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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Filosofia Espírita, João Nunes Maia, Miramez (Espírito), Capítulo 32 - Substância Primitiva

FILOSOFIA ESPÍRITA - VOLUME I

CAPÍTULO 32 – SUBSTÂNCIA PRIMITIVA (0032/LE)

Avançando no entendimento, necessário se faz que respondamos alguma coisa acerca dos estudos em atenção, no que tange à matéria propriamente dita. Em “O Livro dos Espíritos”, o codificador insiste em determinados assuntos, procurando a selva mais profunda dos conhecimentos a que se refere, neste caso, a matéria. É de lógica comum para os estudiosos, principalmente do espiritualismo, que a natureza é um segredo de Deus a expressar a sua própria sabedoria. Desvendar essa natureza requer qualidades que ainda não possuímos; no entanto, não é por isso que deveremos cruzar os braços frente ao saber universal - a revelação nos vem de acordo com a nossa subida. 

O Espírito da Verdade chamava a matéria primitiva de molécula primitiva, porque os homens daquela época desconheciam o além da molécula, eles respondiam de acordo com o conhecimento humano, para serem entendidos. Quanto mais a ciência se aprofunda, mais se perde no regime das substâncias da molécula. Partiu para o átomo, elétrons, elementos ínteratômicos, e apoderou-se do sentido de que a viagem científica ao microcosmo é verdadeiramente infinita. Onde está a matéria primitiva? Perde-se nas nossas fracas deduções. Confunde-se a matéria com o Espírito, e este com Deus, o Criador de todas as coisas. Se não damos conta de dominar a matéria física, ainda mais o que existe por trás dela, como, por exemplo, os fluídos de onde ela se originou! A escala das substâncias é infinita. A ação de caridade é troca de substâncias que escapam à ciência da Terra, mas que é uma verdade no mundo dos estímulos. A sugestão que os magnetizadores usam e que negam a participação do que não vêem, não impede de circular, por leis universais, as trocas de uns para os outros de forças sutis, de acordo com os sentimentos de quem dá e de quem recebe. 

Os clarins de Deus tocam pelas bocas dos anjos, a nos dizerem que chegamos no momento de modificarmos os nossos sentimentos, no que se refere à vida. Mudanças e mais mudanças devem se operar, para compreendermos o sentido da verdadeira vida e aprendermos pelo menos a saber perguntar aos luminares da eternidade o que realmente nos faz melhores na escala à qual pertencemos, na grande viagem evolutiva, no despertar dos valores dentro de nós. 

A energia não tem forma determinada, a não ser na sua profundidade que desconhecemos. Ela é orientada por altas inteligências e vai baixando as vibrações. Nessa descida, vai tomando formas que garantem os valores da sua expressão. A sua natureza surge pela vibração, que congrega valores na obediência da lei de atração, formada em um campo de força, na gama das suas combinações elementares. É aí que fornece suas propriedades aos sentidos apropriados dos homens, como, por exemplo, o paladar, os perfumes e os coloridos que tanto nos agradam. 

Os estudos são fascinantes e nos levam a crer em uma Fonte Suprema que tudo orienta na maior harmonia, e cujo amor escapa a todas as inteligências, porque interpretamos essa virtude singular de acordo com a posição espiritual que já atingimos. 

O ato de caridade é uma troca de substâncias que escapam à ciência da Terra, mas que é uma verdade no mundo dos estímulos. No caso, por exemplo, dos magnetizadores, além da sugestão que eles usam, movimentam forças sutis, cuja existência muitos negam, por não percebê-las. Essas forças são permutadas, de acordo com os sentimentos de quem dá e recebe. 

Jesus trouxe uma equação muito simples para a humanidade. A sua capacidade de sintetizar os valores eternos em poucas palavras, como fez no seu Evangelho de vida, é extraordinária. Ela alinhou conhecimentos em todas as escalas da subida espiritual, para que nenhum ficasse sem o conforto da sua assistência, para que ninguém ficasse órfão da bondade de Deus. 

Antes de pensarmos em conhecer a substância primitiva da matéria, vamos pensar e pedir ao Senhor que nos ensine a perceber o amor primitivo do seu coração para conosco.

MAIA, J. N.; MIRAMEZ (Espírito). Filosofia Espírita. V. I, cap. 32