drástica mudança na arquitetura do poder mundial. Pela vez desde a Paz de Westphalia (1648), os Estados-Nações estão deixando de ser os atores centrais. Em seu lugar, emergem as megacorporações globais – grupos financeiros gigantescos; conglomerados industriais ligados e eles; um punhado de dealers que controlam o grosso do comércio de alimentos, minérios e combustíveis no planeta. 

A passagem de bastão se dá por dois motivos. Primeiro, a concentração empresarial, mais intensa que nunca. Apoiado num vasto estudo do Instituto Federal Suíço para Pesquisa Tecnológica – o renomado ETH –, Ladislau demonstra que 147 grandes corporações (75% delas financeiras) controlam hoje, sozinhas, 40% do PIB do mundo. Numa espécie de “núcleo do núcleo” estão 28 “instituições financeiras sistematicamente importantes” (SIFIs, em inglês), cada uma das quais tem capital médio de US$ 1,8 trilhão (superior ao PIB do Brasil, a sétima economia do planeta). 

O problema não é só o gigantismo. As megacorporações atuam em todo o mundo, enquanto os Estados-Nações são limitados por fronteiras. Todas mantêm sedes e filiais em “paraísos fiscais” (um capítulo do livro é reservado a examiná-los), onde podem articular oligopólios, evadir impostos ou praticar fraudes “livres” do constrangimento de governos ou Judiciários. Mais recentemente, diversos acordos comerciais permitem-lhes formar tribunais paralelos (Investor-State Dispute Settlement, ou ISDS, em inglês), nos quais podem exigir indenizações de Estados que adotem normas consideradas hostis a seus interesses (por exemplo, a redução da jornada de trabalho ou uma nova lei de proteção da natureza…). 

O resultado é o esvaziamento rápido da democracia. Porque surgiu – acima dos Estados e com força superior à deles – uma nova esfera global de poder. Está inteiramente colonizada: em seu interior, o capital reina absoluto; não há eleições, parlamentos, governos escolhidos pela sociedade, transparência. Quem conhece a agenda do FMI, ou sabe como votam os representantes brasileiros na Organização Mundial do Comércio? Como frisa o autor, “o poder mundial realmente existente está nas mãos de gigantes que ninguém elegeu e sobre os quais há cada vez menos controle”. 

A terceira grande transformação está ligada às novas relações entre a natureza, ser humano e conhecimento; ao advento do que passamos a chamar de Antropoceno. Ladislau insere-se claramente entre os autores que o veem como resultado do predomínio das lógicas mercantis. O livro resgata, à página 24 um gráfico desconcertante e pouco conhecido, em que está representada a evolução de fenômenos normalmente não relacionados: aumento da população humana, PIB, concentração de CO² na atmosfera, número de automóveis, consumo de papel, extinção de espécies, destruição das florestas e outros. 

As curvas são coincidentes: tudo dispara a partir de 1950, num claro sinal de que entramos em outra fase. O autor analisa: “todos querem consumir mais, cada corporação busca extrair e vender mais, e tecnologias cada vez mais potentes permitem ampliar o processo (…) Para a maioria dos economistas, o crescimento é tão necessário quanto o ar que respiramos”. Duas consequências dramáticas, já visíveis, são o declínio abrupto da vida marinha e os sinais de uma sexta extinção em massa das espécies: “em apenas quarenta anos, de 1970 a 2010, destruímos 52% da fauna do planeta”. 

A devastação da natureza é facilitada pelo “avanço” tecnológico, mas em mais de um trecho o livro demonstra: esta mesma técnica ameaça, perigosamente, criar uma sociedade cada vez mais desigual e alienada. A concentração de riquezas é possível, em escala nunca vista, porque um pequeno número de corporações controla e processa informações sobre os mercados e inclusive sobre nossas vidas. O sinal mais evidente de que as questões social e ambiental se entrelaçam está expresso numa formulação ao mesmo tempo feliz e terrível: “estamos destruindo o planeta (…) de forma muito particular para o proveito do 1%”. 

Em muitos de seus textos recentes, Immanuel Wallerstein tem sustentado que o capitalismo, tal como o conhecíamos, vive em crise terminal; mas que não é possível saber, o que o substituirá – e não se deve afastar a hipótese de que seja um sistema ainda mais desigual, mais hierárquico, mais alienante e menos democrático. Em seu novo livro, Ladislau Dowbor parece sugerir que este cenário de pesadelo está sendo montado agora, diante de nossos olhos. 

O próprio livro fornece, porém, elementos para enxergar como tal construção é instável; como resta, portanto, espaço para a resistência e a busca de alternativas. O livro trata, em especial, de duas vulnerabilidades. A primeira é o declínio do próprio crescimento econômico – objetivo essencial da lógica mercantil –, acompanhado de riscos novos de terremotos financeiros avassaladores. 

A concentração de riquezas, explica o autor, acaba convertendo-se num obstáculo à reprodução do ciclo do capital. Sob o regime de dominância financeira, cresce o rentismo – a capacidade de apropriar-se da riqueza social sem nada produzir. O Brasil (a que Ladislau dedica dois capítulos) é um exemplo extremado. O sistema financeiro estende seus tentáculos tanto sobre o orçamento público (de onde são desviados R$ 400 bilhões, ou cerca de treze programas Bolsa-Família ao ano) quanto sobre as famílias e empresas (reduzindo a capacidade de consumo e as margens de lucro). Em meio ao terceiro ano seguido de recessão, os lucros dos bancos não cessam de crescer. 

Mas o resultado desta punção é, em todo o mundo, a economia estagnada. Desde os abalos de 2008, não houve recuperação efetiva. O autor explica, dando tintas atuais às ideias de Marx sobre as crises de superprodução: os mais ricos entesouram seu dinheiro; são as maiorias que gastam quase tudo o que recebem – mas se elas são atingidas pela desocupação e pela queda dos salários, quem manterá a economia girando? Que empresários ousarão investir, se os consumidores finais estão quebrados? 

A segunda debilidade crucial é a ineficiência das empresas. Para desenvolver o tema, Ladislau recorre a seus estudos e experiência como gestor e planejador – algo raro entre a esquerda. A intensa concentração empresarial, explica, criou conglomerados enormes e disformes, movidos cada vez mais pela lógica única da rentabilidade financeira, incapazes de atender às demandas sociais e mesmo de evitar fraudes e tragédias. O exemplo emblemático é o do desastre de Mariana: “entre o engenheiro da Samarco que sugere o reforço na barragem e a exigência da rentabilidade da Vale, Billiton e Bradesco, a relação de forças é radicalmente desigual”. O resultado é o soterramento do distrito de Bento Rodrigues. 

Os exemplos de ações fraudulentas entre as grandes corporações, aliás, multiplicam-se. O sistema financeiro é líder, mas a Justiça garante blindagem: “Praticamente todos os grandes grupos [internacionais] estão com dezenas de condenações, mas em praticamente nenhum caso houve sequelas judiciais como condenação pessoal dos responsáveis (…) Basta a empresa fazer, enquanto pratica a ilegalidade, uma provisão financeira para enfrentar os prováveis custos do acordo judicial”. A velha mídia cumprirá seu papel, ocultando sempre que possível os crimes e construindo, contra todas as evidências, a imagem de corporações responsáveis e de famílias saltitantes, felizes com seu banco. Mas as enxurradas de publicidade não apagam os fatos: tem futuro um sistema que não é capaz sequer de cumprir sua promessa de crescimento e eficiência? 

Por outro lado, é possível enfrentar este capitalismo metamorfoseado com as ideias e personagens dos séculos passados? Ladislau Dowbor tem pistas também para esta questão. Em certo trecho, ele recomenda “aos sindicatos e movimentos sociais” examinar melhor as novas formas de extração de mais-valia. Explica: “A forma tradicional – o patrão que produz mas paga mal, ensejando lutas por melhores salários – foi brutalmente agravada por um sistema mais amplo de extração do excedente produzido pela sociedade”. Nos novos tempos, “todos somos explorados, em cada compra ou transação, seja através dos crediários, dos cartões, tarifas e juros abusivos, seja na estrutura injusta da tributação”. Há aqui uma fraqueza por excesso: “O rentismo é hoje, sistematicamente mais explorador, e pior, um entrave aos processos produtivos e às políticas públicas. (…) Sua grande vulnerabilidade está no fato de ser improdutivo, de constituir dominantemente uma dinâmica de extração sem contrapartida à sociedade”. 

“Quem serão os atores sociais” aptos a enfrentar este poder? Pergunta Ladislau em outro ponto, que talvez merecesse ser mais destacado no livro. Ele mesmo responde: “Os partidos, os governos – mesmo democraticamente eleitos – e até os sindicatos estão fragilizados e sem credibilidade. O que era uma classe trabalhadora relativamente homogênea e com capacidade de articulação (…) é hoje extremamente diversificada pela multiplicidade e complexidade de inserção nos processos produtivos”. A esperança estaria numa espécie de novo proletariado, já entrevisto por autores como David Harvey e Toni Negri: “Os prejudicados do sistema são a imensa maioria, e não faz sentido o 1% pesar mais que o 99%”. 

Como inverter a balança – ou seja, como abordar a luta pela emancipação social na Era do Capital Improdutivo? Aqui, Ladislau destoa tanto do pensamento econômico tradicional quanto de grande parte dos economistas de esquerda, tão autolimitados pelo mito segundo o qual “não há orçamento” para atender às demandas sociais. É preciso, mostra o livro, opor, às lógicas contábeis da “austeridade” e dos “ajustes fiscais”, outras realidades. 

“Se há uma coisa que não falta no mundo são recursos”, lembra Ladislau – e aqui ele parece atualizar a ideia de Marx sobre a contradição entre a técnica (as “forças produtivas”) que avança, e o sistema social (as “relações de produção”) que se vê obrigado a limitá-la – porque podem ser uma ameaça aos privilégios. O livro ressalta: “O imenso avanço da produtividade planetária resulta essencialmente da revolução tecnológica que vivemos. Mas não são os produtores destas transformações que aproveitam. Pelo contrário, ambas as esferas, pública e empresarial, encontram-se endividadas nas mãos de gigantes do sistema financeiro, que rende fortunas a quem nunca produziu e consegue nos desviar radicalmente do desenvolvimento sustentável, hoje vital para o mundo”. 

O autor resgata dados desconcertantes – mas sempre ocultados, porque incômodos. “Se arredondarmos o PIB mundial para 80 trilhões de dólares, chegamos a um produto per capita médio de 11 mil dólares. Isto representa 3.600 dólares por família de quatro pessoas, cerca de 11 mil reais por mês. É o caso também no Brasil, que está exatamente na média mundial em termos de renda. Não há razão objetiva para a gigantesca miséria em que vivem bilhões de pessoas, a não ser justamente o fato de que o sistema está desgovernado, ou melhor, mal governado e não há perspectivas no horizonte”. 

Mas como ir além do sistema? Ladislau frisa, desde o início, que sua experiência o ensinou a passar ao largo das ideologias – os “ismos”, como ele as chama. Quer saídas práticas. Porém, a radicalidade do que propõe, sempre com base em um imenso volume de dados articulados, convida a especular: tais respostas não cabem no sistema a que estamos submetidos. Por isso, talvez não haja heresia em dizer que o autor pratica um “pós-capitalismo discreto”. É como se dissesse, à moda de Leminsky: não se afobem: “distraídos, venceremos”. 

O livro termina com o “Esboço de uma Agenda”, um brevíssimo ensaio construído em coautoria com Ignacy Sachs – um dos propositores do conceito de “ecossociodesenvolvimento – e Carlos Lopes – pesquisador africano, ex-subsecretário-geral da ONU. 

Proposto em 2010, o rascunho chama a atenção por sua atualidade. Nele, propostas estruturais – como a instituição Renda Básica da Cidadania, a redução da jornada de trabalho, a reorganização do sistema financeiro, a reorientação dos sistemas tributários e a livre circulação do conhecimento (em oposição à “propriedade intelectual” e aos sistemas de “copyright”) – figuram lado a lado com mudanças de atitude decisivas (como a “moderação do consumo” e a “generalização da reciclagem). 

É pouco, certamente – e é ótimo que seja assim. Reconstruir um projeto de emancipação social será obra de multidões e exigirá décadas de imaginação, sondagens, tentativas, erros, novas reflexões e criações. O que o livro de Ladislau Dowbor reitera é que o esforço começou; que já somos capazes de nos perceber submetidos à Era do Capital Improdutivo – mas também de buscar as saídas; que, em oposição ao futuro distópico que hoje nos ameaça, podemos tatear o pós-capitalis.

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